O País – A verdade como notícia

INAM prevê dia de chuva

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca a fria, céu nublado, ocorrência de chuvas fracas a fortes e vento em algumas capitais provinciais

INAM prevê dia de chuva

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca a fria, céu nublado, ocorrência de chuvas fracas a fortes e vento em algumas capitais provinciais

O Conselho Municipal da Beira reiterou, hoje, que a tarifa do transporte semi-colectivo de passageiros, vulgo “chapa-100”, não será reajustada até ao fim deste mês e que já manteve um encontro com a associação dos transportadores para discutir este assunto.

A garantia foi dada pela Vereação dos Transportes do Conselho Municipal da Beira, que afirmou ainda que já manteve um encontro com os operadores dos “chapas” na Beira, por forma a encontrar as melhores plataformas para a alteração da tarifa sem prejudicar os munícipes.

“O documento da proposta para a alteração da tarifa, submetido à autarquia, será debatido ainda hoje, e, de seguida, vamos remetê-lo à Assembleia Municipal. Acreditamos que a questão do aumento da tarifa dos transportes na Beira merecerá uma atenção especial por parte da Assembleia Municipal, facto que irá contribuir para que a data para a realização da sessão extraordinária seja marcada brevemente. A maioria dos munícipes enfrenta grandes dificuldades financeiras e, por esta razão, não podemos alterar, de ânimo leve, a tarifa sem dialogar com eles primeiro”, defendeu Flora Impula, vereadora para a área dos Transportes no Conselho Autárquico da Beira.

Refira-se que a Associação dos Transportadores da Beira (ATABE) tinha anunciado, na semana passada, de forma unilateral, o aumento da tarifa dos transportes por mais cinco Meticais em cada 10 quilómetros, socorrendo-se aos aumentos galopantes dos preços de combustíveis e custo de manutenção, tendo em conta que o último reajuste das tarifas foi em 2018.

“O aumento da tarifa no próximo dia 30 deste mês não irá acontecer, pois, tal como disse anteriormente, a proposta da ATAB ainda não foi debatida ao nível da Assembleia Municipal”, avançou.

A ATABE, que manteve, esta segunda-feira, um longo encontro com os associados, garantiu que irá pronunciar-se oportunamente sobre este assunto.

Famílias ressentem-se, outra vez, do drama das inundações, na capital do país, em resultado da chuva que caiu entre o último sábado e esta segunda-feira. Velhos problemas relacionados ao deficiente saneamento do meio vieram à tona, para o desespero de várias famílias.

Sempre que chove, na Cidade de Maputo, o dilema das inundações repete-se. Ruas e casas inundadas e tráfego condicionado, esse é o cenário que caracteriza bairros como Maxaquene, Hulene, Chamanculo e Ferroviário, devido ao deficiente escoamento das águas pluviais.

Nesses bairros, as famílias pernoitam de pé ou sobre as mesas. Alguns bens são destruídos pela água e, algumas vezes, arrastados para algures.

Teresa Uate vive no bairro Maxaquene há mais de 20 anos. A sua casa foi completamente inundada. Agastada com a situação, diz que não tem aonde ir, senão permanecer no local.

“Estamos a sofrer. Esta água é da chuva da semana passada”, disse a entrevistada, sublinhando que, com a chuva que caiu entre sábado e esta segunda-feira, o drama se agravou. “Assim que choveu novamente, [a água] acumulou-se. No interior da casa, está tudo molhado, nem casa de banho temos”, lamentou Teresa.

Os moradores daquele bairro explicam que as inundações pioraram após a inauguração, em meados de 2021, de uma bacia de retenção de água, que, ao que tudo indica, não foi bem construída.

Com os pés descalços e a água acima do joelho, Domingos Chimbeve pede intervenção urgente das autoridades competentes.

De acordo com a fonte, antes da construção da referida bacia de retenção de água, os moradores não se queixavam do martírio a que estão sujeitos sempre que chove. Em todas as casas, “ninguém dorme”.

No bairro Hulene, a fúria das águas não poupou os estabelecimentos comerciais nas redondezas. Claudina Laura é uma das proprietárias e conta que, nos dias que correm, o seu negócio não rende. “Ultimamente, está tudo parado. Ninguém sai de casa para comprar algo” na sua loja, “por causa da água. A única coisa que posso fazer é utilizar a minha vassoura para tentar diminui-la”.

