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Sidat e Simango devem acertar contas de 2019

Já era expectante que a Assembleia Geral da Federação Moçambicana de Futebol tivesse alguns constrangimentos, mas talvez não na medida que teve, pese embora tenha decorrido num ambiente salutar e de harmonia, pelo menos para os participantes.

Mas não tão harmonioso no que diz respeito às contas, principalmente tratando-se do relatório do elenco anterior, que nem esteve presente para “se defender”.

É que o relatório de contas de 2019, último ano do mandato do elenco de Alberto Simango Jr., não foi aprovado, alegadamente porque as contas “não batem” e há valores mal justificados, para além de “dívidas não declaradas”, que a actual direcção não reconhece, e por isso, não vai fazer o pagamento das mesmas.

Aliás, Feizal Sidat diz mesmo que quando entrou para este novo mandato encontrou um desfalque de cerca de 50 milhões de meticais, nas contas da Federação Moçambicana de Futebol. “Quando tomamos posse, a 16 de Dezembro de 2019, vivenciamos um cenário crítico caracterizado por falta de liquidez financeira, na FMF, e dívidas avultadas superiores a 50 milhões de meticais, o que perigava a sustentabilidade da instituição, assim como a sua imagem e reputação perante os seus credores e o mercado, em geral”, disse Sidat que acrescentou que “nessa altura os cofres da FMF registavam apenas valores aproximados a 300 mil meticais, o que nem sequer servia para cobrir as despesas imediatas da instituição”, dando o exemplo dos salários dos trabalhadores, quando se estava na época festiva.

E para colmatar o défice encontrado, houve necessidade de fazer reajustes e dívidas internas, segundo disse o próprio Feizal Sidat. “Imbuídos do espírito de solidariedade, os membros do actual elenco, disponibilizaram-se a efectuar uma injecção financeira, a título de empréstimo, para proporcionar aos colaboradores e suas famílias, festas condignas”.

Mas não somente isso que diz ter sido feito nas contas da Federação Moçambicana de Futebol: “pela falta de liquidez financeira, a selecção nacional de futsal viu perigada a sua participação no Africano da modalidade, em Marrocos. Desta feita, foi o presidente da federação, a título pessoal, que injectou um capital, a título de oferta, no valor de 23 mil dólares (pouco mais de um milhão e quinhentos mil meticais), para tornar possível a participação moçambicana na prova”.

Mas também, “não se ficando por aqui, e sensibilizado pela situação débil em que a FMF se encontrava, o presidente da federação efectuou mais uma doação à instituição, desta feita no valor de 20 mil dólares americanos (quase um milhão e quatrocentos mil meticais)”.

O presidente da Federação Moçambicana de Futebol diz que estas doações foram feitas porque “estamos aqui para servir o futebol e não para nos servirmos do futebol”.

Mas há mais: é que nas contas de 2019 há valores que não são reconhecidos, tal como os quase 6 milhões de meticais do pagamento do IRPS, cerca de 3.5 milhões de meticais de gastos em documentação de suporte válido fiscalmente, 32 milhões de meticais de ausência de registo de responsabilidade e fornecimento de bens e serviços, 41.5 milhões de meticais do rácio de liquidez corrente, traduzido em défice de tesouraria para pagamento de obrigações correntes.

CONTAS NÃO APROVADAS, ACTIVIDADES APROVADAS

Estes números fizeram com o Conselho Fiscal recomendasse a não aprovação do relatório financeiro de 2019, mas também que se abrisse uma janela de oportunidade para as duas direcções (actual e anterior) de se sentarem à mesma mesa e procurassem formas de apresentação e justificação das contas mal apresentadas e “dívidas ocultas”.

Esta recomendação foi aprovada pelas Associações provinciais, com apenas uma abstenção de Cabo Delgado.

Ainda assim, a direcção actual se compromete a pagar algumas das dívidas do elenco anterior, até porque “é uma dívida da instituição. Portanto, aquelas que estão mencionadas e detalhadas no departamento de contabilidade, nós vamos liquidar, sem dúvidas. Mas aquelas que não constam, que são muito dúbias, de certeza absoluta que não vamos fazer os pagamentos”, frisou Feizal Sidat, presidente da Federação Moçambicana de Futebol.

Entretanto, o relatório de actividades do mesmo período, 2019, foi aprovado por unanimidade, visto que reflecte aquilo que foi vivenciado pelos desportistas, em termos de realizações do elenco de Alberto Simango Jr., no seu último ano de mandato.

ÉPOCA 2020/2021 APROVADO, MAS MUDANÇA DE CALENDÁRIO NÃO!

Os restantes pontos em discussão na Assembleia Geral da Federação Moçambicana de Futebol foram aprovados quase que todos por unanimidade, dentre eles à época futebolística 2020/2021. As associações provinciais aprovaram a presente temporada, que iniciou no primeiro dia deste mês de Novembro e prolonga-se até 31 de Julho, mesmo com preocupações de algumas Associações, derivadas do curto tempo que tem para a realização das várias provas (caso da cidade de Maputo), para além de ser quase que na época chuvosa, o que vai impossibilitar que as provas arranquem antes de Março (principalmente para as associações do norte do país).

Ainda assim, esta temporada futebolística está aprovada, mas a sugestão de a direcção executiva da Federação Moçambicana de Futebol consultar as Associações Provinciais para controlar o encerramento da época, findas todas provas.

Relativamente a época 2021/2022, a Assembleia Geral não aprovou as datas de início e fim (01 de Agosto a 31 de Maio), remetendo a uma consulta antecipada da direcção da FMF aos seus associados, como forma de encontrar um caminho para não se prejudicar nenhuma das Associações.

Por isso mesmo esta questão de mudança de época, para adequar ao calendário seguido pela Confederação Africana de Futebol, de Agosto a Maio, será debatido e aprovado na próxima Assembleia Geral da FMF.

Sobre o Moçambola 2020/2021, a Assembleia Geral da Federação Moçambicana de Futebol assinou por baixo a decisão da Comissão de licenciamento e somente os 11 clubes licenciados vão disputar a prova, cujo sorteio será realizado esta terça-feira.

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