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UNILÚRIO pesquisa plantas medicinais para cura de doenças respiratórias

A Universidade Lúrio (UNILÚRIO) está a desenvolver um estudo sobre o uso de plantas medicinais para a cura de doenças respiratórias. Um dos farmacêuticos envolvidos na pesquisa defende o uso de “bafo” com folhas de eucalipto e limoeiro para a limpeza das vias respiratórias.

Uma equipa composta por docentes de vários ramos, estudantes da faculdade de Ciências de Saúde da Universidade Lúrio em Nampula e praticantes da medicina tradicional, iniciou uma pesquisa no ano passado que visa identificar plantas medicinais que curam doenças respiratórias para depois definir o modo de toma, assim como as quantidades recomendadas, num contexto em que 80% da população nacional recorre à medicina tradicional, primeiro, para tratar os seus problemas de saúde e 90% do medicamento tradicional em África provém de plantas.

“Hoje em dia, na medicina, para se utilizar um princípio activo é preciso que se conheça não só os seus efeitos benéficos, mas tem que conhecer-se também os seus efeitos maléficos e digo desde já que todos os princípios activos têm o efeito benéfico e o efeito maléfico, feliz ou infelizmente. Tem que se conhecer as dosagens, estou a falar das quantidades correctas para serem utilizadas; tem que se conhecer as doses, a quantidade mínima capaz de produzir um efeito esperado e tem que se conhecer as posologias – como administrar”, explica Neivaldo Murrube, farmacéutico de formação e um dos pesquisadores envolvidos.

A pandemia da COVID-19 até foi o pretexto para o início do estudo, mas os pesquisadores alargaram o campo de actuação para outras doenças respiratórias comuns como a asma que a medicina convencional não cura.

“Poucos trabalhos existem a abordar acerca das plantas africanas, então nós dissemos que não vamos nos focar simplesmente na COVID-19, vamos abrir o foco; vamos fazer um amplo aspecto de procura”, avança o pesquisador, tendo esclarecido que a pesquisa deverá durar 10 anos, estando-se nesta fase na recolha dos nomes das plantas, a confrontação com os nomes científicos, sendo que a fase que vai durar mais tempo (cerca de 8 anos) será a de ensaio dessas plantas/medicamento em humanos, precisamente pelo rigor necessário de análise dos seus efeitos. No entanto, essa fase só se chega depois do ensaio em animais, preferencialmente cobaias.

Aproveitando o foco da pesquisa que são plantas para a cura de doenças respiratórias, questionamos ao farmacéutico se os bafos com folhas de eucalipto e limoeiro são ou não eficazes para a cura ou atenuação de problemas respiratórios, ao que respondeu: essas plantas são ricas em vitamina “c” e são ricas em princípios activos que são expectorantes, ajudam a retirar sujidade, muco do sistema respiratório e de alguma forma ajuda a resolver os sinais e sintomas de indivíduos que tenham problemas respiratórios.

Em África em Moçambique em particular, calcula-se que 80% da população recorre primeiro à medicina tradicional para tratar os seus problemas de saúde e o Ministério da Saúde tem uma Direcção Nacional da Medicina Tradicional que visa a valorização deste ramo da medicina que é reconhecido pelo Organização Mundial da Saúde.

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