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Telinho rejeita grandes do país a pensar na Inglaterra

Stélio Marcelino Ernesto, mais conhecido por Telinho.

Tudo começou quando tinha 13 ou 14 anos, não se lembra exactamente. Não jogava futebol porque tinha medo da bola. Mas seus amigos da escola o convidavam tanto para com eles jogar, mas ele nunca aceitava, até que certo dia foram à sua casa pedir a mãe que o convencesse a ir jogar. Nesse dia decidiu aceitar o convite dos amigos. Quando passou para a Escola Secundaría Zedequias Manganhela, começou a levar mais a sério a prática da modalidade e participou de vários torneios, até culminar no BEBEC (torneio infanto-juvenil). Devido as excelentes exibições no torneio BEBEC, recebeu um convite para integrar a equipa do Maxaquene, mas o então treinador da extinta Liga Muçulmana de Maputo, Sérgio Faife, se adiantou e integrou Telinho na sua equipa.

Em 2006, foi quando tudo iniciou, Telinho é chamado por Faife para fazer parte da Liga Muçulmana de Maputo, mesmo sem ter passado da iniciação. Em 2007, o talentoso jogador já era chamado a fazer parte da equipa de seniores. Daí começou a dedicar-se ao futebol e conta que percebeu que tinha boas apresentações. De 2007 até o primeiro semestre de 2008 jogou na Liga, depois foi emprestado ao Ferroviário de Pemba até a época 2009. Regressou novamente a Liga, por seis meses. A seguir, foi emprestado ao Ferroviário de Nacala. Em 2010 volta a estar nos relvados dos “locomotivas” de Pemba e ganha o troféu de jogador revelação. Depois desse feito, a Liga chama-o de volta à casa.

Depois do regresso a Liga, Telinho teve outras passagens, pelo estrangeiro, nomeadamente Portugal e África do Sul.

Veja a conversa na íntegra:

O que terá falhado para não conseguir atingir a meta dos 25 golos que tinha prometido?

Acho que foi um deslize da minha parte pois houve um tempo que baixei de forma. Os jogos que não fiz por causa de lesões e alguns castigos que recebi e impediram-me de jogar, são os principais factores que atrapalharam os meus planos.

Quais são perspectivas para a temporada futebolística 2018?

De princípio, o meu objectivo para a próxima época futebolística é defender o troféu de melhor marcador do Campeonato. Por isso, em 2018, tenho que entrar com o pé direito para conseguir atingir a meta. Portanto, o primeiro passo é entrar para atacar a meta de 25 golos.

Quais são os seus sonhos em relação à carreira de atleta?

Bem, eu gostaria de voltar para o campeonato sul-africano. Aprecio muito a competitividade entre os clubes e os atletas, acho que aumenta a qualidade do jogador. É possível que a qualquer momento receba uma chamada e rume para uma equipa do campeonato sul-africano, porque o meu empresário tem feito contactos para o efeito. Contudo, estou aberto a outras oportunidades que aparecerem. Mas que esteja claro que até agora pertenço à Liga Desportiva de Maputo.

É notório que nos últimos jogos da selecção tem feito parte das convocatórias do seleccionador nacional, Abel Xavier. Como se sente ao ser confiado pelo seleccionador nacional?

Todos nós jogadores passamos por bons momentos e momentos de baixo rendimento. O mister Xavier conhece as qualidades dos jogadores moçambicanos e sabe o quanto todos nós temos valor. Ele foi vendo o meu percurso. Por outro lado, fui-me esforçando e por essa razão faço parte dos escolhidos para defender a camisola dos Mambas. É dignificante e é com muito orgulho que visto a camisola da selecção nacional. Trabalhei muito no clube e tive, também, o apoio dos colegas e dos nossos técnicos.

Gostaria de fazer parte dos clubes nacionais que disputam provas continentais?

Já recebi convite de todos os clubes grandes do país, mas onde estou, ou seja, na Liga, sinto-me muito bem. Só para ter uma ideia, sou o mais antigo da equipa, Nasci lá e fui formado naquele clube. Tenho cerca de 17 anos na Liga. Mas tem mais: os outros clubes me dão propostas que estão ao nível daquilo que o meu clube já me oferece.

Telinho tem passagens pelo campeonato português e sul-africano. Qual deles foi do seu maior agrado e porquê?

A primeira vez que saí do país, joguei pelo clube Associação Naval 1º de Maio, de Portugal, durante seis meses, em 2012 (mesmo ano em que marcou o único golo da partida que fez com que a extinta Liga Muçulmana de Maputo conquistasse a Taça de Moçambique). No ano seguinte, fui para o Ajax Cape Town da África do Sul, onde fiz uma época entre 2013 e 2014. No fim da época 2014, voltei a Portugal, através da porta do Nacional da Madeira, onde fiquei apenas dois meses. Depois dessas experiências concluo que o campeonato sul-africano me agrada mais, e os motivos são os que mencionei no início da entrevista… a competitividade entre os jogadores e a forma como o campeonato em si decorre.

Em que campeonato sonha jogar?

Meu sonho é de um dia poder disputar o campeonato inglês.

Com a saída do treinador Daúde Razak e a entrada de Akil Marcelino para o posto de treinador principal da Liga Desportiva de Maputo, como está o ambiente no balneário da equipa?

O grupo de trabalho continua unido, não destruímos a união criada na altura do mister Daúde. Mas digo que a saída dele não foi fácil para nós, pois já tínhamos ele como pai e já nos conhecia, então tivemos que nos adaptar muito, até porque cada um tem a sua metodologia de treino, de abordar os jogos… Tivemos que lutar para nos enquadrarmos.

Eu sempre tive boas relações com os treinadores que passaram pelo clube. Talvez por ser um atleta que gosta de ouvir. Quando tenho uma dúvida aproximo e pergunto, por isso as minhas relações sempre foram boas.

 

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