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Sónia Sultuane chega ao Brasil na carona da Roda das encarnações

Sónia Sultuane já havia publicado Roda das encarnações no país. O que faltava era conquistar outras latitudes com a colectânea de poemas. Do Brasil surgiu a oportunidade, através da Kapulana, de a autora moçambicana publicar uma poesia que “passa pelo feminismo, tradições africanas, principalmente as de Moçambique, maternidade, assim como pelo universo sensorial e místico”, avança uma nota da editora brasileira, acrescentando: “Seus versos transportam o leitor por um universo sensorial e místico, com movimentos harmoniosos, no tempo e no espaço, muitas vezes em diálogo com a dicotomia vida e morte”.

Além de apresentar o seu livro ao público brasileiro, Sónia Sultuane realizou mesas de conversas e sessões de autógrafos em eventos nas cidades de São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

Na cidade de São Paulo, Sónia Sultuane participou, no dia 12 deste mês, numa conversa inserida na “IV Feira Literária da Zona Sul” (Felizs), na Biblioteca Marcos Rey, em Campo Limpo, bairro da capital paulistana, com o professor e escritor José de Nicola e com o poeta angolano Ermi Panzo. A conversa teve como tema “Literatura Africana de Língua Portuguesa – Das heranças aos processos identitário de resistência”. Durante a conversa, Sónia contou sobre o seu processo criativo na literatura e nas artes plásticas, inclusive em relação à construção de seus poemas, dizendo, à certa altura: “a palavra, para mim, tem muito poder. Ela está sempre em trânsito, principalmente aqui no Brasil, onde pude trazer as linguagens que produzo no meu país, tendo sempre que buscar uma nova interpretação da linguagem”. E Sultuane ainda referiu-se das vantagens da arte no processo de tornar as pessoas mais ricas intelectualmente. “Sou mulher e sou da África e, destas formas, quero, de alguma maneira, escrever poemas de como enxergo o mundo”, disse a autora moçambicana.

No dia 13, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), localizada no interior de São Paulo, Sultuane realizou uma roda de conversa com alunos do curso de Letras, sob a mediação da mestranda Jéssica Fabrícia da Silva. O evento contou com o apoio do Grupo de Estudos de Literaturas e Culturas Africanas (GELCA), do IEL-Unicamp. Sónia falou sobre as suas motivações na escrita de Roda das Encarnações: “Eu tive um câncer e poderia ser que eu não tivesse mais a possibilidade de escrever outro livro, queria terminar o Roda das encarnações pelas pessoas que eu amo e que me apoiaram. O amor se dá genuinamente sem estar à espera de nada e o Roda foi o meu acto de amor”.

Durante a sua fala, Sónia comentou sobre a interlocução com as artes plásticas e poesias: “Minha poesia vem muito do abstrato, como o cheiro, sabor e o olhar. A poesia e as artes plásticas têm lugares em diversas outras formas, principalmente em transmitirmos a nossa evolução artística para as pessoas”.

De volta à capital paulista, Sónia Sultuane esteve presente, dia 14, na palestra com os alunos da Universidade da São Paulo (USP). O evento, com coordenação de Tania Macêdo e Rita Chaves, contou com apoio do Centro de Estudos Africanos (CEA) e do Centro de Estudos das Literaturas e Culturas de Língua Portuguesa (CELP), da FFLCH-USP, e teve a moderação da pesquisadora de doutorado Jacqueline Kaczorowski. A poeta conversou sobre Literatura e o começo de sua escrita: “Fiquei grávida muito cedo, aos treze anos, e, como forma de comunhão, comecei a escrever, de modo a compartilhar os meus sentimentos”.

Sónia também falou sobre seu projecto artístico, “Walking Words”, em que se veste com uma roupa confeccionada com diversas palavras, tendo como intuito caminhar pelas ruas do país a compartilhar as variadas maneiras que a linguagem fornece: “Este projecto é essencial para tornar as palavras em algo físico, que se sente, para que elas não se diluem”.

No sábado, 15, Sónia fez parte da programação da “V Festa Literomusical” (FLIM) do Parque Vicentina Aranha, na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo. A mesa literária com o tema “Por dentro dos gêneros” contou com as participações de Sónia Sultuane, da poeta e editora Jarid Arraes e da cantora e compositora Ellen Oléria, sob a moderação da apresentadora do programa Metrópolis, da TV Cultura, Adriana Couto.

No Rio de Janeiro, Sónia participou de palestras e debates sobre a cultura moçambicana, nos dias 18 e 19, com alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e realizou sessão de autógrafos de seu livro. O evento, intitulado “África & Brasil – trânsitos culturais: literatura, cinema e educação”, foi organizado por Cármen Lucia Tindó Secco, profesora de Literaturas Africanas na UFRJ.

Durante sua participação, Sónia falou com professores, estudantes e outros pesquisadores, sobre a sua produção poética, literatura infantil e o cinema moçambicano.

 

 

      

 

 

 

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