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Aumentam sanções internacionais contra a Rússia

A invasão da Rússia à Ucrânia levou a uma série de sanções internacionais contra Moscou, principalmente por parte dos países ocidentais, escreve a imprensa internacional. Veja as principais sanções anunciadas, esta sexta-feira.

UNIÃO EUROPEIA

Ontem, a União Europeia decidiu impor o congelamento de activos de Vladimir Putin e de seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, pela ofensiva militar russa na Ucrânia. Os líderes da União Europeia haviam aprovado politicamente um pacote de sanções à Rússia, na quinta-feira e nesta sexta os chanceleres europeus concordaram que Putin e Lavrov sejam incluídos na lista de pessoas afectadas.

Com a definição dos detalhes das sanções, a União Europeia limita “significativamente a receita financeira da Rússia”.
“Atingimos 70% do sistema bancário russo e empresas estatais”, afirmou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Borrell ressaltou que as normas a serem aplicadas são as mesmas que para qualquer outra pessoa incluída na lista da União Europeia, ou seja, trata-se do congelamento de bens. “Haverá todo um trabalho para identificar os bens a serem congelados”, explicou.

O chefe da diplomacia acrescentou que no encontro discutiu a situação e a possível sanção de Putin e Lavrov com altos funcionários da China e da Índia, explicando a eles “que não se trata apenas da Ucrânia, mas do respeito às normas internacionais”.

Além de Putin e Lavrov, Borrell disse que estão incluídos na medida “os membros restantes da Duma russa (câmara baixa do parlamento) que apoiam essa agressão”.

ESTADOS UNIDOS

O presidente dos EUA, Joe Biden, endureceu as medidas tomadas contra a Rússia nesta sexta-feira, acrescentando Putin e Lavrov à lista de autoridades punidas e proibidas de entrar no país, um acto incomum e com força simbólica.

Os Estados Unidos irão impor sanções ao Russian Direct Investment Fund, Fundo Soberano de Moscovo que busca atrair investimentos para a sua economia.

A primeira bateria de medidas afectava quatro bancos russos, entre eles os dois maiores do país (Sberbank e VTB Bank), e suprimiu mais da metade das importações tecnológicas. Também proibiu a gigante de energia Gazprom e outras grandes empresas do país do financiamento em mercados ocidentais, medida que já havia sido aplicada contra o governo russo.

Os Estados Unidos também ampliaram a lista de oligarcas russos penalizados e limitaram as exportações para a Rússia de produtos tecnológicos destinados aos sectores de Defesa e Aeronáutica. Além disso, Washington anunciou sanções contra 24 indivíduos e organizações bielorrussas, anunciou o Departamento do Tesouro.

REINO UNIDO

Londres também congelou os activos de Putin e Lavrov e fechou seu espaço aéreo a aviões privados de oligarcas russos. Antes, o Reino Unido havia fechado seu espaço aéreo à empresa russa Aeroflot e imposto sanções contra bancos e exportações tecnológicas. Além dos cinco bancos retaliados na terça-feira, o gigante VTB teve seus activos em solo britânico congelados, assim como a fabricante de armas Rostec.

CANADÁ

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou sanções contra Vladimir Putin, Serguei Lavrov e Belarus. No total, cerca de 60 pessoas ou entidades do círculo de poder russo, incluindo a empresa de segurança privada Wagner serão punidas.
O Canadá também cancelou licenças de exportação para a Rússia no valor de USD 550 milhões em mercadorias, principalmente dos sectores Aeroespacial, de Tecnologia da Informação e de Mineração.

ÁSIA-PACÍFICO

A condenação nessa região foi menos unânime. A Índia, que tem relações estreitas com a Rússia, absteve-se de sanções, assim como a China, aliada de Moscou e que diverge de Washington.

Em acordo com seus parceiros do G7, o Japão anunciou nesta sexta-feira sanções adicionais contra Moscovo pela invasão da Ucrânia, que afectam o sector financeiro russo e a exportação de componentes eletrônicos para a Rússia.

“As sanções incluem o congelamento de bens e a suspensão da emissão de vistos para indivíduos e organizações russas” declarou o primeiro-ministro Fumio Kishida em entrevista colectiva em Tóquio, após uma reunião virtual com líderes do G7.

Kishida também anunciou sanções “no sector financeiro, como o congelamento de activos de instituições financeiras russas” e medidas “sobre exportações para organizações russas ligadas às forças armadas” e sobre “bens de uso geral, como semicondutores”.

Taiwan também anunciou sua intenção de tomar medidas, mas não divulgou detalhes.
A Austrália reforçou neste sábado suas sanções contra a Rússia, visando oligarcas e membros do parlamento, e seu governo indicou que se preparem medidas para punir directamente Vladimir Putin, como fizeram seus aliados.

A ministra das Relações Exteriores, Marise Payne, anunciou à imprensa a imposição de sanções financeiras a oito oligarcas próximos a Putin e 339 parlamentares que facilitaram a invasão da Ucrânia.

Figuras-chave do governo de Belarus, um aliado de Moscovo, também foram penalizadas, por “serem cúmplices na invasão”, acrescentou. Segundo Payne, o governo também trabalha para tomar medidas contra Putin e seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

AUSTRÁLIA

Ainda na sequência da decisão de invadir a Ucrânia, o Governo australiano anunciou, esta sexta-feira, novas sanções dirigidas directamente ao presidente russo, Vladimir Putin. Segundo o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, as medidas atingiram “oligarcas cujo peso económico é de importância estratégica para Moscovo” e mais de 300 membros do parlamento russo que votaram pela invasão da Ucrânia.

As novas sanções somam-se às proibições de viagens e sanções financeiras a oito altos funcionários russos, anunciadas por Camberra, ontem. Em entrevista a jornalistas, Morrison disse que está a trabalhar com os Estados Unidos para estender as restrições a “indivíduos e entidades bielorrussas”, que ele chamou de “importantes cúmplices na agressão”.
O primeiro-ministro australiano disse também que vai ajudar a Ucrânia com “equipamentos militares não letais e suprimentos médicos”.

Esta é a terceira ronda de sanções impostas pela Austrália contra políticos, militares e oligarcas russos, bem como vários bancos, e uma proibição de investimento nas regiões separatistas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, auto-proclamadas repúblicas populares e cujo reconhecimento russo apressou a invasão.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa “desmilitarizar” o seu vizinho e que era a única maneira de o país se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário, dependendo de seus “resultados” e “relevância”.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), UE e Conselho de Segurança da ONU, tendo sido aprovadas sanções em massa contra a Rússia.

 

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