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Teodoro Waty diz que Estado não tem estratégia para travar raptos

Foto: dnoticias.pt

“O Estado moçambicano que eu conheço, se tivesse estratégia para o combate aos raptos, teria já estancado”. Com estas palavras, o jurista Teodoro Waty desqualifica o trabalho feito pela instituição dirigida por Beatriz Buchili, dizendo mesmo que as pessoas desconfiam mais das autoridades da justiça que dos raptores ou seus mandantes.

Teodoro Waty não teve papas na língua para criticar o informe da Procuradora-Geral da República, apresentado na última semana, na Assembleia da República. O jurista e antigo deputado afirma que Beatriz Buchili aponta erros em quase todas as instituições para justificar os seus fracassos. Diz que os raptos, que aconteceram na semana que a PGR foi prestar informe ao Parlamento, revelam a exibição dos criminosos de maior capacidade que o Estado.

“Por que as pessoas que estiveram a sofrer por alguns meses, por algumas semanas, em cativeiro, não estão dispostas a colaborar com o Ministério Público, com a Polícia ou com o próprio SISE (Serviço de Informação e Segurança do Estado)? Provavelmente porque desconfiem destas entidades mais do que os próprios raptores”, disse Waty, para quem a informação de conhecimento público sobre as outras matérias é o que Buchili levou ao Parlamento.

Tal é o caso do conhecido e crónico problema de sobrelotação das cadeias. E mais, para os acidentes de viação, Buchili apontou o dedo à má formação dos condutores e a péssima qualidade das vias de acesso. O jurista questiona o que faz a PGR para corrigir estas lacunas, num contexto em que um dos maiores desafios no sector de estradas é a qualidade, que, vezes sem conta, deixa a desejar.

“Nenhuma escola, que eu saiba, foi investigada ou processada pelos facilitismos que parecem existir, da mesma maneira que nenhuma investigação é conduzida para verificar como é que as obras foram mal feitas para a degradação precoce.”

Teodoro Waty diz ainda que o informe da Procuradora-Geral da República contém informação irrelevante para os deputados. O jurista acrescenta que Buchili levou tempo a queixar-se da falta de edifícios e a explicar como é organizada a procuradoria, quando os deputados conhecem muito bem a lei e sabem como deve ser a organização do Ministério Público.

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