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Tamara Seda: “Grande parte do que sou devo ao basquetebol”

Fotos: Kutxabanki Araski

De Nacala para o Mundo. Carlos Tomo teve, tem e continuará certamente a ter um olhar de lince para identificar talentos. Mau grado se ter afastado do basquetebol, movido, decerto, pela sua coerência e intolerância a “traições” e jogos de bastidores. Tomo descobriu Tamara Adelaide José Camacho Seda, desviada do voleibol para o basquetebol.

Deu-lhe o guião para fintar, na capital, toda uma tentação do movimento frenético e focar-se no basquetebol e estudos. Tamara Seda teve uma evolução constante, o espaço interno ficou pequeno para tanto potencial. Atravessou o Atlântico. Fixou-se no Texas, precisamente no Seward County Community College (Lady Saints). Brilhou e, porque havia que dar o salto, rumou para o UTEP Miners, onde na última época apresentou médias de 14.9 pontos, oitava melhor marca da “Conference USA” da “National “Collegiate Athletic Association”- NCAA- “Division One”, e 9.3 ressaltos por jogo. Dominadora nas tabelas, Seda evidenciou-se com 13 duplo-duplos.

Tamara Seda não tem complicómetro. Pelo que as portas do basquetebol profissional estavam abertas. Assim, aos 24 anos, assinou pelo CD Zamarat da Espanha, tornando-se na terceira basquetebolista moçambicana a evoluir na Liga Endesa, depois da emblemática Clarisse “Manucha” Eulália Machanguana (Barcelona) e Leia “Tanucha” Bastião Dongue (Gernika Bizkaia,  Spart Citylift Girona e Kutxabanki Araski).

A cumprir a sua terceira temporada na Liga Endesa, e segunda no Kutxabanki Araski, Tamara Seda é uma das jogadoras influentes da equipa, tendo, de resto, sido nomeada pelas colegas como MVP na última temporada.

Com médias de 9.8 pontos, 7.3 ressaltos e uma valoração de 11.7%, Seda foi em várias jornadas da fase regular da Liga Endesa indicada MVP.

Melhor ressaltadora dos “Afrobasket’s” 2019, em Dakar, Senegal, com 57 ressaltos (média de 11.4 ressaltos /jogo), e 2021, em Yaoundé, nos Camarões (52 ressaltos), Seda é uma das jogadoras mais influentes do Kutxabanki Araski. Em entrevista ao sítio do Kutxabanki Araski, a “rookie” no “Afrobasket” 2017, em Bamako, Mali, fala da prestação desta temporada e perspectiva o ano de 2022.

Foi protagonista da primeira entrevista do ano de 2021 e, agora, da última. Há um ano, seu desejo era “que o mundo voltasse ao normal”. Quais são os seus desejos para 2022?

Ah sim? Não havia me dado conta. Como é o último, só peço que fechemos bem o ano, com saúde e alegria e que 2022 seja bem melhor.

Nos últimos jogos, faltou o “DNA” do RPK Araski que sempre caracterizou a equipa. O que está a acontecer? É algo mental? É algo físico?

Físico, eu não diria que é. Ao contrário dos anos anteriores, acho que esta é a equipa mais forte fisicamente do que as outras.. Sim, é verdade que quando as coisas não correm bem, ficamos um pouco confusos tentando encontrar soluções. Até agora, não temos sido consistentes com o “DNA” que nos identifica, mas ainda temos uma longa temporada pela frente.

E, neste fim-de-semana, Baxi Ferrol chega em um dia muito emocionante para a família do RPK Araski. A vitória não pode escapar…

É um jogo muito importante para nós, não só para a qualificação, mas também para os nossos adeptos que continuam a vir ao Mendi para nos apoiar, Já faz muito tempo que não fazemos bons jogos em casa. Vamos dar tudo para torná-lo um grande presente de Natal. E para as meninas também, claro, no final elas seguem nosso exemplo.

