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Tocadores de agora tributam Orlando da Conceição e ECA

Orlando da Conceição caminhou até ao palco vagarosamente. Com o peso da idade às costas, o saxofonista e professor de Música subiu alguns degraus e, em alguns minutos, colocou-se no centro dos holofotes, onde esperaram por ele António Prista, Hortêncio Langa, Joel Libombo e Calane da Silva, a velha guarda do grupo TP50. A razão disso no meio de um espectáculo? Simples…

Na passada sexta-feira, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, cidade de Maputo, além de um tributo à música moçambicana em geral, no caso aquela feita desde a independência a esta parte, num concerto designado “Os tocadores de agora”, TP50 quis, em particular, reconhecer o trabalho de duas entidades que muito contribuem para o desenvolvimento da arte nacional através da formação de artistas. Primeiro foi Orlando da Conceição, a quem devem “eterna gratidão” autores como Moreira Chonguiça, Ivan Mazuze ou o outro Orlando, o Venhereque.

No palco, meio encabulado, Da Conceição agradeceu pelo reconhecimento, tendo ouvido, de seguida, aplausos de um público que se colocou de pé enquanto o saxofonista esteve no palco, de onde saiu com um galardão simbólico oferecido pelo TP50.  

Pela mesma razão que Orlando da Conceição, a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) também foi homenageada pelo TP50. Das mãos de António Prista, recebeu o galardão da ECA o professor de Teatro daquela instituição, Dadivo José, que igualmente é actor. E quando se pensava que não haveria mais nada de honras, lá mais para o fim, TP50 teceu elogios ao homem da “Baila Maria”. Já sem o fulgor de outros tempos, que a velhice consegue pausar muito o ritmo da vida, Chico António fez um dueto com Cheny Wa Gune, sempre ao som ao vivo do resto da banda TP50.  

44 anos de música num espectáculo
Há alguns meses, TP50 apresentou a reposição do tributo à música moçambicana num espectáculo denominado “No tempo dos tocadores”. Nessa viagem, o grupo percorreu o século passado, recuperando as primeiras ou então as mais badaladas manifestações musicais no país. Na sexta-feira, o grupo continuou o seu projecto de tributar a música, desta vez, de 1975 até esta parte.

À imagem dos dois concertos anteriores, a missão de contextualizar as tendências musicais nacionais coube a Horácio Guiamba, que, a partir de uma abordagem teatral, animou e informou os telespectadores. Quer isto dizer que TP50, novamente, não só apostou em música. Ao Franco-Moçambicano, também levou muita dança e poesia dita por Calane da Silva. Na primeira aparição, o poeta recitou “As saborosas tangerinas de Inhambane”, de José Craveirinha, e, na segunda, um poema da sua autoria.

Seja como for, a música foi o principal. Com toques de timbila e exaltação a Eduardo Durão, TP50 iniciou o espectáculo, destacando os feitos dos Ghorwane, dos Alambique e do falecido Jeremias Ngoenha. Mesmo a condizer com os tempos actuais, ouviu-se no franco o tão popular “La famba bicha”, uma sátira aos “candongueiros”, esses que sempre se julgam no direito de se colocar à frente dos outros na fila só porque podem pagar mais.

Costa Neto, Wazimbo, Mingas, Grupo RM, José Mucavel, Djakas, Ali Faque, Moreira Chonguiça e Jimmy Dludlu são outros autores cujas músicas foram cantadas ou tocadas por TP50. E houve mais. Contra todas expectativas, eventualmente, o grupo também interpretou, com originalidade, “Ta se numa nice”, da Bang Entretenimento. “Pandza in the building”! Aquela música adicionou o tom muitas vezes hilariante ao concerto.

Alguns nomes do espectáculo
Jorge Mbie é antigo participante da segunda edição do Mozkids Talents. Quando o concurso infantil da Stv terminou, o violinista já não precisou de provar a ninguém que sabe tocar o seu instrumento predileto. Mas uma coisa é destacar-se num programa em que uma criança concorre com outras crianças e outra é, como aconteceu, um menino de 11 anos de idade deixar toda gente estupefacta no Franco-Moçambicano. Mbie tocou enquanto cantaram Xixel Langa e Onésia Muholove. Estes são os outros dois nomes a reter do espectáculo. A primeira pela performance em geral, a segunda por ter interpretado a um nível soberbo o que TP50 considerou “Momento lírico”. Onésia foi brutal e a Sala Grande reconheceu-lhe o talento do canto.

Por fim, e não os menos ou mais importantes, Bruno Huca e Texito Langa. Houve sensação de que cantar ou tocar bateria são coisas fáceis.

 

 

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