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“Sinto-me bastante honrada com a homenagem”, diz Lurdes Mutola

Fotos: O País

A ex-atleta moçambicana, Maria de Lurdes Mutola, diz estar honrada com a homenagem que será feita em Oregon, nos Estados Unidos da América, em Agosto próximo. Mutola diz que se trata de um reconhecimento por tudo que fez no atletismo e pela cidade de Eugene, concretamente em Oregon, onde viveu por 17 anos e conquistou vários troféus.

A notícia de homenagem a Lurdes Mutola pela Organização do Campeonato do Mundo de Atletismo, nos Estados Unidos da América, começou a circular na semana passada, pese embora fosse uma decisão tomada ano passado. Trata-se de um evento, segundo a organização, que irá homenagear 22 atletas nas suas cidades de origem ou então em locais que tenham um significado especial para cada uma, com o descerramento de placas nesses locais.

Por isso mesmo, Lurdes Mutola, por tudo que fez pela cidade de Oregon durante os 17 anos que viveu e deu no atletismo, será uma das homenageadas. Diz que recebeu a notícia no ano passado através da sua treinadora. “Recebi a notícia através da minha treinadora, em Novembro do ano passado, que possivelmente iria acontecer e que só faltava a confirmação. Ela depois confirmou em Dezembro que haveria uma situação de homenagem e que toda a cidade está ansiosa para me receber”, disse Lurdes Mutola, em entrevista ao serviço de radiodifusão Voa.

Maria Mutola diz ter recebido a notícia com muita satisfação e que se sente bastante honrada. “Recebi a notícia com muita honra, porque há cinco anos que não visito Eugene e isso é muito importante para mim e por aquilo que fiz pela cidade de Eugene. Por isso, sinto-me bastante honrada”, revelou a campeã mundial e olímpica dos 800 metros femininos.

 

“É UM REGRESSO À CASA”

Lurdes Mutola viveu em Oregon durante 17 anos, depois de ter saído de Moçambique, em 1991, pela mão do já falecido Marcelino dos Santos. Na cidade norte-americana, a “menina de ouro” conquistou vários troféus interna e internacionalmente, num total de 12 provas ganhas de forma consecutiva, a nível da cidade, e outras tantas internacionais.

Os maiores destaques vão para as medalhas de ouro conquistadas em várias provas dos Campeonatos do Mundo, dos Jogos da Commonwealth e, a maior delas, nos Jogos Olímpicos de Sydney, a 25 de Setembro de 2000, ganhos enquanto moradora de Eugene, Oregon.

Por isso, Mutola olha para este regresso a Oregon com uma oportunidade de recuar no tempo e reviver os momentos áureos da sua carreira. “Para mim, é regressar à casa, naquele estádio onde se vai realizar o Mundial, onde já ganhei 12 competições consecutivas”, recordou.

“Por isso, para mim, é como se estivesse a regressar à casa, numa cidade pequena onde vive muita gente que gosta de atletismo, tendo em conta que é a cidade capital do atletismo nos EUA, em Origon. Estou muito feliz”, recordou, emocionada, Lurdes Mutola na entrevista à Voa.

Aliás, esta é uma homenagem que acontece 10 anos após a retirada da “menina de ouro” das pistas, numa altura em que já não estava nas projecções da moçambicana, por isso “olho para isso como um sonho”.

Ainda assim, Mutola diz não acreditar no que vai acontecer. “É um pouco difícil acreditar que está a acontecer, mas tenho que entender também que Eugene é uma cidade por onde passei e vivi durante 17 anos e onde fiz quase toda a minha carreira. Então, por essa iniciativa de se recordarem da Lurdes, deixa-me bastante feliz”, assume.

 

DEDICAÇÃO AOS PROJECTOS “MUTOLA LEGENDS” E “COPA MUTOLA”

Já fora das pistas há mais de 10 anos, Lurdes Mutola decidiu abraçar outras iniciativas e projectos que visam à promoção do desporto moçambicano, principalmente em duas áreas em que mais se destacou, nomeadamente no atletismo e no futebol.

Na modalidade rainha dos Jogos Olímpicos, onde Lurdes Mutola mais se evidenciou, o principal projecto é “Mutola Legends”, onde procura desenvolver o atletismo moçambicano.

Na referida entrevista à Voa, Lurdes Mutola revela que “desenhei o ‘Mutola Legends’ com o objectivo de ajudar a desenvolver o atletismo no país”, mas diz enfrentar várias dificuldades por falta de condições adequadas no país. “Não é nada fácil. Temos estado a treinar com alguns atletas em grupo, já que também tenho treinado à minha maneira, como forma de motivar esses atletas, ensinar certas coisas que eu aprendi, porque é sempre bom passarmos aos outros aquilo que nós aprendemos. Não é nada fácil porque não temos sítios próprios, pistas, campos próprios para correr”, conta a patrona do projecto.

Até porque, para Lurdes Mutola, “o atletismo não é só correr na estrada, mas envolve muitas coisas que as pessoas não fazem a mínima ideia do que é preciso”.

Entretanto, segundo avança, “na medida do possível, vamos fazer o nosso trabalho dentro das nossas capacidades”.

Outro projecto que está a ser desenvolvido pela “menina de ouro” está ligado ao empoderamento da mulher, nomeadamente a “Copa Mutola” em futebol.

Satisfatoriamente, é um projecto que tem estado em alta, segundo revela a patrona. “A ‘Copa Mutola’ está a correr muito bem, não sei se é por ser uma modalidade colectiva, ser futebol feminino e muita gente em Moçambique ter essa tradição do futebol, contrariamente ao atletismo que é uma modalidade individual e requer esforço individual e motivação”, conta.

Para a campeã mundial e olímpica dos 800 metros femininos, “sem motivação é um pouco difícil gostar de atletismo, enquanto no futebol já não, é o esforço colectivo”, por isso mesmo “a ‘Copa Mutola’ está a correr muito bem e sempre teve apoios e muitas raparigas interessadas”.

 

FUTURO DE ATLETISMO MOÇAMBICANO PARA LURDES MUTOLA

“Gostaria de ver mais competições na parte de atletismo, que é a minha paixão, podendo ser nacionais ou internacionais aqui, em Moçambique, tal como acontecia na altura em que comecei a correr, em que vinham ao país atletas do Zimbabwe, África do Sul e outros países para participarem em torneio aqui, e ultimamente, já não temos essas competições. E é difícil os atletas moçambicanos competirem entre si e tinham que vir mais atletas de fora para competir aqui para aprender e saber de que atletismo não é o que estamos a pensar: tem os seus limites e a pessoa tem que sonhar para poder chegar mais alto”.

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