A situação preocupa também a família Langa, que diz não dispor de botas para atravessar o rio que se formou com a última chuva, o que traz receios em relação à saúde, porque sempre que há água acumulada, o risco de adoecer é maior.

“Eu, por exemplo, encontro-me constipado e, quando é assim, temos sempre que correr para o hospital à procura de medicamentos. A água invade até os compartimentos da casa”, lamentou José Langa.

Para minimizar o sofrimento, alguns moradores de Maxaquene, Hulene, Chamanculo e Ferroviário sugerem que se construam valas de drenagem para o escoamento das águas pluviais.

Seis meses é o prazo dentro do qual o Município de Maputo promete entregar ao público a Praça da Juventude requalificada. A promessa é do Edil de Maputo, Eneas Comiche que lançou, hoje, a primeira pedra da empreitada.

O acto acontece três meses depois de aquele local estar encerrado para obras, após a retirada dos mais de 100 comerciantes que praticavam a venda de produtos diversos.

Daquele local foram retirados comerciantes de pedra, areia, roupas usadas e tantos outros produtos que, com o processo de requalificação, saíram para locais diversos.

Depois da cerimónia de evocação aos espíritos, seguiu-se o lançamento da primeira pedra, abertura da lápide e o discurso.

“Com esta cerimónia, o Conselho Municipal reitera o seu compromisso de devolver a função primária para qual a Praça da Juventude foi concebida, de acordo com o Plano de Desenvolvimento Municipal, 2019-2023. Assim, dentro dos prazos estabelecidos, queremos ver este espaço devidamente organizado, funcionando como espaço público seguro e agradável, tanto para os utentes, como para os operadores dos serviços que aqui serão estalados”, disse Eneas Comiche.

As obras estão orçadas em mais de 10 milhões de meticais e a previsão é que as mesmas sejam entregues em 180 dias, ou seja, seis meses, a contar a partir de 23 de Maio de 2022.

“Os munícipes e financiadores estão ansiosos para ver o projecto concluído a tempo e com qualidade, por isso chamo atenção do empreiteiro e do fiscal a se empenharem rigorosamente para não defraudarem as expectativas em torno desta obra”, apelou.

Sobre a degradação das avenidas avenidas Julius Nyerere, Lurdes Mutola, que dão acesso à Praça, Comiche assegura que as vias serão reabilitadas, de acordo com o plano de requalificação que já se assiste nas avenidas Guerra Popular e Julius Nyerere.

O Conselho Municipal de Maputo fracassou, até aqui, no projecto de reorganização do comércio informal. É que a edilidade não conseguiu acabar com a venda nos passeios da capital do país. O sociólogo José Bambo diz que é preciso haver um estudo e cautela para controlar o fenómeno, que é fonte de renda de muitas famílias.

No calendário, estávamos no mês de Março e o ano era 2020. O novo Coronavírus que já se tinha espalhado em grande parte dos países do mundo e chegou a Moçambique. Na política de prevenção, os aglomerados em mercados e o comércio informal era um vilão do filme que se chama pandemia da COVID-19.

A ideia era mesmo evitar contaminações e mortes. Foi, justamente, esta a oportunidade de que o Conselho Municipal de Maputo estava à espera para acabar com um fenómeno que é histórico e está erradicado: o comércio informal nos passeios da capital do país.

O caminho do projecto de reorganização do comércio informal era irreversível. “Nós vamos levar isso avante. É em prol à Saúde de todos nós. Não vamos vacilar”, disse Albertina Tivane, a 23 de Março de 2020, num tom determinado.

Volvidos dois anos, parece que o município deu o braço a torcer e os vendedores ganharam a guerra. O comércio informal está de volta aos passeios da Cidade de Maputo, onde vendem um pouco de tudo.

Com a retoma do comércio, Isaías Machaieie acomodou-se nos passeios da avenida Guerra Popular, onde sempre esteve desde 2002. Sentou-se numa caixa de cerveja e fixa o olhar entre os chinelos que vende e o movimento dos seus potenciais clientes.

“Nós estamos aqui e sair é difícil porque é neste local que conseguimos o pão de cada dia para alimentar as nossas famílias. Se ficarmos em casa, os que dependem de nós ficam sem o que comer”, contou Isaías Machaieie, comerciante informal nos passeios da Cidade de Maputo.

