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Tribunal agenda audição de mais quatro pessoas sobre arresto de bens das “dívidas ocultas”

Foto: O País

O Juiz Efigénio Baptista entende que é indispensável a audição de Imran Issa e Bilal Sidat, gestores da empresa Anlaba, dos Serviços Secretos, e dois cidadãos que terão comprado imóveis da referida empresa. A ideia é esclarecer dúvidas sobre bens que supostamente são da propriedade de Gregório Leão. 

O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo volta, no dia 25 de Abril, a discutir sobre a providência cautelar de arresto preventivo de bens, pedida pelo Ministério Público, no caso das dívidas ocultas. Ontem, depois de ouvir os últimos quatro, dos 11 réus arrolados para a colecta das suas declarações, Efigénio Baptista, o Juiz que conduz o caso, acho por bem arrolar mais quatro nomes que podem ajudar a esclarecer o “emarranhado”.

São eles Imran Issa e Billal Sidat, dois gestores da empresa Anlaba, que Gregório Leão descreveu quarta-feira como um veículo operativo dos serviços secretos moçambicanos.

A Anlaba, segundo o Ministério Público, vendeu imóveis a dois cidadãos, alegadamente representantes de Gregório Leão. Na quarta-feira, o antigo director-geral do Serviço de Informação e Segurança do Estado negou perante o Tribunal que seja sócio da empresa, quanto menos que tenha imóveis registados em nome daquela companhia.

A ideia de Efigénio Baptista é dissipar dúvidas em torno dos bens que a procuradoria imputada a Leão, antes de decidir se cancela ou decide pela manutenção do arresto preventivo de bens.

 

NDAMBI GUEBUZA VOLTA A ACUSAR MP DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

Em mais um dia de sessão para confirmar quem são, verdadeiramente, os bens que o Ministério Público solicitou seu arresto, o Juiz questionou a Armando Ndambi Guebuza se é ou não dono de um imóvel situado na Avenida Julius Nyerere. Mas ele recusou: “o imóvel não é meu e nem está em meu nome”, respondeu o filho do antigo Presidente da República, que contudo, não conseguiu manter a mesma serenidade da primeira resposta quando foi questionado pelo Tribunal sobre uma cota de cinco por cento, que alegadamente detêm, na empresa Focus 21, da família Guebuza.

A resposta veio em tom de insistência na ideia de que há perseguição política: “agora querem ir à Focus 21, empresa do meu pai, que ele constituiu ainda nos anos 90. Querem tirar cinco por cento, isto é, praticamente para acabar com o velho Guebuza”, afirmou.

Fabião Mabunda, empreiteiro da família Leão viu arrestado um imóvel situado no bairro de Magoanine, na Cidade de Maputo. Como a maioria dos réus também negou ser dono dela. “não reconheço, não conheço este imóvel mas há um endereço onde residí, diferente da residência nas imagens”.

Postura diferente teve Cipriano Mutota, antigo director de Estudos do SISE, que assumiu a titularidade de três imóveis e até afirmou que por iniciativa própria entregou documentação de prova ao Ministério Público. “Esse imóvel é meu, confirmo. Construí na década de 90 e tenho uma segunda casa, ambas no bairro do Jardim. Outro é um terreno onde construí vedação”, afirmou.

Zulficar Ahmad também assumiu a titularidade e explicou que a casa arrestada pelo Tribunal, a pedido do Ministério Público, resulta de uma doação que o seu irmão fez.

Em discussão estão mais de 60 imóveis e 50 parcelas de terra pertencentes  a 11 dos 19 réus do processo das dívidas ocultas.

 

ADVOGADOS CRITICAM PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Advogados no caso das dívidas ocultas criticaram ontem o Ministério Público por ter mandado arrestar bens que não foram comprados com dinheiro do calote, incluindo o facto de a procuradoria ter tentado comprovar a titularidade de imóveis com base em contratos de energia.

Na resposta, o Ministério Público insistiu que a busca de prova não se pode prender a títulos de propriedade, num cenário em que muita gente não regista as suas casas, por isso também pediu que os bens dos quatro réus ouvidos sejam mantidos arrestados.

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