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Uso descontrolado de tecnologia pode provocar depressão nas crianças

Num mundo cada vez mais marcado pela tecnologia, é fácil encontrar crianças que ainda não sabem nem amarrar os sapatos a navegar na internet e a usar smartphones ou tablets, melhor que muitos adultos. Mas essa inserção precoce dos pequenos no mundo da tecnologia pode provocar problemas de saúde e de comportamento.

“A criança que usa excessivamente tecnologia pode apanhar depressão, ter sentimento de impulsividade, dificuldades de controlar a raiva, obesidade, tristeza profunda, dificuldade aprendizagem (atenção, concentração e percepção), falta de sono, hiperactividade e dificuldades de socialização”, explicou a psicóloga clínica, Vitalina  Paulino.

Foi aos três anos de idade que Naider Ambasse, de sete anos de idade teve o primeiro contacto com um celular com acesso à internet.

“Ele tinha curisosidade de mexer o meu celular, do pai, dos avós, tios e de outros familiares próximos. E nesse período ele começou a ter noção de que se tratava de um celular e que serve para fazer chamadas”, explicou a mãe do menino, Julieta Alfândega.

Mas foi há seis meses que Naider ganhou o seu primeiro celular, por sinal um smartphone. A rede social whatsapp é uma das suas aplicações favoritas. “Gosto de jogar, de mandar mensagens para meus pais no whatsaap e de entrar no playstore para baixar novos jogos e aplicações”, contou-nos, sem tirar os olhos da tela do celular, que mexia durante a entrevista.

Naider faz parte da geração da era digital, que age como se tivessem nascido a saber manusear nos aparelhos tecnológicos. Nas redes sociais, principalmente no youtube são publicados vídeos de crianças que ainda nem aprenderam a andar nem falar, que mesmo assim ficam fascinadas por aparelhos eletrónicos, e algumas chegam até a chorar quando lhes é retirado o celular. E especialistas da área já consideram que as tecnologias são incontornáveis e elas trouxeram uma revolução no mundo infantil. Mas é preciso impor limites.

“As crianças têm uma apetência natural por tecnologia. Isto pela forma como as imagens e sons são apresentadas nesses dispositivos. Pelo que é complicado ficar indiferente a essas transformações. Mas para assegurar que o uso de tecnologia não crie problemas na saúde dos pequenos é preciso apostar na prevenção, que é o melhor tratamento, sendo que as crianças devem ter o acesso a tecnologias digitais controlado sempre por um adulto”, disse Celestino Joanguete.

Felizmente, segundo a mãe, Naider não tem nenhum problema de saúde, socializa-se bem e continua a ter um bom desempenho escolar. “Ele é o melhor aluno da escola. E consegue muito bem saber separar as horas para estudar, fazer tpc, brincar e mexer o celular”, assegurou Julieta.

E o sucesso dessa gestão, é atribuído ao estabelecimento de limites.

“Ele só mexe celular na sexta-feira e devolve no domingo. E mesmo quando está a mexer nós procuramos sempre perceber o que ele está a fazer”, revelou a mãe do menino de sete anos.

O estabelecimento de limites é reforçado pela psicóloga, para que as crianças não percam interesse por outras actividades.

“Não se deseja que uma criança passe uma hora em frente ao computador, celular ou tablet, mas fique entendiada ao estar numa sala de aulas por 45 minutos numa aula de português Por isso é preciso orientá-las a saber separaro tempo”,reforçou Vitalina.

A Academia Americana de Pediatria considera que 13 anos é a idade ideal para que as crianças tenham acesso a dispositivos móveis.

 

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