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Tanucha e Tamara: crónica do fim de um “ciclo” no Kutxabank

As internacionais basquetebolistas moçambicanas Leia Dongue e Tamara Seda não vão continuar no Kutxabank Araski, clube da Liga Endesa com o qual tiveram uma ligação de uma e três temporadas, respectivamente. O sonho proibido do Kutxabanki? O clube até queria mantê-las, mas há questões desportivas e financeiras que não jogam a seu favor!

Chegou no Verão passado, qual furacão, e deixou bem patente que não tem talento para ser mais uma jogadora. Ou melhor, não tem talento para ser uma actriz secundária na quadra. Os “targets” são um claro indicativo de mais um capítulo de sucesso no basquetebol profissional na Europa.

Em 30 jogos na temporada 2021-2022 (média de 27 minutos/partida), arrancou médias de 14.5 pontos, 6.4 ressaltos e 2.1 assistência por jogo, mostrando, desta forma, que nunca teve particular interesse em não dar o seu melhor em zonas interiores.

Parte da “alma” do Kutxabank Araski, Leia “Tanucha” Dongue foi três vezes indicada como MVP (jogadora mais valiosa) da 7ª (diante do Tenerife), 8ª (frente ao IDK) e 25ª jornadas (diante do Lolitenk Gernika Bizkaia).

A sua entrada em cena no Kutxabank Araski foi sempre marcada por actuações consistentes, que, diga-se, a colocam como a 10ª melhor marcadora da Liga Endesa com 435 pontos e 7ª da equipa com a qual terminou o seu “casamento”.

Consistente, Leia Dongue atingiu, em Março passado, a marca dos 1000 pontos na Liga Endesa, depois de contabilizar 21 no duelo em que o Kutxabanki Araski perdeu diante do IDK Euskotren (67-75).

“O clube agradece a Leia Dongue por sua luta diária, dedicação e empenho durante esta temporada. Muito obrigado, Leia”, agradece o Kutxabaki Araski no seu site.

Agradece, outrossim, Made Urieta, “coach” do conjunto vitoriano que ganhou uma referência a nível de pontuação com boa capacidade de jogar de cara e costas para o cesto. Se continua ou não na Espanha, isso não se sabe. Sabe-se, e os registos lá estão, o basquetebol espanhol já esteve a seus pés!

O seu percurso é imaculado, aliás, porquanto no ano de estreia o título de campeã da LF2 ao serviço do Al-Qazers na temporada 2015-2016.

Havia que abraçar outros desafios. O seu potencial exigia que desse outro salto. A segunda paragem foi no Gernika, na temporada 2017-2018, na qual evoluiu na Liga Dia.

A consagração no outro escalão, e era de se esperar, veio na temporada 2018-2019 quando se sagrou campeã Spart Citylift Girona na Liga Dia.

Vem de longe, Tanucha, daí que, no seu percurso sempre marcado por entrega e dedicação, brilhou no Nantes Rezé da França na temporada 2020-2021, obtendo a média de 13, 3 pontos e 6.1 ressaltos/jogo.

Tanucha conta, ainda, com passagem pelo Cegledi EKK na Liga Húngara, na qual, em sete jogos, apresentou estatísticas impressionantes – 15,4 pontos e  6,6 ressaltos por jogo. Em seis jogos na Euroliga feminina, Leia Dongue teve os seguintes targets: 15.7 pontos e 5,8 ressaltos/jogo.

Segue o mesmo caminho, ou seja, não irá renovar com o Kutxabank Araski a poste e compatriota Tamara Seda!

É o ponto de final de uma ligação de três anos com o 12º classificado da Liga Endesa, iniciada em 2019, vinda dos EUA com o currículo de ter tido, em 2018, o oitavo melhor registo na NCAA – da Division One – com médias de 14.9 pontos e 9.3 ressaltos/jogo.

Não foi preciso esperar muito tempo para que se tornasse uma jogadora influente no jogo do Kutxabaki Araski.

Histórico, Tamara Seda é a quarta jogadora com mais aparições (82 jogos) na quadra no clube com o qual termina, agora, o seu contrato depois de Laura Pardo, Izaskun García e Cristina Molinuevo.

Marcante, Seda foi, por diversas vezes, indicada como MVP – melhor jogadora da jornada – da Liga Endesa com valoração a variar entre 13 a 17 pontos.

Com uma intensidade física e mental muito diferente, a valorosa poste moçambicana encerrou a época 2021-2022 com 214 pontos (média de 7,6 por jogo), 172 ressaltos dos quais 116 defensivos e 56 ofensivos (média de 6,1 /jogo) 15 roubos de bola e 63 “turnovers” em 28 jogos (685:07 minutos na quadra, uma média de 24:28/jogo).

Mas há mais que se diga dos seus dados estatísticos: concretizou 94/199 lançamentos de campo (47,2%), 25 em 33 na linha de lances livres (75,8% de aproveitamento) e 1 em 4 nos tiros exteriores que não são o seu forte (25%).

A última temporada no clube vitoriano foi ainda marcada por acumulação de 76 faltas pessoais (2,7 por jogo) e oito desarmes de lançamento (0, 3).

“Comprometimento, luta e luta sob o aro caracterizaram o jogo de Tamara Seda durante essas três temporadas no Kutxabank Araski. Desde o clube, desejamos-lhe boa sorte no seu futuro pessoal e profissional. Muito obrigado”, agradece o clube.

 

KATARINA TAMBÉM ABANDONA O CLUBE

Depois de ter falhado o apuramento aos “play-offs”, o Kutxabank Araski vai perder algumas atletas nesta temporada. Para além de Tamara Seda e Leia Dongue, o 12º classificado da Liga Endesa já não vai contar com os préstimos da sérvia Katarina Zez.

A basquetebolista deixa a equipa orientada por Made Urieta após defender a camisa verde no ano passado. Zec defendeu as cores de Araski num total de 30 jogos, obtendo uma média de 7,2 pontos e 2,5 ressaltos por jogo. “O Araski agradece a Katarina Zec pelo envolvimento e profissionalismo durante a temporada em que vestiu a camisa do clube. Além disso, desejamos-lhe boa sorte no seu futuro pessoal e profissional”, escreve o Kutxabank Araski no seu site oficial.

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