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Tribunal inicia audição dos declarantes do caso ataques em Cabo Delgado

Audição dos declarantes do caso ataques armados em Cabo Delgado, iniciou esta quinta feira, e foi ouvido apenas um dos doze declarantes arroladas no processo 32/2018, que não compareceram ao julgamento por razões desconhecidas.

Trata-se de um membro da Polícia da República de Moçambique, que escapou à morte durante o assalto ao comando distrital de Mocimboa da Praia, ocorrido por volta das zero horas do dia 5 de Outubro de 2017.

A testemunha, disse que não conseguiu identificar os assaltantes, mas segundo contou ao Tribunal, tudo começou quando dois homens vestidos à civil, entraram no edifício a discutir com uma terceira pessoa, que era acusada de ter roubado em casa dos supostos queixosos.

No princípio, parecia uma discussão normal, no entanto, pouco depois, de acordo com a declarante, ouviram-se sons de catanas e gritos dos dois agentes de permanência que atenderam o grupo.

Na tentativa de perceber o que de facto estava acontecer, a sobrevivente, que estava a dormir fora do edifício, onde aguardava ordens para uma missão de patrulha pela vila, aproximou se da confusão, mas porque os colegas já haviam sido dominados pelo grupo, ela foi obrigada a fugir e escondeu-se numa bomba de combustível mesmo ao lado do comando da polícia.

Depois de algum tempo, segundo contou a testemunha, quando o local ficou em silêncio, e tudo parecia ter voltado a normalidade, a agente tentou voltar ao comando, mas foi recebida com tiroteios supostamente de outros membros do grupo que vigiavam o edifício do lado de fora, enquanto os outros arrombavam o armazém e roubavam armas de fogo.

Incapaz de reagir a situação, uma vez que para além de estar sozinha, tinha apenas um cacetete, a declarante voltou a fugir, mas desta vez, foi atingida com uma bala no pé, tendo se arrastado para uma casa vizinha, onde pediu socorro ao dono, que não deu ajudar, simplesmente limitou se a fechar a porta, deixando ela ferida no quintal.

A testemunha, que já não se lembra muito bem o que terá acontecido depois de ser atingida no pé, disse que só se apercebeu de que se tratava de um assalto a vila, já no hospital, quando começou a ver outros feridos que iam dando entrada quase ao nascer do sol.

Durante a audição, o Juiz do caso mostrou-se preocupado com o estado psicológico da declarante, que no final da audição acabou deitando lágrimas por supostamente ter se recordado do fatídico dia, em que escapou à morte.

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