Ganham o seu pão de cada dia num local onde o município de Maputo considera impróprio para o comércio e eles sabem disso, mas nada que supere a vontade de voltar para casa com alguma coisa daí que, “já estamos acostumados às perseguições da Polícia municipal porque não nos querem aqui. Quando a força policial aparece, carregamos nossos produtos e fugimos até eles saírem”.

E é assim que fazem os negócios nos passeios da cidade desde 2020, quando a edilidade de Maputo lançou a ideia de reorganizar o comércio informal. Para conseguir tal feito, a força policial era a principal aliada. Houve tumultos e muita confusão.

Dois anos depois, a tensão entre vendedores e a edilidade baixou, mas isso não significa o fim da perseguição. “Estamos a arriscar porque quem não arrisca, não petisca. Estamos a arriscar as nossas vidas pela defesa das nossas famílias”, disse uma das vendedeiras, na condição de anonimato.

O município de Maputo escolheu Laulane para acolher os vendedores retirados dos passeios, mas é o mercado que está fora de mão. “Aquilo é como ir nos jogar na cova. Quem irá lá comprar as coisas para si? Nós vamos atrás do movimento. Onde há movimento, é onde há o nosso pão”, protestou.

O projecto de reorganização do comércio informal na Cidade de Maputo chegou ao mercado estrela vermelha. Numa noite sem estrelas de 10 de Junho, as máquinas da edilidade chegaram e derrubaram todas as bancas construídas nos passeios.

Não parecia o mesmo local. Mas, após 24 meses, a estrela do mercado voltou a brilhar e nos passeios vende-se um pouco de tudo. “Há dois anos, a Polícia municipal vinha nos arrancar as coisas, mas agora que a COVID-19 abrandou, tudo isso parou”, revelou Jaime Macário, vendedor no mercado Estrela Vermelha, Cidade de Maputo.

Por esses dias, faz-se o negócio na tranquilidade e os vendedores revelam que até pagam taxas à edilidade. “Cada banca, eles cobram 20 meticais. Já os ambulantes, pagam 10 meticais”, detalhou, Jaime Macário.

Definitivamente, o comércio informal voltou a fluir no mercado estrela e os vendedores esperam não voltar a viver o mesmo cenário de 2020. “Sofri muito naquele ano. Fiquei, praticamente, sem produtos. Tive que começar do zero. Fiz empréstimos para comprar produtos e agora estou aqui para recomeçar o negócio”, narrou, Alfredo Júnior, vendedor no mercado Estrela Vermelha.

 

A “GUERRA” PELA REORGANIZAÇÃO DE XIPAMANINE

Além de Laulane e Malhazine, o mercado anexo de Xipamanine está sem vendedores e a degradar-se. Onde estão os que deviam ocupá-lo? Fizeram dos passeios, um autêntico mercado.

“Nós não estamos a vender no mercado porque não há movimento. Aqui fora, conseguimos encontrar muitos clientes. A Polícia municipal complica-nos todos os dias porque não nos querem à venda nos passeios”, reconheceu uma das vendedeiras nas ruas de Xipamanine.

Até podem não lhes querer, mas isso só termina mesmo na vontade tanto que os vendedores vendem nos passeios diante de olhar impávido da Polícia municipal, porém há um preço que pagam. Por exemplo, “pagamos bilhetes de 10 meticais”.

Entretanto, nem sempre os 10 meticais conseguem fechar os olhos da Polícia municipal para o comércio informal exercido nos passeios. “A Polícia complica-nos, mas quando aparece, nós carregamos os nosso produtos e fugimos”, afirmou Rui, vendedor nos passeios de Xipamanine.

Fizeram dos passeios um mercado e o local que foi preparado, por nove meses, para sê-lo, está com bancas vazias. A comissão de vendedores sabe de quem é a culpa.

“São 2.500 pessoas que estão nos passeios. Se a direcção dos mercados funcionasse, mas como não funciona é uma perda de tempo. Aquelas pessoas estão a vender num lugar impróprio, não pagam taxas”, acusou Narciso Victor, membro da comissão de vendedores do mercado anexo de Xipamanine.

No terreno, a culpa é mesmo atribuída à Polícia municipal que, supostamente, se envolve em cobranças ilícitas para permitir tais desmandos. “A Polícia municipal, eu digo sim, que cobram valores porque se não o fizessem, não deixariam as pessoas a vender na rua. Os que estão no mercado, como é que vão vender? Queremos que se arranje a estrada e os chapas cheguem até o terminal. Não vamos aprovar um sítio que não está a valer”, desabafou.

