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Trabalho infantil coloca em causa saúde de crianças

O trabalho infantil continua a reinar em alguns mercados da capital do país. O jornal “O País” visitou alguns, onde crianças vendem produtos diversos diante de todos os riscos impostos pela pandemia da Covid-19. Outras vão aos mercados para se divertir.

É um local, por natureza, de aglomerações. Nos mercados da Cidade de Maputo, vende-se quase todo tipo de produtos.

Os que não podem ir lá sozinhos são levados ao colo pelos próprios pais. Em suma, há muitas crianças nos mercados da Cidade de Maputo expostas à Covid-19. Inocentes, os petizes brincam sem mínima noção do risco.

Lina Claudina, aos 13 anos de idade, tem de conciliar a escola e o trabalho. A menor vive com os avós e, dia após dia, faz-se ao mercado logo cedo para vender água como forma de ajudar a colocar comida na mesa da casa onde vive.

“Frequento o mercado para obter dinheiro e ajudar nas contas de casa. Não consigo concentrar-me na escola, porque tenho de me dedicar também à venda para poder ter o que comer, se a minha família tivesse condições mínimas de vida não faria este trabalho”, disse Lina, vendedeira no mercado Xipamanine.

Este e outros pensamentos levam alguns petizes aos locais de risco de contaminação pela COVID-19, enquanto outros dão uma mãozinha aos encarregados apesar de ser contra a sua vontade.

“Estou aqui a ajudar o meu pai a vender. Preferia estar noutro lugar, na escola, porque lá posso aprender muita coisa enquanto aqui corro o risco de apanhar o Coronavírus”, lamentou Abibe Simeão

Contra todos os riscos, algumas crianças fazem-se aos mercados somente em busca de diversão e outras recebem ordens para fazer compras.

“Foi-me mandado para comprar chinelos pela minha tia. Em casa, não estava mais ninguém para mandar”, informou Cayane Sérgio.

De acordo com o gestor do mercado do Fajardo, na Cidade de Maputo, as autoridades têm levado a cabo algumas acções para evitar que crianças estejam nestes locais considerados de alto risco de infecção pela Covid-19.

“Esta situação constitui um grande problema, porque vemos crianças e nós, como administradores, mandamos sempre os menores para casa para evitar que essa prática vire moda e, de igual forma, proteger os seres inocentes da COVID-19”, explicou Efraime Manhique, gestor do mercado Fajardo.

São desafios que devem ser combatidos por todos, razão pela qual, Manhique pede a colaboração de todos.

“Esta é uma orientação da edilidade da capital aos gestores dos mercados e ignorada por muitos. Os mercados têm sido um local de trabalho infantil, parque de diversões e onde muitas crianças passam maior parte de tempo durante o dia”, concluiu.

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