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Subida da taxa MIMO cria barreiras na economia nacional

Foto: O País

O economista Muktar Carimo afirmou que o grande problema para a subida da taxa de juro de referência é a fórmula de cálculo da prime rate. Já o bancário Miguel Jóia defendeu que a medida impede que o sector produtivo seja mais competitivo face a outros mercados.

A semana foi dominada pelo aumento da taxa de juro de referência no mercado interbancário (taxa MIMO), levado a cabo pelo Banco de Moçambique, em dois pontos-base. Os números passaram de 13.25 para 15.25%.

Refira-se que o país iniciou o ano 2020 com a taxa MIMO centrada nos 12.75% e terminou com 10.25%. Já em Janeiro de 2021, o número agravou para os 13.25%, que se manteve o ano inteiro.

Para o economista Muktar Carimo, existe, neste momento, pouco espaço de manobra, para reduzir o actual nível da taxa de juro de referência no mercado interbancário, tida como elevada por vários intervenientes, com destaque para os empresários que actuam no mercado nacional.

“Há factores que não dependem de nós e do Banco de Moçambique. Há factos exógenos que dificilmente se conseguem mexer. Ninguém poderia dizer à COVID-19 para parar de infectar, não podemos controlar a guerra. Para podermos ter uma taxa de juros beneficiada, temos que ter alguma certeza e estabilidade a nível do país”, afirmou Carimo.

O governador do banco central, Rogério Zandamela, explicou que, com a medida, se pretende manter o controlo da inflação para permitir um processo gradual de transição para taxas de juro de um dígito, menos de 10%, num contexto de retoma do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de execução de projectos de gás natural.

E sobre este posicionamento, Carimo não discordou e acrescentou que a falta do apoio ao Orçamento do Estado, nos últimos seis meses, contribuiu significativamente para a subida da taxa visada.

“São sinais que ajudariam o país e o próprio Banco de Moçambique para olharem as coisas de forma diferente. Significa que está a valer a pena investir em Moçambique. A extracção de gás, que vai acontecer, pode ser um factor preponderante para que as taxas possam baixar daqui a algum tempo. Percebo que o banco central está a tentar precaver-se, porque, se olharmos para outros cantos do mundo, os aumentos não foram assim tão elevados, mas acredito que isso terá um impacto positivo na economia do nosso país. Muitos aumentaram na ordem dos 0.25%”, salientou o economista.

Carimo refere que o grande problema para a subida da taxa de juro é a fórmula de cálculo da prime rate.

“Hoje, se o prime estivesse em 10% e eu tivesse um financiamento numa instituição de crédito já contratada com a prime de 18%, teria uma redução automática de 8%”, explicou.

Por seu turno, o bancário Miguel Jóia disse que os dois pontos-bases acrescentados na taxa MIMO cria uma estabilidade maior na economia nacional, mas impede que o sector produtivo possa ser mais competitivo face a outros mercados, tendo em conta que o país está ainda em vias de desenvolvimento.

“O Governo tem os seus problemas, desde a crise das dívidas ocultas, os causados pela COVID-19 até à instabilidade interna provocado pelo terrorismo. Este feito causa uma retração no sector privado e a inflação pode, efectivamente, ter o resultado que o Banco de Moçambique espera alcançar”, defendeu Jóia.

O bancário acrescentou que Moçambique deveria ter ficado mais na expectativa de saber o que iria acontecer ao longo do tempo.

“Nós estamos num sector do combustível, no qual grandes exportadores se propuseram para repor a produção dos combustíveis a nível mundial. Tivemos sinais, também, que o mercado quer ultrapassar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Acho que houve uma pressa por parte do banco central”, frisou o bancário.

Os intervenientes falavam, esta quinta-feira, no programa “O País Económico” da STV e STV Notícias.

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