O movimento no mercado anexo está fraco, mas tão fraco que os vendedores já apelidaram o local de anexo de novo cemitério. “É novo cemitério porque não há cliente e o nosso negócio só morre a cada dia que passa”, justificou Argentina Alberto, vendedeira no novo mercado de Xipamanine.

Diante desta confusão toda, os vendedores ficam sem saber qual é a diferença entre mercado e passeios. “Nós queremos pedir a quem é de direito ou ao próprio Comiche, que nos diga se o mercado é aqui onde há bancas e se não for, todos nós sairemos para os passeios” contestou, Palmira Chissico, vendedeira no novo mercado de Xipamanine.

A Polícia municipal ouviu as acusações que pesam sobre si e diz que são infundadas. “Não é verdade que a Polícia municipal esteja a favor da ocupação dos locais de forma desordenada”, desmentiu Mateus Cuna, porta-voz da Polícia municipal.

Contrariamente ao cenário de perseguição a vendedores que se assistia nos outros dias, a Polícia municipal diz que agora pauta pela sensibilização. “A ideia não é violentar. Este nunca foi o foco da Polícia municipal e muito menos a aplicação de sanções, mas sim o diálogo”, esclareceu Mateus Cuna.

O porta-voz negou, também, que a Polícia municipal esteja a fazer cobranças ilícitas para permitir que os vendedores exerçam suas actividades nos passeios.

O sociólogo José Bambo defende que o projecto de reorganização do comércio informal da edilidade falhou logo no início porque faltou diálogo com os vendedores. “O problema inicial que houve é que esta proibição deveria ter acontecido anteriormente. Quando as pessoas começaram a afluir à baixa da cidade e usar os passeios como seu local de trabalho ou do comércio, nessa altura já deveriam ter sido proibidos”, defende o sociólogo José Bambo.

O especialista diz que antes do combate ao comércio informal na Cidade de Maputo é preciso olhar para a história, até porque “a baixa, historicamente, é um lugar de comércio. É um local onde as pessoas desenvolvem actividade. Ninguém conhece Museu, Xiquelene (Praça dos Combatentes). Então, esta ideia de que é um lugar de comércio atrai muita gente. Significa que tudo que se coloca vende-se”.

Por isso mesmo, José Bambo sugere que se faça um estudo para compreender o fenómeno, que é fonte de muitas famílias, mas enquanto isso avança com algumas ideias.

“Existem espaços abandonados na cidade de Maputo. Estamos a falar de edifícios antigos, escombros que estão a albergar pessoas de má conduta ou sem tecto. Estes espaços podiam ser rentabilizados e criar nichos de comércio dentro da Cidade de Maputo”, sugeriu.

Contactamos o Conselho Municipal de Maputo para compreender as razões que ditaram o fracasso do projecto de reorganização do comércio informal na capital do país, mas não se mostrou disponível a falar sobre o assunto.

Cerca de 2500 mulheres, no país, principalmente em Nampula e Zambézia, contraem, anualmente, a fístula obstétrica, o que as faz tirar urina e fezes involuntariamente. Complicações na gravidez e no parto estão por trás da doença.

Sentada num quarto, no canto da cama isolada de tudo e todos e agarrada a uma almofada, Francisca, nome fictício, parece ter na almofada uma confidente para contar o que se passa com o seu corpo.

Não tira palavras, mas as lágrimas comunicam. O silêncio é quebrado quando entramos no quarto e fazemos uma pergunta: “Pode contar-nos o que se passa?” Tímida, com receio e vergonha de partilhar a sua história, a resposta é curta: “Estou doente há 18 anos, faço xixi sem me aperceber e sem sentir”.

Esta é uma das histórias que “O País” conta hoje, 23 de Maio, Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica. E o relato de Francisca faz parte de milhares de mulheres, que contraem, anualmente no país, a fístula obstétrica, uma doença que faz com que elas tirem urina e fezes sem se aperceberem, por causa de complicações na gravidez e no parto.

Em 2021, por exemplo, Nampula teve 570 casos, Zambézia 514, Tete 269 e Cabo Delgado registou 234. Essas são as províncias com mais casos.

Francisca, de 38 anos de idade, natural de Inhambane, faz parte dessas estatísticas desde 2003, quando, durante uma semana, sofreu em trabalho de parto. Já mais confiante com a nossa equipa de reportagem, começou a contar tudo.

