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Sidónio Sitoe diz que sofreu ameaças de Ângela Leão

Foto: O País

No interrogatório conduzido pela Procuradora Ana Sheila Marrengula, esta tarde, na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, na província de Maputo, Sidónio Sitoe confirmou que, há mais ou menos dois anos, sofreu ameaças de Ângela Leão, devido a declarações que o réu prestou à Procuradoria-Geral da República, a propósito do negócio dos imóveis que juntos fizeram. “Sofri ameaças por parte da senhora Ângela Leão. Tivemos uma conversa não agradável. Discutimos”.

Dito isso, a Procuradora Ana Sheila Marrengula leu as declarações que Sidónio Sitoe deu à Procuradoria-Geral da República, a 3 de Janeiro de 2019. À PGR, há dois anos, Sitoe declarou que solicitou a sua audição (a segunda) para enfatizar que construiu e vendeu quatro imóveis a Ângela Leão, localizados na Ponta do Ouro e na zona conhecida por Cândida Cossa, na Cidade de Maputo. Segundo o que disse Sidónio Sitoe à PGR, Ângela Leão pagou pelos imóveis, e chegou a residir em um, tendo depois arrendado a terceiros.

O réu declarou à PGR estar a receber ameaças de Ângela Leão, através da presença de pessoas estranhas em frente à sua residência, no bairro Triunfo, na Cidade de Maputo. As pessoas faziam-se transportar por uma viatura, umas vezes conduzidas por um homem e outras vezes por uma mulher.

As ameaças, segundo informou Sidónio Sitoe, começaram quando Ângela Leão foi chamada a prestar declarações à PGR. Depois de ter sido ouvida, a ré ligou a Sidónio Sitoe, tendo marcado um encontro no bairro Malhangalene, na Cidade de Maputo. Nesse encontro, Ângela Leão disse que Sidónio Sitoe tinha falado demais na PGR, em relação ao negócio dos imóveis. Ou seja, a ré não queria que tivesse confirmado o negócio feito entre eles. Na versão do réu, Ângela Leão queria que ele tivesse dito que não se lembrava do dinheiro recebido ou que tivesse dado outras respostas vazias. Por isso, seria a palavra de um contra o outro.

Assim, Sidónio Sitoe, sentindo-se ameaçado, pediu para ser ouvido pela PGR, tendo disponibilizado o seu telemóvel para que se extraísse mensagens trocadas com Ângela Leão, que sustentavam a sua alegação.

O NEGÓCIO DOS IMÓVEIS

Portanto, Sidónio Sitoe vendeu quatro imóveis a Ângela Leão sem assinar contratos ou documentos de compra e venda. As casas foram pagas. Depois, tendo recebido o valor da quinta casa da sua cliente, Sitoe desistiu de a vender. Por isso, devolveu o valor num acto de honestidade. Perguntado se tinha prova de que devolveu o dinheiro a Ângela Leão, o réu disse que não. Apenas tinha a sua própria palavra.

No interrogatório conduzido pelo Ministério Público, Sidónio Sitoe disse que não ter documentos de compra e venda dos imóveis era um processo normal para as pessoas que fazem negócio. “Se eu não entrego o objecto em causa, devo devolver. Se não, teria sido preso antes por não ter devolvido o dinheiro, por burla. Porque devolvi o dinheiro, fui preso. Eu sou uma pessoa aberta. Não tendo terminado o negócio, devolvi o dinheiro à senhora Ângela Leão, porque não entreguei a casa em negociação”.

Todos os negócios entre Ângela Leão e Sidónio Sitoe, segundo o réu, foram feitos à base de confiança.

Sidónio Sitoe disse ainda que nunca construiu uma casa financiada por Ângela Leão e que, pela venda dos imóveis à ré, recebeu um milhão e meio de dólares. Recebeu o valor  em numerário. E mais, acrescentou que nunca teve relação com a M-Construções, empresa de Fabião Mabunda.

Depois do intervalo concedido pelo juiz Efigénio Baptista, quando chegou a vez de a Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) proceder ao interrogatório, Sidónio Sitoe disse que não iria mais responder a nenhuma pergunta, pois “já entendi a posição do tribunal”. Assim, encaminhou o assunto às mãos de Deus. No entanto, feitas as perguntas pela OAM e pelos advogados de defesa, o juiz concedeu, no final, a palavra ao réu e este afirmou que não faz parte do problema das dívidas ocultas e nem na lavagem de dinheiro. “Eu construí casas e vendi. E fui pago em numerário”.

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