O País – A verdade como notícia

Sonhar num mar de incertezas

Fotos: FIBA-África

Quarta melhor selecção de África e mundialista em 2014 (Turquia), Moçambique corre – habitué cá no burgo – contra o relógio para ter uma participação condigna no “Afrobasket” 2021, prova a realizar-se de 16 a 27 de Setembro, em Yaoundé, Camarões.  Nigéria, bicampeã africana, será o primeiro adversário de Moçambique, pelo que nesta edição do “O País” apresentamos o seu trajecto.

Quarta melhor selecção de África e mundialista em 2014 (Turquia), Moçambique corre – habitué cá no burgo – contra o relógio para ter uma participação condigna no “Afrobasket” 2021, prova a realizar-se de 16 a 27 de Setembro, em Yaoundé, Camarões.  Nigéria, bicampeã africana, será o primeiro adversário de Moçambique, pelo que nesta edição do “O País” apresentamos o seu trajecto.

Há uma distância muito grande que separa o potencial, talento e qualidade de um naipe de atletas que colocou África a seus pés do quadro organizativo interno. Pudera, questões organizativas e condições de trabalho oferecidas constituem o parente pobre do desporto moçambicano, no geral, e basquetebol, em particular.  O anúncio há dias da desistência de Moçambique do “Afrobasket” 2021 e “volte face”… 24 horas depois representam um grande revés para um conjunto que tem dignificado o país em competições internacionais e com historial em África.

Senão vejamos:  com a chamada geração de ouro, ou melhor, atletas de elite, Moçambique conquistou em 1991 a medalha de ouro nos então Jogos Panafricanos (hoje Jogos Africanos) no Cairo, numa equipa liderada por Luis Cezerilo.

Há ainda registo de medalhas de prata conquistadas em 1986, no ex-Zaire, 2003, em Maputo, e 2013, novamente na capita do país!  A selecção nacional de basquetebol sénior feminino conta, igualmente, com três medalhas de bronze nesta competição continental: 1990, na Tunísia, 1993, no Senegal, e 2005, na Nigéria.

Nos Jogos da Lusofonia de Goa, em 2014, Moçambique conquistou a medalha de ouro após vencer Angola, por 73-49. Ponto alto foi mesmo a inédita presença no Mundial da Turquia, em 2014, prova na qual deixou boas indicações. Mesmo com este percurso brilhante, o processo de preparação para competições internacionais tem sido marcado por inúmeras dificuldades, algumas até básicas.

Este ano não foi diferente. O número de unidades de treinos programadas por Nasir “Nelito” Salé, seleccionador nacional, não foram tão pouco cumpridas.

Como resultado, e mesmo que grosso das atletas já tenha trabalhado consigo e conheça sua mitologia, a selecção nacional de basquetebol irá apresentar-se no Complexo Multidesportivo de Yaoundé em desvantagem gritante em relação a Nigéria e Angola, seus adversários no chamado grupo da morte.

De resto, quando se olha para Nigéria, a questão inevitável é se as “D’Tigress” irão se tornar na primeira selecção a conquistar três “Afrobasket’s” consecutivos desde que o Senegal conseguiu a façanha entre 1974 a 1984.

Na altura, o Senegal, actual vice-campeão africano, açambarcou seis anéis consecutivos em África.

Apesar da liga nacional de basquetebol feminina da Nigéria produzir atletas com enorme potencial, nenhuma delas foi integrada no conjunto que recentemente disputou dos Jogos Olímpicos de Tóquio- 2020.

De longe a melhor equipa de África da actualidade, a Nigéria teve uma participação aceitável nas olimpíadas de Verão, perdendo com os EUA (81-72), França (87-62) e Japão (102-83).

Décima sexta classificada no “ranking” mundial e número 1 em África, de acordo com a actualização de Agosto deste ano, a Nigéria somou cinco vitórias em igual número de jogos no último “Afrobasket”, em Dakar, Senegal.

Sustenta todo o seu potencia o facto de ter disputado duas vezes os Jogos Olímpicos, sendo que a primeira aparição foi em 2004, em Atenas, Grécia.

À custa, claro, de Moçambique a quem venceu na final do “Afrobasket” 2013 por 68-62, num jogo electrizante realizado no pavilhão do Maxaquene.  Mfon Udoka e companhia levaram a melhor sobre a armada nacional comandada por Deolinda Ngulela, MVP da prova.

Há ainda a destacar o Mundial de basquetebol disputado em 2006, em São Paulo, no Brasil.

Os registos da FIBA-Africa indicam que a primeira aparição no “Afrobasket” foi em 1974, em Tunis, Tunísia, terminando a prova em quinto. Seguiu-se o Campeonato Africano do Senegal, em 1981, quedando-se em sétimo. Dezasseis anos depois, veio o terceiro lugar. E a caminhada para o sucesso estava por vir…

As nigerianas entraram com tudo no “Afrobasket” de 2003, em Maputo, conquistando a sua primeira medalha de ouro. Dois anos depois, em Abuja, as ” D’ Tigress” revalidaram o título de campeãs africanas de basquetebol sénior feminino.

