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Vendedores do “Nwakakana” exigem indemnizações

É uma novela que já dura há um ano, mas os capítulos parecem não ter um fim à vista. É que continua o braço-de-ferro entre os vendedores do mercado Nwankakana, o Conselho Municipal de Maputo e a empresa Maputo Sul, em relação à cedência do espaço pelos vendedores para a construção da rampa de entrada da ponte Maputo-Katembe.

Ontem, as três partes reuniram-se e, mais uma vez, os vendedores recusaram-se a sair do local. Cânticos, gritos e contestações marcaram o encontro. Mesmo com a mediação do 1.º secretário da Frelimo, Francisco Mabjaia, os vendedores disseram que não vão arredar o pé do espaço, sem que lhes sejam pagas as indemnizações alegadamente prometidas pela Maputo Sul.

“Durante as negociações, o PCA da Maputo Sul, Silva Magaia, assegurou-nos que não tinha espaço para nos atribuir, só tinha dinheiro para nos indemnizar e nós acordamos, porque esse era o nosso desejo. A única solução que temos neste momento é que nos entreguem as indemnizações e nós vos garantimos que em 24 horas libertaremos este local”, disse Zita Cossa, uma das vendedeiras.

Os vendedores avançam que durante o processo de negociação com a Maputo Sul, esta entregou-lhes senhas como garantia que consoante o tipo de construções lhes seriam pagos indemnizações. “À determinado momento, disseram que queriam construir um mercado para nós, porque a Maputo Sul já não tinha dinheiro. E nós dissemos, na altura, que não queríamos o mercado, mas sim dinheiro, porque as nossas barracas construímos sem apoio do Município”, disse Isabel Muthisse outra vendedeira.     

Deficiências na comunicação mancham processo

Durante o encontro, foram reveladas uma série de informações alegadamente transmitidas por alguns dirigentes do Conselho Municipal que induziram os vendedores a pensarem que havia “muita mola no barulho”. Segundo os manifestantes, num dos encontros, a vereadora que superintende os Mercados teria prometido aos vendedores que iria dar uma ‘espreitadinha’ nos cofres da Maputo Sul para ver quanto valor lá existia.

Numa outra ocasião, depois da alegada “espreitadela” esta teria dito que os valores lá existentes eram irrisórios. Em reacção, Silva Magaia explicou que a sua empresa não dispõe de cofres. Magaia disse que acordou com o Município de Maputo que a melhor solução para os vendedores era a construção de bancas. “Do encontro com o Município, disseram-nos que com os valores acordados para dar a cada vendedor estaríamos a vos prejudicar. Disseram ainda que não deveríamos construir a ponte e vos deixar na pobreza e pediram-nos que construíssemos bancas para vos acomodar”, explicou para a insatisfação dos vendedores.

Simango pede retirada, vendedores dizem “não”

David Simango, presidente do Conselho Municipal de Maputo, começou a sua intervenção pedindo desculpas pelas falhas na comunicação havidas no processo. Simango assegurou não ter recebido qualquer valor da Maputo Sul referente à indemnização dos vendedores daquele mercado.

O edil recordou que os vendedores enviaram queixas para o Gabinete do Primeiro-Ministro e da Ministra da Administração Estatal e Função Pública. E porque também constituíram um advogado para os defender, Simango e Francisco Mabjaia aconselharam a estes que reivindiquem sem obstruir os trabalhos de construção da rampa. “Vocês submeteram queixas a essas entidades e tem um defensor, esse é vosso direito e não contexto. Esses processos administrativos e judiciais podem decorrer sem prejudicar a obra. Vocês podem continuar a reivindicar, sem prejudicar os trabalhos. Isto é, abandonam este lugar, as obras continuam e os processos também continuam”, pediu o edil, mas os vendedores não acolheram a proposta com agrado.

Acordada nova plataforma de diálogo

Porque os vendedores mostram-se irredutíveis mesmo com os apelos do 1.º secretário da Frelimo, acordou-se a criação de uma comissão de vendedores que irão representar, a partir de hoje (quarta-feira) todos os manifestantes no processo de diálogo a que se junta o partido Frelimo.

Os vendedores dizem não fazer sentido que fiquem sem indemnizações, uma vez que a Maputo Sul compensou todas as famílias por onde passou o projecto.

Mabjaia queixa-se de aproveitamento político

No fim do encontro, Francisco Mabjaia disse não ter dúvidas que há elementos estranhos ao processo que estão a agitar os manifestantes com objectivo de obter dividendos políticos. Na ocasião, exortou a estes a afastarem-se do processo para o bem da população. Mabjaia acrescentou que tudo será feito para encontrar os valores exigidos pelos manifestantes.  

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