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Trinta Zero Nove granjeia leitores na Escola para surdos e na Associação de Cegos

A editora Trinta Zero Nove ofereceu, esta segunda-feira, livros e áudio-livros à Escola Especial Nº 1 (para surdos), na cidade de Maputo, à Associação de Cegos e Amblíobes de Moçambique (ACAMO), com sede na Beira, e à Escola Secundária Gwaza Muthini, no distrito de Marracuene. O acto inseriu-se nas celebrações do Dia da Língua de Sinais Moçambicana

 

“Que língua/ falaríamos/ sem ouvidos?// Será o paraíso/ um mundo onde/ eu oiço tudo?”. Estes versos foram extraídos de A perseverança, editado pela editora Trinta Zero Nove ano passado. O livro é da autoria de Raymond Antrobus, jovem poeta britânico surdo que diz poesia em língua de sinais e falada – aprendeu a falar com recurso a um aparelho auditivo.

A perseverança foi um dos livros oferecidos pela Trinta Zero Nove à Escola Especial Nº 1 (para surdos), à Associação de Cegos e Amblíobes de Moçambique (ACAMO) e à Escola Gwaza Muthini. A acção, na verdade, inseriu-se numa efeméride importante: Dia da Língua de Sinais Moçambicana, que se celebra a 28 de Setembro de cada ano.

Entre as 10 colecções de áudio-livro com capa em braile (a pensar nos cegos), seleccionadas pela editora, o livro mais oferecido a crianças e adultos surdos ou cegos e à Escola Gwaza Muthini foi A perseverança, poemas com elegias ao pai do autor, crítica ao mundo ouvinte e que aborda outras temáticas sobre a cultura e vivência s/Surda. Nada ao acaso. A proposta poética exala a mensagem de que a pessoa surda tem voz na sociedade e pode exprimir-se através da literatura. Além disso, a obra de poesia, na percepção de Sandra Tamele, editora e tradutora da Trinta Zero Nove, é relevante partilhar com os surdos, com os cegos e com os leitores em geral de modo que percebam quais foram as lutas inspiradoras travadas pelo autor.

Na Escola Especial Nº 1, o livro A perseverança será assimilado pelos professores que ouvem e lêem. Depois, caberá a eles traduzir o sentido dos textos poéticos aos alunos na língua de sinais moçambicana. Não podendo ler, os cegos podem ouvir os poemas através do áudio-livro. A convicção da Trita Zero Nove é clara: o teor dos poemas de Raymond Antrobus tanto é pertinente para as crianças surdas quanto para os pais, que poderão compreender melhor os seus próprios filhos. Quer isto dizer que, com a oferta dos livros, a Trinta Zero Nove pretende consciencializar os leitores em relação aos obstáculos de pessoas surdas. Formar crianças a partir da literatura, para que possam ser membros relevantes da sociedade, escrevendo ou não livros, é uma prioridade. “O que nós queremos é granjear novos leitores, com inclusão, de modo que possam ampliar a sua cultura geral”.

Além de A perseverança, de Raymond Antrobus, no Dia da Língua de Sinais Moçambicana a Trinta Zero Nove também ofereceu à Escola Especial Nº 1, à Associação de Cegos e Amblíobes de Moçambique (ACAMO) e à Escola Gwaza Muthini os livros Eu não tenho medo, romance de Niccolò Ammaniti, e No oco do mundo (colectânea de contos).

O pacote filantrópico da editora Trinta Zero Nove foi subscrito pela empresa de marketing digital, Digital Inspiration ( Dig It), representada nas acções de doação de livros pelo Director-Geral, Eric Vidal.

Raymond Antrobus

O poeta traduzido em primeira-mão pela Trinta Zero Nove é filho de mãe inglesa e pai jamaicano. Nasceu em Hackney, Londres, e foi um dos primeiros mestrados em Ensino de Língua Falada da Universidade Londrina Goldsmiths. É membro fundador do Fórum de Poetas da Keats House. Em 2008, recebeu o Prémio Geoffrey Dearmer da Sociedade Poética. Com A perseverança, ano passado, venceu o Prémio de Jovem Poeta do ano do Sunday Times.

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