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Zé Carlos: “Precisamos ser mais unidos”

A sua causa, empenho e dedicação ao hóquei em patins moçambicano deram frutos! Os resultados, aliás, da selecção nacional de hóquei em patins em provas internacionais têm a sua mão, até porque não só fez a ponte entre os jogadores que jogam no exterior como também contribuiu, com a sua experiência, para indicação de treinadores com qualidade que orientaram o país.  Chama-se Zé Carlos, figura que mesmo estando a residir na Inglaterra, não deixa de se engajar pelo desenvolvimento do hóquei em patins moçambicano.

“Estou ligado ao hóquei em patins há mais de sessenta anos. Comecei a patinar aos cinco anos e, mais tarde, iniciei a prática do hóquei em patins. O hóquei em patins está dentro de mim, portanto, sempre acompanhei esta modalidade. E, ao longo da minha carreira, tive muitos sucessos mas também acumulei alguns insucessos que me deram coragem para continuar”, começou por recuar no tempo Zé Carlos, que se encontra na sua terra natal.

A sua colaboração com o elenco cessante da Federação Moçambicana de Patinagem é motivo de grande orgulho! Mas porquê? Porque, nos últimos anos, Moçambique conquistou o Mundial do grupo “B”, em Montevideu, Uruguai, regressando para a elite da modalidade. Mais: classificou-se, em 2011, no quarto lugar no Mundial de San Juan, na Argentina, naquela que foi a melhor prestação de sempre. Há ainda registar a conquista, em 2019, da Taça Intercontinental, em Barcelona, Espanha.

“Devo, desde já, dizer que nestes últimos dez anos de trabalho conjunto com o presidente Nicolau Manjate, foi sempre um enorme prazer estar com as nossas selecções nacionais que representaram o país. Foi um enorme prazer ter feito parte do corpo técnico e na escolha de jogadores que evoluem no exterior, fazendo esta ponte com os que jogam no país assim como de treinadores da selecção nacional”, notou.

E falou sobre o futuro. Futuro esse que passa por olhar para outras vertentes da modalidade. “Recentemente, com o aparecimento da patinagem em linha, dei o meu contributo ao movimento através do patinador Donaldo Salvador que participou num evento internacional em Berlim, na Alemanha. E, depois, ajudei no processo relacionado com a expansão dessa modalidade de patinagem em linha aqui no país” acrescentou.

Hoje, exemplificou: “contamos com cerca de sete disciplinas que fazem parte do world skate internacional. É preciso haver uma correspondência com o que se passa lá fora e o que se faz dentro do país. Eu tenho feito esta leitura ou ponte de permanente contacto com o que se passa fora e aqui em Moçambique. O que tenho estado a fazer é a ligação para que as coisas, realmente, estejam harmonizadas e produtivas. É claro que nem tudo foi perfeito, até porque há sempre dificuldades”.

“KIKO TEM POTENCIAL PARA SER UM GRANDE TREINADOR”

No final do ano passado, realizaram-se as eleições na Federação Moçambicana de Patinagem, escrutínio que ditou como vencedor Eneas Comiche Júnior. Mas estas eleições, envoltas em polémica, culminaram com uma providência cautelar no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, avançada pelo candidato Nelson Costa.

“Neste momento, estou preocupado com a situação actual do hóquei em patins em Moçambique. Ou seja, esta transição com a saída do presidente Nicolau Manjate e com a nova direcção que foi eleita. Estou preocupado com a posição do outro candidato que avançou com uma acção de providência cautelar no tribunal. Ao longo da minha vida desportiva, nestes 60 anos, eu nunca estive em tribunal algum para lidar com o hóquei em patins”, indagou.

Não deixou, no entanto, de reconhecer que há posicionamentos diferentes no hóquei patins que devem servir para unir cada vez mais os fazedores da modalidade.

“Claro que nós temos algumas insuficiências e, quando as pessoas se aproveitam dessas insuficiências, ficamos numa situação em como se tivéssemos uma ferida no nosso corpo. No lugar de termos alguém a sarar estas feridas, temos pessoas a abrirem cada vez mais, provocando mais dor. Esta é a situação actual do hóquei em patins. Não há necessidade nenhuma de se recorrer ao tribunal”, lamentou Zé Carlos.

Para o ex-praticante de hóquei em patins, é preciso que os problemas da modalidade sejam discutidos em fórum próprio.

“Estamos habituados a ver os nossos problemas serem resolvidos no nosso próprio tribunal. Nós temos a nossa maneira de ser e estar que nos diferencia muito das outras modalidades. Talvez, por causa disso, conseguimos ter algum sucesso visível fora do país. Esta modalidade necessita não só de material e equipamento como também de técnicos com formação e qualificados”, frisou.

E deixou ficar um alerta: “Nós não temos técnicos formados e com bases científicas para darem formação quer no hóquei em patins quer na patinagem em linha”.

Adiante, Zé Carlos refere que “temos jogadores que acumularam experiencia, mas não temos formação científica que implica ter graus de nível I, II e III”.

Carlos reconheceu o potencial de Spiros “Kiko” Esculudes, ex-capitão da selecção nacional de hóquei em patins. “Há uma figura que eu penso que tem um grande potencial para formar e preparar jovens que é o Kiko. Foi um bom jogador e com enorme qualidade. Representou a selecção nacional com brio e fez um bom trabalho no Mundial sub-19. Há que destacar ainda o facto de ter sido adjunto de Pedro Nunes, na selecção principal. Penso que devia abraçar o treinamento e não se focar no dirigismo”.

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