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UNICEF estima que mais de 13% dos adolescentes vivem com uma perturbação mental diagnosticada

Foto: UNICEF

Quase 20% das crianças com menos de cinco anos vivem em extrema pobreza, a nível mundial, segundo avança o novo relatório do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), intitulado “O estado das crianças do mundo 2021” (traduzido de inglês The state of the world’s children 2021).

De acordo com o documento, as crianças estão demasiadas vezes na linha da frente em crises humanitárias (415 milhões em 2018), cada uma delas exposta ao stress e trauma. O impacto de tais crises pode variar de criança para criança, com algumas a mostrarem resiliência e outras a experimentarem uma angústia extrema e duradoura.

“Há múltiplos relatos de abuso de crianças em instituições, uma grande proporção das quais têm deficiências, incluindo deficiências de desenvolvimento ou de saúde mental. Há, também, provas extensivas do uso continuado de algemas de crianças e jovens com graves problemas de saúde mental e do uso de coerção e contenção nos serviços de saúde mental”, lê-se no documento.

COVID-19 suscita preocupações sobre a saúde mental de crianças

O novo relatório do UNICEF demonstra uma grande preocupação sobre o impacto da COVID-19 na saúde mental das crianças, mas considera que a pandemia pode representar a ponta de um iceberg de saúde mental, ignorado há demasiado tempo.

As investigações do UNICEF indicam alguns aumentos de stress e ansiedade entre crianças e adolescentes. A saúde mental dos prestadores de cuidados, especialmente das jovens mães, é também uma preocupação.

Estimativas do UNIFEC apontam que mais de 13% dos adolescentes entre os 10 e 19 anos de idade vivem com uma perturbação mental diagnosticada, tal como definida pela Organização Mundial de Saúde. Isto representa que 86 milhões de adolescentes com idades entre os 15 e 19 anos e 80 milhões de adolescentes com idades entre os 10 e 14 anos, 89 milhões de rapazes adolescentes dos 10 e 19 anos e 77 milhões de raparigas adolescentes dos 10 e 19 anos de idade, vivem com uma perturbação mental.

As taxas de prevalência de perturbações diagnosticadas são mais elevadas nas regiões do Médio Oriente e Norte de África, América do Norte e Europa Ocidental. A ansiedade e a depressão constituem cerca de 40% destas perturbações mentais diagnosticadas; as outras incluem perturbações de défice de atenção/hiperactividade, perturbações de conduta, incapacidade intelectual, bipolar, distúrbios alimentares, autismo, esquizofrenia e um grupo de perturbações de personalidade.

As crianças e os jovens também relatam perturbações psicossociais que não atingem o nível de perturbação epidemiológica, mas perturbam as suas vidas, saúde e perspectivas de futuro.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Gallup para o próximo relatório da UNICEF sobre a Mudança da Infância, uma média de 19% de crianças entre os 15 e os 24 anos de idade em 21 países, auto-relatou, na primeira metade de 2021, que frequentemente se sentem deprimidas ou têm pouco interesse em fazer as coisas.

ALGUNS DADOS SOBRE MOÇAMBIQUE

Em 2020, cerca de 7,6 milhões da população moçambicana era compreendida por adolescentes dos 10 a 19 anos. Neste universo, o acesso à água potável é estimado em 63% e aos serviços sanitários, 88%. O país apresenta uma das maiores taxas de casamentos prematuros (53% e 10%, de rapazes e raparigas, respectivamente, sendo que estas são as que mais sofrem violência sexual).

De acordo com o UNICEF, a região de África subsaariana registou, no ano passado, um total de 11 milhões de deslocados internos, dos quais cerca de um milhão em Moçambique.

O documento aponta ainda que, na mesma região, o rácio de participação em trabalho forçado por género, entre 2010 e 2020, é de 73 por cada mil habitantes de sexo masculino e de 61 em cada mil habitantes de sexo feminino. No país, o rácio é de 79 por cada mil habitantes de sexo masculino, contra 77 do sexo feminino.

No período em análise, a despesa pública regional foi de 11,2% do PIB, cuja maioria foi alocada ao sector da educação. Para o caso de Moçambique, o UNICEF indica que a despesa pública foi de 21,7% do PIB, seguindo a mesma lógica regional, de maior investimento na educação.

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