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“Sinto-me honrada por ter jogado com Clarisse”

O Ferroviário de Maputo conquistou, recentemente, o campeonato nacional de basquetebol seniores femininos, ao derrotar na final, a melhor de dois jogos, o Costa do Sol, por uma diferença de dois pontos, no conjunto dos dois jogos. O título conquistado teve uma mão cheia de uma das melhores jogadores da actualidade. Foi quem ajudou as “locomotivas” a conquistar o terceiro título nacional. Estamos a falar da Odélia Mafanela, ou simplesmente “Mafra”, como carinhosamente é tratada pelas companheiras em campo.

Como fruto das boas prestações ao longo do “nacional? de seniores femininos, “Mafra” foi eleita melhor marcadora e melhor ressaltadora do Campeonato Nacional de Basquetebol Sénior feminino, edição 2017. Aos 28 anos de idade, soma quatro épocas ao serviço do clube Ferroviário de Maputo, que no campeonato da cidade entrou a disputar com o nome de Ferroviário de Maputo “A”. 
 

Da Beira para Maputo

Ora, recuemos para conhecer o percurso desta talentosa atleta. Mafanela iniciou a sua jornada como atleta de basquetebol aos 11 anos, na Cidade da Beira, sua terra natal, na equipa da Associação provincial de Basquete de Sofala. Em 2004, entrou para a equipa da Académica da Beira, ao nível de juvenis, e já nessa altura rubricava boas exibições em campo, facto que fez com que fosse eleita melhor ressaltadora, num ?nacional” de clubes. 
Em 2006, Odélia foi chamada a reforçar o conjunto da selecção de sub-20, que conquistou o primeiro lugar na Namíbia, no torneio do SCASA, isto é, competição regional da África Austral. Daí para frente, ?Mafra” não parou de brilhar dentro da quadra. Após o africano de 2006, Mafanela teve passagens pelo Maxaquene, Desportivo de Maputo, a extinta Liga Muçulmana, sendo que actualmente se encontra a serviço do Ferroviário de Maputo. 
 

Honrada por ser parte das jogadoras mais experientes
Membro da selecção principal desde 2009, Mafanela diz sentir-se honrada por fazer parte do grupo das atletas mais experientes e por ter partilhado a quadra com a retirada Clarisse Machanguana, única jogadora moçambicana que já evoluiu na WNBA. “Sinto-me honrada por ter partilhado a quadra com alguém que considero uma ídola, a Clarisse Machanguana. Foi um momento único para mim, pois aprendi muito dela. Agora faço parte do leque das jogadoras mais experientes da selecção nacional e isso me satisfaz. É tão bom estar nessa posição”, disse “Mafra”.
Com um curriculum invejável, Mafanela conquistou a Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol em seniores femininos em 2007 e 2008, ao serviço do Desportivo de Maputo, e em 2012, em representação da então Liga Muçulmana de Maputo.
Em Setembro de 2014, representou a selecção nacional no Campeonato do Mundo de Basquetebol, prova que teve lugar na Turquia. “Para nós foi um momento único. Fomos para Turquia a pensar que íamos assistir as outras a desfilarem a sua classe, mas aos poucos fomos nos apercebendo que era possível fazer mais que o que esperávamos”, explicou Odélia Mafanela.
 

Gravidez não ofuscou seu talento
As excelentes exibições na Taça dos Clubes Campeões Africanos, em Dezembro de 2016, em Maputo, representando o Ferroviário de Maputo, desmentiram quem duvidava de que pudesse brilhar pouco depois de regressar às quadras, um mês após ter sido mãe.
Odélia jogou, deu luta nas tabelas e só não conseguiu ajudar a sua equipa a ser campeã africana, terminando em segundo lugar, após perder na final para o Interclube de Luanda de Angola.
Com uma boa capacidade de recuperação de bola e de salto, Odélia Mafanela esteve novamente em destaque no último Campeonato Nacional de Basquetebol, prova na qual se destacou como melhor marcadora e melhor ressaltadora.
 

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