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“Soldado da paz paga dívida” no Franco-Moçambicano

Já não “deve” nada ao público que, depois de pagar pelo ingresso, encheu a Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, sexta-feira à noite. Vestido de operário, o “Soldado da paz” (um dos seus temas mais recentes), subiu ao palco logo a cantar um dos grandes sons do álbum Cubaliwa: “Calaste”, uma autêntica antítese, pois nem Azagaia calou-se e tão-pouco os que foram ao Franco para viver intensamente o espectáculo “Só dever”. Na verdade, aquela música foi uma espécie de boas-vindas para mais uma aparição do rapper que cantou como quem faz uma retrospectiva do país e das suas gentes.

Flashback. “Só dever” iniciou 30 minutos depois da hora prevista, afinal até à hora do show as pessoas não paravam de entrar na Sala Grande, como que eufóricos. Quando os ponteiros do relógio assinalaram 21 horas, primeiro, Os Cortadores de Lenha (Texito Langa, na bateria; Sacre, guitarra; Mauro, piano; e Nandele (DJ).

Nos coros estiveram Amélia e Kaluza Banda, ex-concorrente do Desafio Total da Stv) agitaram as emoções do auditório que até aí acreditou que seria possível ver o show de Azagaia sentado. “Bando de distraídos”. Levantaram-se e em geral puseram desde o primeiro minuto que o rapper pisou o palco até ao fim de duas horas, tempo integral do espectáculo que contou com a presença de Gina Pepa como convidada. Com uma das grandes referências do Hip Hop moçambicano, Azagaia cantou a música “Só dever”, logo se percebe, igualmente título do concerto.

Além das músicas mais recentes, Azagaia também interpretou os seus temas mais badalados: “As mentiras da verdade”, “A marcha”, “A minha geração”, “Vampiros”, “Maçonaria”, “Na embosca”, “Cão de raça” e, claro, o inevitável “Povo no poder”.

Logo a seguir a este tema, o espectáculo já estava feito, mas isso só na cabeça de Azagaia e, eventualmente, nas d’Os Cortadores de Lenha. Para a maioria do público, que se recusou a deixar a sala, por querer mais uma música, a “dívida” de Azagaia tinha de ser paga com jurus. E antes que os bastidores fossem assaltados e o rapper segurado pelos colarinhos e obrigado a cantar mais um tema, o rapper cedeu ao povo a que pertence. Fez o que lhe foi pedido e fechou como começou, com “Calaste”, mas sem se calar.

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