Disse que vivia longe de uma unidade sanitária, isso em Inhambane, chegou ao hospital com infecções, depois de muito sofrimento. Os profissionais de saúde perceberam que a sua situação era grave e devia ser submetida a uma cesariana e, por isso, devia ser transferida para um outro hospital.

Quando lá chegaram, o parto foi realizado, mas, porque já se passava uma semana, o seu filho não sobreviveu e ela também começou a viver as consequências desse parto prolongado.

“Logo depois do parto, ainda no hospital, despertei toda molhada, da cabeça aos pés, eu tinha feito xixi, mas sem me aperceber. As enfermeiras acordaram-me também sem perceber o que se passava, eu estava sem forças, já não conseguia levantar-me, nem fazer qualquer outra coisa”, relatou.

Aquele, segundo contou, foi o princípio do seu sofrimento que já dura 16 anos. “Onde eu me sentava, molhava com xixi, no ‘chapa’, na rua, em qualquer sítio eu não tinha controlo, o xixi saía sem eu me aperceber, algumas pessoas até diziam e eu justificava.”

Francisca não saía de casa, os seus pais eram seus companheiros e sempre estiveram ao lado dela. Em 2004, veio a Maputo para tentar um tratamento, foi submetida a uma cirurgia, mas sem sucesso. Desesperada, até pensou no suicídio “porque já não me sentia uma mulher, sentia-me suja, tentei engravidar e, por quatro vezes, perdi os bebés”.

Vestidos, saias ou calças não faziam parte das suas vestimentas havia 18 anos. A solução era, além de enrolar panos na sua roupa interior, amarrar duas capulanas para que não se notasse o problema. Quando estivesse fora de casa, devia levar outras quatro capulanas para trocar e era sempre assim.

Só em 2021, quando estava sentada numa cadeira, a sua patroa percebeu que a mesma estava molhada, perguntou o que se passava e, pela primeira vez, depois de 18 anos, partilhou a sua história com alguém para além dos seus pais.

“A minha patroa ficou chocada pelo tempo que vivi com isto, mas ela foi minha salvação, porque conhecia a doença e sabia que tem cura, levou-me a uma clínica onde passei pela cirurgia. Hoje, estou aqui curada, bem e já posso vestir saias, calças e até vestido”, contou, feliz, a mulher.

Mas afinal, o que é e quais são as causas da fístula obstétrica? Segundo Igor Vaz, médico-cirurgião, a doença é consequência de um parto prolongado, em que o bebé fica entalado nos ossos da bacia.

A cabeça do bebé comprime os tecidos contra os ossos, os tecidos dissolvem e apodrecem e a bexiga passa a ter comunicação directa com a vagina ou com o recto e, assim, a mulher começa a tirar urina e fezes sem se aperceber.

“O analfabetismo, os casamentos prematuros, gravidez na adolescência a grandes distâncias da sua casa para unidades sanitárias são a baixa cobertura dos cuidados obstétricos. Muitas mulheres, que vivem em comunidades sem unidades sanitárias, não têm acompanhamento durante o período pré-natal e, na hora do parto, são assistidas pelas suas mães ou idosas que, quando não conseguem, levam ao hospital, mas já tarde”, explicou o médico.

Conforme detalhou, há mulheres que se suicidam. Outras afastam-se de tudo e todos, passam a isolar-se da comunidade, até ficam desnutridas, ficam deprimidas, e chegam às unidades sanitárias depois de muitos anos e em estado já avançado.

A explicação do cirurgião coincide com o que Benedita, nome fictício de uma mulher de 28 anos que vive com a doença há 12 anos, passa até hoje. Os seus problemas começaram também após o parto. De lá para cá, usa fraldas descartáveis e, mesmo com os cuidados médicos que já teve, nunca conseguiu a solução para o seu problema.

“O meu marido ria-se de mim, fazia piadas, às vezes falava palavrões e dizia que não sou mulher, sou um ser estranho. Eu não sei o que é sair com amigas, praia não me recordo a última vez que fui, minha filha chegou uma vez e perguntou: ‘mamã faz xixi na cama enquanto é adulta por quê?’ Fui ao médico, deram-me comprimidos, mas não teve nenhum efeito. Mandaram-me ao psicólogo por pensar que era um problema psicológico e, até hoje, nada”, contou sua história Benedita.

