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Zambézia procura ressurgir da longa hibernação económica

Já contribuiu com 35% (em 1973) para o Produto Interno Bruto. Hoje não passa dos 11%. Zambézia tem um enorme potencial, mas tudo não passa disso. A primeira conferência internacional de investimentos que termina esta sexta-feira quer fazer história e virar a página. O Governo quer a concretização de dois grandes projectos: o porto de água secas de Macuse e a barragem de Mugeba.

Zambézia, centro de Moçambique, já foi um ponto importante para a economia nacional, onde em 1973 (antes de Moçambique ser um Estado soberano) contribuía com 30 a 35% do Produto Interno Bruto, impulsionado pela produção agrícola e pesca. A copra e o algodão davam voz à Zambézia, mas com o andar dos anos essa voz foi ficando rouca até chegar à mudez, com o amarelecimento do coqueiro que se tornou no crepúsculo que tirou aquela província do mapa nacional e mundial. Na pesca, a captura do camarão era a principal actividade no Banco de Sofala, e vale a pena aqui lembrar que a primeira experiência de aquacultura no país foi mesmo na Zambézia, mas uma “praga” abateu-se sobre a Zambézia e afectou os alevinos de camarão e tudo ficou nos anais da história recente daquela parcela do país.

O tempo urge, as necessidades obrigam a adopção de novas abordagens e eis que o governo provincial decide juntar várias vozes para falarem da Zambézia e descobrirem os caminhos para o progresso. “Onde todos os caminhos se cortam e onde Moçambique se abraça” esse é o lema do distrito de Mocuba, que pela sua localização geográfica, aliada ao alinhamento do traçado das principais estradas nacionais, de facto encontra-se a explicação para esse epíteto. E foi mesmo naquele ponto que mais de 300 pessoas, dentre nacionais e estrangeiras, decidiram encontrar-se, desde ontem até hoje, para encontrarem soluções para o rápido desenvolvimento que Zambézia precisa.

A primeira conferência internacional de investimentos da Zambézia decorre sobre o lema “industrialização como factor dinamizador de desenvolvimento da província da Zambézia” e dá eco ao que há muito foi dito: “Zambézia tem muitas potencialidades”, anunciou Pio Matos, governador daquela província, para depois dizer o que nu fundo é o principal objectivo do evento em alusão: “[este] é o momento em que se juntam os que têm fome e os que têm vontade de comer. Se nós nos encontrarmos juntos podemos efectivamente dar alegrias a todos nós. Zambézia precisa de apoio”.

O Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário alinha na mesma ideia, por isso, no seu discurso de abertura oficial do evento (ontem) fez questão de apelar para uma especial atenção para a agricultura e o processamento, tendo em conta que dos 7.6 milhões de hectares de terra arável de que a província dispõe, apenas 2.5 milhões é que são explorados.

“E assim que somos desafiados a nos focalizarmos no sector agrário e no agro-processamento como forma de criar mais valor acrescentado em toda a sua cadeia, alargando as oportunidades de mercado e estimulando cada vez mais o aumento da produção e da produtividade. Acreditamos que ao centrarmo-nos no sector agrário e no agro-processamento estaremos a acelerar o processo de administração da nossa economia e garantir a segurança alimentar, bem como, sobretudo, a questão dos produtos alimentares e substituirmos as importações”.

E o sector de infraestruturas é de grande importância para a dinamização do desenvolvimento da Zambézia. Carlos Agostinho do Rosário voltou a lembrar três grandes projectos que necessitam de investimento: “a operacionalização da zona económica especial e zona franca industrial de Mocuba; logística de transportes, concretizando o projecto estruturante da construção do porto seco de Mocuba, bem como do porto de águas profundas de Macuze numa parceria público-privada e que devido aos seu elevado potencial para dinamizar a Zambézia, o Governo tem acarinhado este projecto”.

A construção do porto de águas profundas de Macuse e da linha férrea entre Moatize, em Tete, e Sopinho, na Zambézia, fala-se desde 2016 e na altura estimava-se  em cerca de três biliões de dólares norte-americanos.

Já a barragem de Mugeba, no distrito de Mocuba, espera-se poder gerar energia eléctrica; controlar as águas no Baixo Licungo, que é uma região hidrográfica que banha os distritos de Namacurra e Maganja da Costa, os mais afectados pelas cheias e inundações.

Zambézia é a segunda província mais populosa do país, com mais de 5 milhões de habitantes, e apesar da riqueza natural, a sua contribuição para o Produto Interno Bruto varia de 10 a 11% e em 1973 contribuía com 30 a 35% da riqueza nacional.

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