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Trabalhadores e polícia confrontam-se na capital do país

Cerca de 130 trabalhadores do Hotel Cardoso, na cidade de Maputo, manifestaram-se esta quarta-feira, exigindo a reposição de direitos laborais que consideram terem sido infrigidos pelo patronato. O grupo, que se envolveu em  confrontos com a Polícia, disse que os contratos foram suspensos e não recebe salários desde Julho, por isso, exige reintegração. O hotel encerrou as portas, desde Abril.

A cidadã Nazira trabalha no Hotel Cardoso há 23 anos, no sector da contabilidade. Na tentativa de exigir a reposição dos direitos que acha transgredidos, ela envolveu-se em confrontos com a polícia porque esta não permitia que ela e os colegas permanecessem nas proximidades da unidade hoteleira, onde decorria a manifestação com vista a mostra indignação de toda massa laboral.

A senhora indignou-se com a atitude do agente da lei e ordem, ao ser agarrada pela blusa.

As autoridades policiais, por sua vez, insistia que a concentração dos trabalhadores era ilegal, mesmos tendo havido exibição de documento  submetidos às autoridades a comunicar  a realização da manifestação pacífica.

A agitação continuou e a Polícia da República de Moçambique (PRM) não desistia de tentar deter alguns trabalhadores.

Os trabalhadores contaram que desde Julho passado não têm salário. Quando se decretou o Estado de Emergência eles receberam 75% do salário. No mês seguinte auferiram 50% e, por fim, 25%. Depois disso, os contratos foram suspensos.

O secretário do comitê sindical dos trabalhadores do Hotel Cardoso disse que o patronato está a fugir das suas responsabilidades. “Estamos a exigir os nossos direitos que não estão a ser respeitados. Queremos ser reintegrados, queremos receber os nossos salários na totalidade”.

Num outro desenvolvimento, a fonte disse patronato de todas as rondas negociais não foi claro ao responder as nossas reivindicações. Sabemos que o hotel continua a realizar eventos, este fim-de-semana houve eventos aqui, temos as fotografias. Nos estamos em casa sem receber e com a família a desintegrar-se e o patrão não nos diz nada. Estamos a exigir os nossos direitos, queremos ser e respeitados”.

O assunto é do conhecimento do Centro de Mediação e Arbitragem Laboral (COMAL). A responsável da entidade, Edma Vilaça, explicou que a entidade patronal que detém o Hotel Cardoso decidiu pela suspensão dos contratos até o dia 31 de Março de 2021.

Assim, espera-se pela melhoria das condições do mercado, com a eventual diminuição da propagação do novo Coronavírus.

Edma Vilaça mostrou-se surpreendida com a manifestação havida na manha desta quarta-feira. Segundo ela, os trabalhadores decidiram levar o caso ao tribunal. Mas garante que sempre que se justificar o COMAL estará disponível para intervir de acordo com o que está estabelecido na legislação laboral vigente no país.

Desde o primeiro Estado de Emergência em Moçambique, o Hotel Cardoso mantém-se encerrado. Não foi possível “O País” ouvir a versão dos gestores da estância hoteleira sobre o assunto, uma vez que não se encontravam no local.

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