A doença afecta maioritariamente países em desenvolvimento e, segundo o Ministério da Saúde, Moçambique é um dos mais afectados e muitas mulheres sofrem caladas sem saber que a doença tem cura

Armando Jorge de Melo, chefe do Programa de Fístula Obstétrica, disse que a operação é, em 99 por cento dos casos, a solução e, noutras vezes, é que pode ser feita com a introdução de uma algália, que é uma sonda usada para examinar a bexiga e extrair urina.

Actualmente, cada província do país tem pelo menos dois médicos-cirurgiões para fístula obstétrica.

“Fazendo uma evolução dos dados, de 2019 até este momento, foram operadas 2.158 pessoas em todo o país. Estas operações foram feitas durante as nossas campanhas e outras em operações electivas, aquelas que são programadas”, avançou Armando Jorge de Melo.

Foi assim que, através de uma cirurgia, depois de 15 anos, Maria Gina, outro nome fictício, idosa de 64 anos, conseguiu o tratamento ano passado, após ter contado o que se passava à sua filha, que a levou para um médico.

“Antes, eu usava cinco calcinhas, enrolava panos, usava duas ceroulas e só depois vestia a saia. Depois da cirurgia, senti-me uma nova mulher, o meu sorriso foi devolvido e, hoje, oro para que todas as mulheres que passam por isso encontrem cura para a doença, como aconteceu comigo. Por isso, apelo-lhes para que não se calem e procurem um médico, porque isso tem cura”, sublinhou a idosa

A previsão do estado do tempo para esta terça-feira indica que se poderá  registar queda  de chuvas, temperatura fria a fresca, céu nublado, ventos  a soprarem, por vezes, com rajadas em algumas capitais provinciais.

Hoje, as temperaturas máximas poderão variar de 18 a 35 graus Celsius.

Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilanculo, na zona sul do país, poderão registar temperatura máxima de 22, 20,25 e 26 e mínima de 18 graus para as quatro cidades.

Para as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Queimante prevêem-se máximas de 27,18, 35 e 31 e mínimas de 18, 15, 23 e 22 graus Celsius, respectivamente.

As cidades da Nampula, Pemba  e Lichinga poderão registar máximas de 30, 29 e 25 e mínimas de 18, 22 e 10  graus, respectivamente.

A falta de água canalizada em muitas regiões do interior do país leva milhares de famílias a recorrerem a fontes alternativas, com destaque para rios e poços, o que continua a contribuir para o surgimento de doenças diarreicas. Actualmente, a iniciativa presidencial “Água para Vida” é apontada como uma solução.

Nhamapdza, distrito de Marínguè e Sena, distrito de Caia, regiões localizadas na província de Sofala, são o exemplo do martírio por que milhares de famílias passam diariamente, para encontrar água. As famílias são obrigadas a percorrer vários quilómetros por dia, à busca de água e transportá-la na cabeça e ou em bicicletas e motorizadas. Os que não têm capacidade para transportar a água são obrigados a comprá-la ao custo de 20 a 25 Meticais por bidon de 20 litros.

Ciente das dificuldades que as comunidades rurais enfrentam na busca do precioso líquido, o Governo lançou, em 2018, o programa Água para Vida (PRAVIDA), que é uma iniciativa presidencial com o objectivo de acelerar a reabilitação e/ou construção de novos sistemas de abastecimento de água, saneamento e infra-estruturas de armazenamento, com vista a providenciar o bem-estar social.

No âmbito da iniciativa, foram inauguradas, na passada sexta-feira, em Sofala, pelo ministro das Obras Públicas, Habitações e Recursos Hídricos, dois sistemas de abastecimento de água com capacidade para abastecer 18 mil consumidores em Nhamapaza e Sena, o que equivale a cerca de 70 por cento da população residente naquelas zonas. Com a entrada em funcionamento dos sistemas de abastecimento de água, a população deixa de percorrer longas distâncias para ter o líquido preciso.

“O tempo gasto na procura da água pode ser empregue em outras actividades produtivas, o que significa mais rendimento para as famílias e mais dedicação a outras actividades, com especial destaque para a educação, pois tem sido notório que as crianças levam muito tempo à busca deste precioso líquido em detrimento de ir a escola”, disse Mesquita.

Na ocasião, o Governo disse que tem consciência dos grandes desafios ainda existentes, por forma a garantir que as futuras gerações possam ter um crescimento saudável. Falta de água contribui para muitas doenças hídricas e desnutrição crónica.