Consistente, a Nigéria registou um grande crescimento nos “Afrobasket’s” por força da qualidade das suas atletas, havendo a registar o 5º lugar, em 2007, no Senegal, mesma posição alcançada em Madagáscar, em 2009, 4º lugar em 2011, no Mali. Em 2013, em Moçambique, teve uma fraca prestação quedando-se no 6º lugar.

Com um naipe de atletas de grande nível, na sua maioria a evoluir na Europa e EUA, as nigerianas apresentam, hoje por hoje, nomes sonantes como Ezinne Kalu, Adaora Elonu, Victoria Macaulay e Evelyn Akhator.

No Torneio Pré-Olímpico, na Sérvia, a Nigéria derrotou Moçambique (85-51), assegurando a qualificação às olimpíadas de verão no Japão.

 

MOLDES DE DISPUTA DA PROVA

Quarta classificada no “Afrobasket” 2019, em Dakar, Senegal, Moçambique assegurou o apuramento directo para a edição deste ano, em Setembro, nos Camarões.

De acordo com o regulamento da prova, os primeiros classificados dos quatro grupos do “Afrobasket” 2021 transitam para os quartos-de-final da prova, enquanto os conjuntos que ocuparem o segundo e terceiro lugares disputam o apuramento para esta fase a eliminar.

Os vencedores dos quartos-de-final apuram-se para às “meias”, enquanto as formações que caírem nesta fase medem forças nas classificativas do 5.º aos 8.º lugares.

A final do “Afrobasket” 2021 e o jogo de atribuição do terceiro lugar realizam-se no dia 26 de Setembro.

 

CAMPEONATO DA CIDADE DEPOIS DO “AFROBASKET”

Está confirmado! O Campeonato da Cidade de Maputo de Basquetebol será disputado depois do “Afrobasket”, sendo que a prova irá movimentar seis equipas, nomeadamente Desportivo de Maputo, Clube Desportivo da Lázio, Costa do Sol, A Politécnica, Maxaquene e Ferroviário de Maputo.

O modelo de competição será de todos contra todos em 3 voltas, com “play offs” a melhor de 3 jogos.  Na primeira jornada, Lázio Basket bate-se com Desportivo Maputo, enquanto o Costa do Sol mede forças com Maxaquene. Já a A Politécnica terá pela frente o Ferroviário de Maputo.

A Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo refere, em comunicado, ter enviado ao Instituto Nacional de Saúde, junto a Direcção da Cidade deMaputo, um oficio para que todos os atletas em ambos os sexos, sejam testados com testes PCR ou testes rápidos seguindo o protocolo sanitário, para ser submetido à Comissão de Monitoria de Implementação das medidas para a contenção da propagação da COVID-19 no Desporto.

Fotos: FIBA-África

Há uma distância muito grande que separa o potencial, talento e qualidade de um naipe de atletas que colocou África a seus pés do quadro organizativo interno. Pudera, questões organizativas e condições de trabalho oferecidas constituem o parente pobre do desporto moçambicano, no geral, e basquetebol, em particular.  O anúncio há dias da desistência de Moçambique do “Afrobasket” 2021 e “volte face”… 24 horas depois representam um grande revés para um conjunto que tem dignificado o país em competições internacionais e com historial em África.

Senão vejamos:  com a chamada geração de ouro, ou melhor, atletas de elite, Moçambique conquistou em 1991 a medalha de ouro nos então Jogos Panafricanos (hoje Jogos Africanos) no Cairo, numa equipa liderada por Luis Cezerilo.

Há ainda registo de medalhas de prata conquistadas em 1986, no ex-Zaire, 2003, em Maputo, e 2013, novamente na capita do país!  A selecção nacional de basquetebol sénior feminino conta, igualmente, com três medalhas de bronze nesta competição continental: 1990, na Tunísia, 1993, no Senegal, e 2005, na Nigéria.

Nos Jogos da Lusofonia de Goa, em 2014, Moçambique conquistou a medalha de ouro após vencer Angola, por 73-49. Ponto alto foi mesmo a inédita presença no Mundial da Turquia, em 2014, prova na qual deixou boas indicações. Mesmo com este percurso brilhante, o processo de preparação para competições internacionais tem sido marcado por inúmeras dificuldades, algumas até básicas.

Este ano não foi diferente. O número de unidades de treinos programadas por Nasir “Nelito” Salé, seleccionador nacional, não foram tão pouco cumpridas.

Como resultado, e mesmo que grosso das atletas já tenha trabalhado consigo e conheça sua mitologia, a selecção nacional de basquetebol irá apresentar-se no Complexo Multidesportivo de Yaoundé em desvantagem gritante em relação a Nigéria e Angola, seus adversários no chamado grupo da morte.

