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Zambézia e Inhambane são as províncias que menos poupam

O nível de poupança medida pelos depósitos totais efectuados em instituições financeiras a nível nacional situou-se em torno dos 53,0% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano 2021, uma queda face ao ano de 2020, em 1,1 pp, revela o Relatório de Inclusão Financeira 2021 produzido pelo Banco de Moçambique.

De acordo com o documento, a poupança financeira analisada em termos demográficos não fugiu da moda, ao situar-se em 30,2 milhões de Meticais por cada mil pessoas adultas em 2021, contra 32,4 milhões de Meticais observados em 2020, representando, assim, uma redução de 2,9%.

“Com excepção da Província de Maputo, a província de Sofala mostra-se com os níveis elevados, na ordem de 30,8% dos depósitos totais em percentagem do PIB, seguido da província de Manica e Nampula, ambas com 17,1% dos depósitos totais em percentagem do PIB. Os níveis mais baixos evidenciam-se nas províncias da Zambézia e Inhambane, com níveis de poupança financeira de 7,8% e 8,7%, respectivamente”, indica o Relatório de Inclusão Financeira 2021.

Por sua vez, a inclusão financeira, ou seja, o número de pessoas com acesso aos serviços financeiros reduziu no país. Cálculos do Banco de Moçambique indicam que o Índice de Inclusão Financeira Global se situou em 12,76 pontos, em 2021, contra os 13,93 pontos em 2020, uma redução de 1,2 pontos.

“Esta queda resulta, fundamentalmente, da redução dos pontos de acesso (agências bancárias, microbancos e cooperativas de crédito, agentes bancários, ATM e POS), com especial enfoque na Cidade de Maputo, bem como da retracção da actividade económica ao longo do período em análise (efeito COVID-19)”, refere o documento do banco central.

Segundo o regulador do sistema financeiro, a inclusão financeira é essencial para um desenvolvimento económico sustentável, já que estimula a poupança financeira, o financiamento à economia e, consequentemente, a expansão da actividade económica, geração de renda e redução da pobreza.

É também através da inclusão financeira que um país regista o desenvolvimento económico, reduz as desigualdades sociais e melhora o bem-estar da população, considera o Banco de Moçambique.

O documento avança ainda que, em 2021, se observou uma tendência descendente do financiamento bancário no país, avaliado em termos demográficos. Com efeito, por cada mil pessoas adultas, foram concedidos cerca de 14,3 milhões de Meticais, contra 14,7 milhões de Meticais em 2020.

No tocante ao número de agências, agentes e demais representações das instituições financeiras, observou-se uma redução de 2,8% agências bancárias, 11,5% agências de microbancos, 50% de sociedades de investimento e 42.9% cooperativas de crédito, sendo que os agentes de moeda electrónica registaram um aumento considerável de 36.2%, segundo dados recolhidos pelo banco central.

Já o número total de contas bancárias passou de 5,116,741, em 2020, para 5,293,240, em 2021, ou seja, uma subida de 3.4%. Em termos de segregação por género, observa-se uma tendência decrescente na bancarização em ambos os géneros.

“O número total de adultas detentoras de contas bancárias passou de 196 mulheres por 1.000 adultas, em 2020, para 194, em 2021, ou seja, uma redução em duas contas para cada 1000 adultas; já, a população masculina passou a contar com 426 contas por cada 1000 adultos, em 2021, contra 427, em 2020, o que constitui uma redução de uma conta em cada 1000 adultos face a 2020”, refere o relatório.

Segundo o documento, a Cidade de Maputo, como sempre, lidera o nível de bancarização, com 2.153 contas, seguida das províncias de Maputo, Sofala e Gaza, com 413, 352 e 324 contas bancárias, respectivamente, por cada 1000 adultos, em 2021, contra 2.079, 417, 352 e 320 contas por 1000 adultos, em 2020, apontando para uma tendência ascendente de bancarização na Cidade de Maputo e Gaza.

“Zambézia, Nampula e Niassa, com 115, 163 e 183 contas por 1000 adultos, respectivamente, foram as províncias com baixos níveis de bancarização, em 2021, com Niassa a observar ainda uma redução do seu nível de bancarização de 192 contas por 1000 adultos, em 2020, para 183, em 2021, quando as outras duas províncias tiveram um incremento”, lê-se no Relatório de Inclusão Financeira 2021.

 

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