“A fase I do PRAVIDA trouxe uma mudança substancial no modo de vida das pessoas. Isto nos encorajou e o Presidente da República tomou a decisão de avançarmos para a fase II do PRAVIDA, que é este que estamos a executar. Concluída esta fase, ainda vão continuar desafios, por isso é que estamos a preparar a fase III, porque temos um compromisso com o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável, que é para que, até 2030, termos uma cobertura total no abastecimento de água no país”, avançou.

No âmbito do PRAVIDA, serão construídos em Sofala, nos próximos meses, 245 furos de água e reabilitados outros 85, todos equipados com bombas manuais.

De acordo com o prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), espera-se que o dia de hoje seja de temperatura fria a fresca em quase todo o país, com máximas entre 23 e 36 graus. Na mesma sequência, o prognóstico aponta para a possibilidade de queda de chuva e vento a soprar, por vezes, com rajadas em algumas capitais provinciais.

Em graus Celsius, as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilanculo, na zona sul do país, poderão registar temperaturas máxima de 23, 26, 26 e 25 e mínimas de 19, 20,  23 e 22, respectivamente.

Para as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane prevêem-se máximas de 30,27, 36 e 32 e mínimas de 21, 17, 24 e 23 graus Celsius, respectivamente.

As cidades da Nampula, Pemba  e Lichinga poderão registar máximas de 29, 30 e 26 e mínimas de 20, 21 e 14 graus, respectivamente.

O estágio de degradação dos prédios, na Cidade de Maputo, está a preocupar a Associação das Comissões dos Moradores. A fraca contribuição das quotas mensais, por parte dos proprietários, é apontada como a principal causa.

Paredes desgastadas, elevadores inoperacionais, problemas de saneamento e até falta de iluminação nos corredores, é o cenário que descreve vários prédios na Cidade de Maputo.

Já em estado de degradação, o prédio 715 na Avenida Filipe Samuel Magaia, é disso exemplo. Uma preocupação, que apoquenta os moradores, que temem que o pior aconteça, devido a falta de saneamento e fraca manutenção dos edifícios.

“São muitos problemas que o prédio tem. Um deles é o facto de dois elevadores não funcionarem. Se nos dessem a cave, poderíamos rentabilizá-la e colocar pelo menos um dos elevadores a funcionar”, apontou Salvador Mathombe, chefe da comissão dos moradores, explicando que, a situação da degradação prédios tem-se agravado pela fraca canalização das contribuições de 800 meticais mensais, por parte de alguns proprietários.

“Nós temos alguns condóminos que não honram com os seus compromissos de contribuição. Temos despesas de compra de energia para que funcione a bomba de água, temos ainda que comprar lâmpadas. Temos despesas de pagamento de salários dos guardas, pois são eles quem limpam o prédio e recolhem lixo ”, elucidou.

Tais preocupações foram levantadas no último sábado, durante uma reunião, que juntou diversas associações de moradores da Cidade de Maputo, que esperam ver os problemas resolvidos.

Eduardo Abrão, que trabalhou na comissão de moradores, há cerca de 20 anos, aponta para a necessidade de os moradores terem condições para arcar com as despesas dos mesmos pois “queremos reactivar ou reabilitá-los. Queremos manter a nossa Cidade. Este é o nosso património, é o nosso orgulho e a conquista do povo”, justificou.

Por seu turno, Carolina Menezes, presidente da Associação dos Condomínios da Cidade de Maputo (ACMCM), revelou que a situação se tem agravado nos últimos anos, em que quase todos os prédios encontram-se em estado de degradação.

“Hoje em dia já não dizemos que a situação é somente no Alto-Maé ou Xipamanine. Mesmo na parte central da cidade, temos prédios completamente degradados”, lamentou Carolina Menezes, apelando ao envolvimento de todos os condóminos, na manutenção das infra-estruturas.

“A Associação não tem a solução nas suas mãos. A solução passa por cada um de nós, cada condómino deve assumir a sua obrigação. Temos grande parte dos prédios ocupados por inquilinos, e os condóminos, onde estão? O que estão a fazer? Simplesmente limitam-se em alugar ”, disse Menezes.

Refira-se que a manutenção dos prédios é da responsabilidade dos proprietários e há falta de uma postura municipal que sancione os que não cumprem com as obrigações.

+ LIDAS

Siga nos