De resto, quando se olha para Nigéria, a questão inevitável é se as “D’Tigress” irão se tornar na primeira selecção a conquistar três “Afrobasket’s” consecutivos desde que o Senegal conseguiu a façanha entre 1974 a 1984.

Na altura, o Senegal, actual vice-campeão africano, açambarcou seis anéis consecutivos em África.

Apesar da liga nacional de basquetebol feminina da Nigéria produzir atletas com enorme potencial, nenhuma delas foi integrada no conjunto que recentemente disputou dos Jogos Olímpicos de Tóquio- 2020.

De longe a melhor equipa de África da actualidade, a Nigéria teve uma participação aceitável nas olimpíadas de Verão, perdendo com os EUA (81-72), França (87-62) e Japão (102-83).

Décima sexta classificada no “ranking” mundial e número 1 em África, de acordo com a actualização de Agosto deste ano, a Nigéria somou cinco vitórias em igual número de jogos no último “Afrobasket”, em Dakar, Senegal.

Sustenta todo o seu potencia o facto de ter disputado duas vezes os Jogos Olímpicos, sendo que a primeira aparição foi em 2004, em Atenas, Grécia.

À custa, claro, de Moçambique a quem venceu na final do “Afrobasket” 2013 por 68-62, num jogo electrizante realizado no pavilhão do Maxaquene.  Mfon Udoka e companhia levaram a melhor sobre a armada nacional comandada por Deolinda Ngulela, MVP da prova.

Há ainda a destacar o Mundial de basquetebol disputado em 2006, em São Paulo, no Brasil.

Os registos da FIBA-Africa indicam que a primeira aparição no “Afrobasket” foi em 1974, em Tunis, Tunísia, terminando a prova em quinto. Seguiu-se o Campeonato Africano do Senegal, em 1981, quedando-se em sétimo. Dezasseis anos depois, veio o terceiro lugar. E a caminhada para o sucesso estava por vir…

As nigerianas entraram com tudo no “Afrobasket” de 2003, em Maputo, conquistando a sua primeira medalha de ouro. Dois anos depois, em Abuja, as ” D’ Tigress” revalidaram o título de campeãs africanas de basquetebol sénior feminino.

Consistente, a Nigéria registou um grande crescimento nos “Afrobasket’s” por força da qualidade das suas atletas, havendo a registar o 5º lugar, em 2007, no Senegal, mesma posição alcançada em Madagáscar, em 2009, 4º lugar em 2011, no Mali. Em 2013, em Moçambique, teve uma fraca prestação quedando-se no 6º lugar.

Com um naipe de atletas de grande nível, na sua maioria a evoluir na Europa e EUA, as nigerianas apresentam, hoje por hoje, nomes sonantes como Ezinne Kalu, Adaora Elonu, Victoria Macaulay e Evelyn Akhator.

No Torneio Pré-Olímpico, na Sérvia, a Nigéria derrotou Moçambique (85-51), assegurando a qualificação às olimpíadas de verão no Japão.

 

MOLDES DE DISPUTA DA PROVA

Quarta classificada no “Afrobasket” 2019, em Dakar, Senegal, Moçambique assegurou o apuramento directo para a edição deste ano, em Setembro, nos Camarões.

De acordo com o regulamento da prova, os primeiros classificados dos quatro grupos do “Afrobasket” 2021 transitam para os quartos-de-final da prova, enquanto os conjuntos que ocuparem o segundo e terceiro lugares disputam o apuramento para esta fase a eliminar.

Os vencedores dos quartos-de-final apuram-se para às “meias”, enquanto as formações que caírem nesta fase medem forças nas classificativas do 5.º aos 8.º lugares.

A final do “Afrobasket” 2021 e o jogo de atribuição do terceiro lugar realizam-se no dia 26 de Setembro.

 

CAMPEONATO DA CIDADE DEPOIS DO “AFROBASKET”

Está confirmado! O Campeonato da Cidade de Maputo de Basquetebol será disputado depois do “Afrobasket”, sendo que a prova irá movimentar seis equipas, nomeadamente Desportivo de Maputo, Clube Desportivo da Lázio, Costa do Sol, A Politécnica, Maxaquene e Ferroviário de Maputo.

O modelo de competição será de todos contra todos em 3 voltas, com “play offs” a melhor de 3 jogos.  Na primeira jornada, Lázio Basket bate-se com Desportivo Maputo, enquanto o Costa do Sol mede forças com Maxaquene. Já a A Politécnica terá pela frente o Ferroviário de Maputo.

A Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo refere, em comunicado, ter enviado ao Instituto Nacional de Saúde, junto a Direcção da Cidade deMaputo, um oficio para que todos os atletas em ambos os sexos, sejam testados com testes PCR ou testes rápidos seguindo o protocolo sanitário, para ser submetido à Comissão de Monitoria de Implementação das medidas para a contenção da propagação da COVID-19 no Desporto.

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