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Uma vencedora entre um percurso de vida difícil e uma história de superação

Vem de uma família humilde da cidade da Beira, província de Sofala. Desde criança, sempre esteve apaixonada pela dança, mas, ao longo do tempo, desenvolveu um amor pela música e acredita que, através dela, pode louvar a Jesus e tocar milhares de corações. Conheça a história de Marta Vilanculos, a grande vencedora da sétima edição do Fama Show.

A voz de Nelson Nhachungue, vencedor do Fama Show edição 2005, anunciava Marta Vilanculos, como a grande vencedora da 7ª edição do reality show, realizado em directo na STV.

A primeira classificada não escondia a felicidade no rosto, exibiu o prémio e, de seguida, cantou, em forma de agradecimento a Deus e dedicou à sua filha.

Na verdade, aquele era o culminar de uma jornada que não foi nada fácil, desde a própria história de vida de Marta Vilanculos até à sua participação no Fama Show.

Natural da Beira, província de Sofala, Marta Vilanculos tem a sua história dividida entre a sua terra natal e a província de Inhambane, casa do seu irmão. A grande vencedora do Fama Show tem 23 anos de idade e vem de uma família humilde, por isso, os poucos anos de vida nunca lhe foram fáceis.

“Quando fui viver com o meu irmão em Inhambane, a ideia era que eu tivesse melhores oportunidades de estudos, mas um tempo depois apareceu um amigo do meu irmão para se hospedar na mesma casa e este aproveitou-se da ausência dos outros para me assediar”, contou Marta Vilanculos, a grande vencedora do Fama Show.

Depois deste episódio, Marta Vilanculos foi forçada a regressar à Beira em 2012 e a ter um outro conceito sobre os homens. “Eu já não queria saber de homens. Metiam-me medo. Achava que todos os homens se aproximavam de mim para me magoar, mas tudo mudou quando conheci Jesus. Ele amoleceu o meu coração e tudo voltou a ficar normal”, narrou Marta Vilanculos.

E foi o mesmo Jesus que a tirou da sua paixão de criança, que era a dança, para a música. “Sempre gostei de dançar. Eu dançava num centro cultural algures na Beira”, revelou o seu apreço pela dança, acrescentando que “Jesus foi quem me revelou o dom pela música e que, através dela (a música), podia louvar a Deus. No início, eu cantava as músicas de Bruna Carla e, pouco a pouco, vou apreciando a música e nunca mais parei de cantar”.

Apreciou, encarnou e, a partir daí, a sua vida resumia-se à música. “Música é vida para mim. Eu não levo a música como hobby. Para mim, é viver de música que eu quero. Estou na faculdade e a fazer ciências da comunicação, mas a música é que é a minha vida”, assumiu Marta Vilanculos.

Mas, para viver da música, tinha de começar de algum lugar… e o Fama Show era a oportunidade ideal para si.

Marta Vilanculos teve de abdicar de muita coisa para estar no Reality Show. Deixou a sua filha de oito meses que nasceu prematura.

“Foi muito difícil tomar a decisão de deixar aquela semente que ainda está a brotar para trás. Então, eu tive que tomar esta decisão. Não foi tão fácil, mas eu tinha que fazer isso, porque eu queria. Eu fiquei a pensar: muitos dos artistas partiram de algum concurso. Se não for Fama Show, Desafio Total, Turma Tudo Bom, de um sítio qualquer. Que história iria contar? Então, apareceu esta oportunidade e eu não hesitei”, relatou a vencedora do Fama Show.

Estava no Fama Show, mas o seu coração estava na recém-nascida que deixara em casa. “Houve galas em que eu chorava por pensar na minha filha. Houve uma altura em que ela teve um acidente. Queimou uma parte da perna com água quente e eu pensei em desistir do Fama Show, mas os meus colegas me motivaram a não desistir. Até chegaram a chamar-me de maluca. Ouvi seus conselhos e continuei”, recordou Marta Vilanculos.

E esta não foi a única coisa difícil. Participar do concurso num contexto de pandemia constituiu, também, um grande entrave para Marta. “Quando saí da Beira, não levei nada. Só tinha levado roupa para casting, mas para o show, não levei porque pensei que nos sobraria tempo para voltar para casa. Chegados aqui, a produção do Fama Show disse que não iria custear as despesas e estava lá escrito. Nós é que não prestamos atenção, mas, depois, falei com um amiga para me ajudar com roupas”, revelou a estrela do Fama Show.

A estrela do Fama Show até teve ajuda com roupa para a primeira gala, mas aconteceu um episódio engraçado e interessante. “Eu fui buscar roupas no estilista e perdi o carro que ia à KaTembe. Isso porque, eu pedi a alguém para indicar como podia chegar no Anjo Voador, mas fui aparecer no Xipamanine. Por lá, de tanto desespero, rasguei o meu vestido e acabei o dinheiro de transporte que usaria para chegar à KaTembe. Chorei de tanto desespero”, contou Marta Vilanculos, hoje, às gargalhadas.

Ainda neste episódio, ela acrescenta que teve de pedir dinheiro de transporte a outro concorrente (Afonso Júnior), que lhe mandou por plataformas electrónicas e “quando cheguei à KaTembe, a Shelcia Machaieie foi quem me deu um vestido para eu poder usar e actuar na primeira. Por isso, digo que eles são minha família. Subi ao palco pensando na minha princesa e, por isso, actuei e brilhei muito”.

E brilhou mesmo! Marta Vilanculos foi uma das concorrentes que se manteve constante pela positiva desde a primeira gala e depois das suas actuações, os outros concorrentes aplaudiam-na.

As pessoas viram maravilhas no canto da Marta Vilanculos, votaram e tornaram-na na grande vencedora do Fama Show. Até hoje, custa acreditar. “Ainda não é fácil digerir. Todos os dias são mensagens de pessoas e eu não acredito que sou a vencedora da sétima edição do Fama Show e primeira classificada. Eu dedico esse prémio à minha filha e ao meu esposo”, disse Marta Vilanculos, num tom de entusiasmo.

E o esposo já espera, ansiosamente, pela chegada da sua amada e vencedora do maior reality show do país. “Estamos à espera de ti. Tu és uma mulher guerreira, madura, respeitosa, com carácter inquestionável. Eu amo-te muito. Tua filha ama-te muito também. Estamos à tua espera”, teceu elogios Adamo Costa, esposo da Marta Vilanculos.

Estão à espera, não só o esposo da grande vencedora da sétima edição do Fama Show, como também os munícipes da Beira, tal como o fizeram em 2006, quando o prémio do concurso foi à mesma cidade, pelas mãos de Calisto Ferreira.

Naquele ano, os beirenses lotaram as ruas para receber o seu filho e, este ano, certamente, não haverá muito público por conta da pandemia da COVID-19, mas o amor, o carinho e admiração dos munícipes da Beira, certamente serão os mesmos.

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