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Somente 5% da população adulta moçambicana tem seguro

De uma população de oito milhões e quatrocentos moçambicanos activos, somente 5.1% é usuária de um serviço formal de seguro. Esta percentagem é considerada baixa. Para aumentar o número de moçambicanos usuários dos serviços de seguro, o ISSM quer que a população de baixa renda adira aos serviços. O mico-crédito é visto como a alternativa viável para este seguimento populacional, mas apenas 0,3 por cento da população está coberta por este tipo de seguro.

Uma pesquisa independente revela que até 2014, apenas 14 por cento da população adulta moçambicana tinha noção do significado do termo seguro e a sua importância. Estatísticas recentes indicam que o país possui cerca de 24 milhões de habitantes, dos quais cerca de oito milhões e quatrocentos estão em idade activa.

Da população activa, somente cerca de 7.7 por cento tem algum tipo de seguro, deste número, 5.1 por cento está coberto de algum tipo de seguro em uma instituição formal. Os restantes estão segurados informalmente, principalmente em associações de apoio em caso de funeral com destaque para grupos religiosos e contas-família. Estes dados foram, ontem, revelados pelo Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM) num workshop, por eles organizado, sobre micro-seguros no país.

Por reconhecer que esta percentagem é reduzida, o ISSM organizou o workshop para debater formas de incluir este seguimento no sistema de seguros.

 “O principal objectivo deste workshop é a reflexão conjunta sobre as medidas que devem ser usadas para ajudar a aumentar a provisão acelerada e mais abrangente do seguro no que respeita à população de baixa renda e micro-empreendedores”, disse Otília Santos, Presidente do Concelho de Administração do ISSM.

O micro-crédito é tido como a alternativa mais viável para este seguimento da população, por ser mais acessível. Embora se conheça o potencial deste grupo para as micro-seguradoras, apenas 0,3 por cento da população está coberta por este tipo de seguro. Em Moçambique, apenas uma micro-seguradora opera no país e somente quatro seguradoras, tradicionais, estão autorizadas para explorar o ramo.

João Jangaia, da Associação Moçambicana de Seguradoras, considera que o micro-seguro pode quebrar o ciclo de pobreza e os riscos de perda de rendimentos que as pessoas pobres estão sujeitas.

“As pessoas de baixa renda vivem em ambientes repletos de riscos e são mais vulneráveis aos perigos, às doenças, à morte acidental e à invalidez. Pobreza e vulnerabilidade reforçam-se numa espiral descendente. O micro-seguro pode quebrar a espiral descendente e pode significar a redução dos danos em caso de sinistro. As perdas imprevisíveis antes do micro-seguro, podem transformar-se em pagamentos, que reduzirão o impacto negativo do sinistro”, afirmou João Jangaia.

Jangaia chama atenção para o facto de o micro-seguro não ser determinante para a eliminação da pobreza, mas sim contribuir para a sua redução. “O micro-seguro em si não elimina a pobreza, mas, em associação com outros instrumentos, pode trazer uma valiosa contribuição para a redução da pobreza”, explicou representante da associação.

A utilização de seguros faz com que as populações tenham conhecimento sobre o sistema financeiro. A inclusão financeira, por sua vez, cria condições para que a sociedade tenha confiança no sistema financeiro e na melhoria das condições de vida.

O ISSM está a desenvolver campanhas de educação financeira nas escolas secundárias. Esta acção tem em vista educar os estudantes sobre questões financeiras para que no futuro o grupo possa aderir aos sistemas formais de seguro. O ISSM também acredita que quando se educa um jovem/adolescente este pode ensinar os seus familiares e os amigos, engrossando o número de usuários de seguros.

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