O que o basquetebol significa para Tamara Seda, ou seja, o desenvolvimento como pessoa?

Grande parte de quem eu sou e de como evoluí como pessoa devo ao basquetebol. Sim, é verdade que meus avós me educaram muito bem (risos), mas o desporto acrescenta coisas como ter paixão por fazer alguma coisa, competir por tudo e com todos, pensar nos outros e não apenas nas minhas acções (o que se faz afecta todos) e, em geral, muito conhecimento. Tudo o que faço no desporto, aplico na vida.

Entregamo-lhe uma varinha mágica para que possa viajar para qualquer cidade ou país do mundo. Qual seria o seu destino turístico e porquê?

Eu tenho muitos países e cidades na lista, e é muito difícil escolher apenas um. Mas, neste momento, eu escolheria Moçambique e a pequena cidade do Chimoio, onde está o meu pai, simplesmente porque não o vejo há 4 anos.

E agora imagine que você pudesse ter uma reunião e tomar um café com uma celebridade, com quem você beberia?

OMG!  Quanto puder, primeiro com a varinha mágica e agora uma celebridade (risos). Novamente, é difícil escolher, mas acho que tomaria um café com Warren Buffett, para me ensinar como investir e tomar melhores decisões financeiras (não que as minhas sejam).

Vamos terminar com um gostinho na boca. Sabemos que você gosta muito de cozinhar. Pode dar-nos a receita do prato que mais gosta de preparar?

Ufff!  É que eu cozinho de tudo e a maioria sai sem receita porque uso os ingredientes que estão na cozinha. Mas, quando estou no modo “influenciador digital”, vou ao supermercado e compro até ervas para enfeitar para deixar o prato bonito e coloco no Instagram. Não vou deixar receitas, mas conto para vocês o segredo mais simples de todos os meus pratos, que é amassar o alho junto com o sal.

 

TAMARA E TANUCHA ENCERRAM ANO CIVIL DIA 28

As internacionais basquetebolistas moçambicanas Tamara Seda e Leia “Tanucha” Dongue encerram, terça-feira, 28de Dezembro, o ano civil quando o Kutxabank Araski medir forças com o Durán Maquinaria Ensino, em jogo da 14ª jornada da fase regular da Liga Endesa.

À entrada desta ronda, o conjunto de Leia Dongue e Tamara Seda ocupa a 11ª posição com 17 pontos, resultantes de cinco vitórias e sete derrotas. O cesto-average é de 724 pontos marcados e 831 sofridos. Já o seu adversário está dois degraus abaixo, ou seja, ocupa a 13° lugar com o mesmo número de pontos, sendo que o seu saldo é de quatro vitórias e nove derrotas.

Nos últimos jogos na Liga Endesa, o Kutxabanki Araski não foi feliz. Pois é! Perdeu, na 11ª jornada, com o Movistar Estudiantes por 93-57, em desafio realizado a 5 de Dezembro no “Polideportivo Mendizorrotza”.

Leia Dongue contabilizou, nesta partida, 12 pontos e quatro ressaltos em 25 minutos na quadra. Já Tamara Seda terminou o jogo com 4 pontos e nove ressaltos, dos quais cinco ofensivos e quatro defensivos em 21 minutos na quadra.

Na ronda seguinte, nova derrota desta feita frente ao Casademont Zaragoza por 75-61. Em 18 minutos na quadra, Tanucha contabilizou 10 pontos e cinco ressaltos, dos quais três ofensivos e dois defensivos. Tamara também fez 18 minutos, contabilizando cinco ressaltos, dos quais quatro defensivos e um ofensivo. O duelo da 13ª jornada, diante do Baxi Ferrol, no  “Mendi”,  foi adiado “sine die”.

Depois de um período menos bom, quatro jogos muito maus em que a equipa não conseguiu competir e foi fisicamente superada pelos rivais, o Kutxabanki Araski quer fazer melhor.

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