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Severino Ngoenha enaltece pensamento de Eduardo Mondlane em livro

Livro do filósofo Severino Ngoenha foi lançado na cerimónia de encerramento das celebrações dos 100 anos de nascimento de Eduardo Chivambo Mondlane, organizada pela Universidade Pedagógica de Maputo.

 

Mondlane, regresso ao futuro. Este é o título que o filósofo Severino Ngoenha lançou esta terça-feira, na Universidade Pedagógica de Maputo, na capital do país. Ao fim de dois anos, o académico lançou o livro numa cerimónia de encerramento das celebrações dos 100 anos de nascimento de Eduardo Mondlane.

De acordo com a apresentadora do livro, Teresa Cruz e Silva, Mondlane, regresso ao futuro é uma obra que convida os leitores a reflectir sobre a relação entre o tempo vivido, o passado, e os desafios que o estudo do tempo presente suscita. Em parte, ao longo do estudo, revelou a académica, Severino Ngoenharecorre a duas obras de modo a desenvolver o seu argumento, designadamente Xitlango, filho de chefe e Lutar por Moçambique. De igual modo, através de um estudo sobre Mondlane, o autor do livro mostra, na visão de Teresa Cruz e Silva, as fragilidades entre as fronteiras das ciências, quando chama atenção para vertentes de carácter metodológicasobservadas nas práticas científicas, ao mesmo tempo que defende a relevância de se estudar Mondlane.

Intervindo na cerimónia de lançamento do seu mais recente livro, Severino Ngoenha garantiu ao auditório que não vai encontrar factos históricos, no sentido da historiografia, mas vaiencontrar desafios que se impõem a Moçambique de hoje, com o pensamento de Eduardo Mondlane a enviar mensagens actuais. Nesse mesmo pensamento, realçou o autor do livro, encontram-se a paz, a educação, o desenvolvimento integrado, a unidade nacional e até ideias sobre federalismo que o primeiro presidente da Frelimo defendeu com força e que os moçambicanos, num determinado momento da história, por razões internas, deitaramfora, mas que, talvez, hoje, tenham toda a sua razão de ser e pertinência.

O projecto do novo livro de Ngoenha surgiu há dois anos, quando o reitor da Universidade Pedagógica de Maputo lançou o desafio de se comemorar os 100 anos de Mondlane. Nessa altura, Severino Ngoenha ficou com a missão de avançar com um estudo sobre o primeiro presidente da Frelimo. Aí, o académico lançou-se na busca de fontes que não fossem apenas as conhecidas. Buscou também fontes de fora do país. “Nós temos aqui o resultado de uma reflexão que dura há dois anos e que foi suscitada pela Universidade Pedagógica. Sem o desafio da UP e das suas autoridades, provavelmente não me teria lançado a este estudo de Eduardo Mondlane”.

Porque Ngoenha não é historiador, afirmou que, no seu estudo, não se preocupou com factos relacionados à naturalidade de Mondlane ou ligadas à paternidade e à família. Severino Ngoenha preocupou-se em ir buscar Mondlane ao passado porque o seu pensamento continua relevante para um debate de futuro.

Sendo o pensamento do primeiro presidente da Frelimo ainda muito actual, como forma de enaltecer a sua obra, o anfitrião da cerimónia de lançamento do livro de Severino Ngoenha, o reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, desafiou ao seu conselho académico a perspectivar a criação de uma conferência internacional anual em parceria com a Fundação Eduardo Chivambo Mondlane. De igual modo, Jorge Ferrão manifestou o interesse de a universidade que dirige introduzir uma bolsa de estudo com nome do “arquitecto da unidade nacional”, de modo a favorecer estudantes de excelência, como tem acontecido em algumas universidades do mundo fora.

Na cerimónia de lançamento do livro Mondlane, o regresso ao futuro estiveram familiares do político e combatentes de luta armada de libertação. Como que a representa-los, esteve Marina Pachinuapa, que deixou ficar um testemunho sobre um homem intelectual de mente aberta, humilde e muito receptivo. Segundo a combatente de luta armada, Mondlane foi um líder que contribuiu imenso para que actualmente a mulher moçambicana fosse emancipada e estudada, ocupando, inclusive, cargos de grande responsabilidade.

Marina Pachinuapa conheceu Mondlane em 1967, quando deixou Cabo Delgado para ir se juntar a Frelimo na Tanzania, na companhia de um grupo de 25 raparigas. Num contexto em que muitos guerrilheiros eram contra a presença de mulheres nos campos, Eduardo Mondlane mostrou-se a favor e elas foram integradas. “Eu saí de Mueda para aqui graças a Eduardo Mondlane. Ele sabia dar valor às pessoas”.

Como que a retribuir as palavras de Marina Pachinuapa, NyeletiMondlane agradeceu aos combatentes e a todos aqueles que, quando o pai foi assassinado, em 1969, cuidaram dela e da sua família. A governante lembrou que perdeu o pai aos 7 anos de idade. Foi nessa altura que se deu conta de quem era o pai.  

A Universidade Pedagógica de Maputo associou-se à passagem do quinquagésimo aniversário do assassinato de Eduardo Mondlane e do centenário da data do seu aniversário com um leque de actividade de carácter científico. As actividades em causa iniciaram ano passado, e pretenderam reconhecer a importância do pensamento e liderança do primeiro presidente da Frelimo. Esta terça-feira, encerram com o lançamento do livro da autoria de Severino Ngoenha, sobre Mondlane.

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