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“Tomámos Mocímboa da Praia, mas não é o fim”, defendem comentadores

Analistas dizem que a recuperação de Mocímboa da Praia representa um alívio, mas não se pode “cantar a vitória”, porque ainda há muito trabalho a ser feito no teatro das operações militares em Cabo Delgado.

Foram três os comentadores que discorreram sobre o terrorismo em Cabo Delgado, nomeadamente, Fernando Lima, Samuel Simango e Moisés Mabunda, tendo o ponto de debate a recente conquista da força conjunta de Moçambique e Ruanda.

Para Moisés Mabunda, a recuperação de Mocímboa da Praia representa uma grande esperança e uma direcção certa à restauração da normalidade da vida naquela região.

Segundo o comentador, não se deve cantar vitória por se tratar de um combate que poderá levar mais tempo para chegar ao seu fim.

“Há que haver alguma prudência na formulação, mas não resta dúvida de que é um momento inspirador, que nos diz que as coisas podem evoluir para situações desejadas. (…) Isso pode ter um efeito dominó, podemos conquistar aquelas posições e os terroristas espalharem-se e começarem a atacar”, alertou Moisés Mabunda.

Por sua vez, Fernando Lima disse que a conquista daquela região “mostra que o exército do Ruanda conseguiu, em quatro semanas, aquilo que Moçambique não o fez em um ano, uma vez que a retirada das forças moçambicanas de Mocímboa da Praia aconteceu exactamente há um ano, a 12 de Agosto de 2020”.

Lima enaltece a decisão do país de ter pedido a ajuda de forças externas. “Foi importante Moçambique ter pedido ajuda às forças internacionais. As do Ruanda, por exemplo, já estão a mostrar serviços nesta zona importante que envolve Palma, um pouco de Nangade, e Mocímboa da Praia”, explicou.

O comentador foi mais a fundo ao afirmar que a recuperação de Mocímboa da Praia significa cortar o potencial abastecimento logístico da organização terrorista, uma vez que a vila é capital distrital, tem um aeródromo, uma pista de aviação e um porto.

moçambicanas e estrangeiras possam “tomar” ar a partir da pista de Mocímboa da Praia.

Por sua vez, Samuel Simango apelou ao Ministério da Defesa Nacional a partilhar informações com o público, não sendo necessariamente as forças estrangeiras presentes no terreno, tal como aconteceu com Ruanda que foi o país que deu a informação de abate de terroristas.

“Outro alívio foi ter visto alguém autorizado das Forças de Defesa e Segurança (FDS) a falar da retoma de Mocímboa da Praia, uma vez que antes recebíamos informações afins a partir das tropas ruandesas.”

Simango defende já haver possibilidade de encontrar as caras dos líderes do grupo terrorista para dialogar.

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