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Sobe para 176 mil número de vítimas do “Eloise” no centro e sul do país

Os números resultam da actuação dos dados preliminares dos danos causados pelo fenómeno natural. Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário esteve ontem em Sofala, a mando do Presidente da República e garantiu que as instituições estão a trabalhar para a normalização da vida dos afectados.

O ciclone chegou, arrasou, inundou e deixou milhares sem quase nada. As tendas (como ilustre a imagem de destaque está matéria) são agora o abrigo de quem viu o esforço de toda uma vida ser levado pela força da corrente das águas.

Relativamente mais desafiada que outras zonas afectadas nas províncias de Inhambane e Manica, o distrito de Nhamatanda, na província de Sofala, enfrenta um segundo desafio: as inundações. O caudal da bacia do Púnguè não para de subir, chega até a ameaçar galgar a Estrada Nacional Número 6.

“Naquela noite, estava com meu marido e meus dois filhos. De repente água levou tudo. Meu marido foi arrastado e não sei onde está meu outro filho”, Regina Domingos descreveu assim o seu drama quando convidada pelo “O País” a detalhar o que lhe aconteceu.

“Estamos aqui desde sexta-feira. Pelo menos conseguimos comer e temos água para beber e lavar os nossos filhos”, conformou-se.

O centro de acomodação recebeu a visita do primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que escalou ontem o ponto e demonstrou não ter gostado de ver que as famílias afectadas, praticamente, dormem na água, pois o terreno onde estão montadas as tendas é pantanoso e já está a ficar alagado.

Chano Chinica sabe que não está nas melhores condições mas sabe que no seu bairro, as coisas estão piores “Nos últimos anos chove muito. Estamos mal e nem temos vontade de regressar para onde vivíamos”.

Nas últimas 24 horas o número de pessoas com este tipo de histórias ou outras mais dramáticas aumentou em cerca de 13 mil. Se até domingo haviam 163 mil pessoas, correspondentes a mais de 32 mil famílias, ontem contabilizava-se 176 vítimas, o correspondente a acima de 35 famílias. Os dados oficiais mantêm o número de seis óbitos, entretanto há uma discordância em relação às mortes. Enquanto a edilidade da Beira falou de cerca de oito óbitos, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades confirma apenas seis.

Nas quatro províncias há 85 salas de aula destruídas, numa altura de exames. Muitos alunos não puderam realizar estas provas que marcam o fim do lectivo 2020. Sobre este ponto, na reunião do Comité Operativo de Emergência foi avançada a proposta de os mesmos serem examinados na segunda época. Há por outro lado mais de quatro mil casas parcialmente destruídas e 2.342 totalmente destruídas.

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