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Terrorismo e ataques no centro atrasam alcance da paz

O terrorismo na zona norte e os ataques atribuídos à Junta Militar da Renamo, em Manica e Sofala, são os principais entraves para o alcance da paz efectiva no país, segundo Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação. A governante diz que os guerrilheiros da Renamo devem aderir ao processo do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), para que não haja distração na luta contra os terroristas em Cabo Delgado, o verdadeiro inimigo da pátria.

Estas declarações foram feitas esta segunda-feira, na Praça dos Heróis Moçambicanos, durante as celebrações do 29º aniversário do Acordo Geral de Paz, assinado a 4 de Outubro de 1992, entre o Governo moçambicano e a Renamo, pondo, desta forma, fim a 16 anos de guerra civil.

Chamada a reagir, Verónica Macamo referiu que as frequentes desestabilizações internas distraem o país na luta contra o verdadeiro inimigo que é o terrorismo, que, pela sua estrutura, constitui uma preocupação mundial.

Para isso, a governante apela aos guerrilheiros da Renamo para que saiam das matas e adiram ao DDR.

“Que todos os guerrilheiros da Renamo adiram ao DDR, para que o país esteja em paz e quiçá concentrarmos os nossos esforços para enfrentar, com mais bravura, força e dinamismo, colocando toda a nossa capacidade para derrubar aqueles que querem destruir o nosso país”, declarou Verónica Macamo.

Passados 29 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz, os moçambicanos continuam a clamar por uma paz efectiva e duradoura, bem como o fim da violência armada.

E para eliminar estas barreiras, é preciso que as partes respeitem os acordos assinados para a pacificação do país, considera Isac Chande, provedor de Justiça.

“Para nós, o 4 de Outubro deve servir para reflexão, porque queremos que este país tenha, de facto, paz, para que as pessoas possam viver em harmonia para ir a machamba, ao trabalho e para que as crianças possam ter acesso à escola e sonhar com um futuro risonho”.

Isac Chande disse ainda que “com os avanços das Forças de Defesa e Segurança, creio que nos será restabelecida a paz efectiva, uma condição para o desenvolvimento do nosso país”.

Por seu turno, o edil de Maputo aponta o diálogo como a principal ferramenta para cimentar a paz efectiva no país.

“O dia de hoje é para ser usado para consolidarmos a paz e, para isso, é preciso diálogo entre todas as partes, para que, na zona centro, também se alcance a estabilidade e que, na zona norte, se avance, no sentido de se desmantelar o terrorismo, que tem vindo a criar grande detestabilidade na vida económica e social dos moçambicanos”, referiu Comiche.

José Domingos, secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique, diz que a paz efectiva depende da honestidade dos negociadores e o cumprimento dos acordos na íntegra, por isso aconselha que “para resolver o problema dos conflitos no país, é preciso que se negoceie com fé e coração honesto. Só assim teremos uma verdadeira paz. Enquanto continuarmos a fazer o oposto do que acordamos, não teremos jamais uma paz verdadeira e efectiva”.

Para o bispo Anglicano, Dom Carlos Matsinhe, a paz deve começar do interior de cada moçambicano.

“Nós esperamos que, com a ajuda de Deus, com todo o trabalho que está a ser feito, tanto por parte do Governo, bem como dos diversos actores no processo, possa um dia alcançar a paz perfeita no nosso país. Devemos continuar a trabalhar e a promover a paz, a partir da família, a partir de nós próprios, ou seja, em todos os cantos, os moçambicanos são chamados a construir a paz, pois só em paz é que poderemos desenvolver o nosso país”, apelou.

O Acordo Geral de Paz foi assinado em Roma, a 4 de Outubro de 1992, pelo antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e pelo então líder da Renamo, Afonso Dhlakama, pondo fim a 16 anos de guerra, que deixou o país em ruínas, em diferentes áreas.

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