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SERNIC deteve quatro supostos raptores

Foto: O País

A Polícia deteve, hoje, quatro indivíduos supostamente membros de uma quadrilha de raptores, cujo cabecilha está em fuga na África do Sul. As detenções em Moçambique acontecem menos de três dias após a neutralização de um sul-africano indiciado de liderar os raptos nos dois países.

Ouvem-se vozes de repúdio por todos os lados e de apelos para a tomada de medidas enérgicas por parte do empresariado para que as autoridades combatam os raptos no mais que tem como principais alvos os empresários.

Como que respondendo a essas mensagens, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) tenta conter a onda de raptos que tende a agravar-se a cada dia que passa.

Hoje, houve a detenção de quatro supostos raptores que praticavam o crime na Cidade de Maputo, menos de 72 horas depois de a Polícia sul-africana ter detido líderes de quadrilhas de raptores que actuam em Moçambique e na África do Sul. No nosso caso, as vítimas são bem conhecidas.

“Só para contabilizar, os mesmos estão envolvidos em cerca de cinco raptos. Dois ocorridos no dia 07 de Outubro do ano passado contra um cidadão que é médico de profissão e um empresário e gerente de restaurante Takdir. Outros ocorreram em Dezembro contra uma cidadã que é colaboradora da Embaixada de Portugal em Moçambique e um outro empresário raptado em Zimpeto. Isso tudo foi na Cidade de Maputo. Importa realçar que, no último rapto registado, há indícios de envolvimento deste mesmo grupo e ainda estamos a trabalhar no sentido de identificar o referido cativeiro onde este último se encontra”, detalhou Henriques Mendes, porta-voz do Serviço de Nacional de Investigação Criminal.

Dos detidos estão, de acordo com o SERNIC, o número dois da quadrilha e outros três que são operativos. O cabecilha está em fuga na África do Sul. “Quanto ao primeiro, é um dos principais integrantes desta quadrilha e cabe a ele fazer o reconhecimento das vítimas, identificar seus movimentos e fazer o arrendamento dos imóveis a servirem de cativeiro. Também é o responsável por garantir a logística quer das vítimas, quer de outra equipa dos seus colegas”, explicou Henriques Mendes, acrescentando que, no local, “foi usada uma viatura de marca Nissan Xtrail e após o crime criou condições de transformar algumas condições da viatura e desfazer-se da mesma, vendendo-a na província de Manica. Quanto aos outros dois, são mais operativos nos raptos”.

Quem se presume que identificava as casas que serviam de cativeiro na Cidade de Maputo nega tudo e sobre os raptos só sabe o que ouviu do seu chefe. “Nas casas onde visitamos, disseram que meteram um senhor do Zimpeto. Eu não o conheço. Só estava a ouvir a conversa. A outra casa foi o médico e a última a senhora da Embaixada. Isso é o que ouvi ele a explicar ao amigo quando passeávamos na cidade porque ele esteve cá em Dezembro para passar o final do ano. Não fui eu quem arrendou as casas. Não tenho nenhum contrato por mim assinado”, negou o suposto raptor, já nas mãos das autoridades.

Já os outros três são filho, prima e sobrinho do suposto mandante, que também alegam desconhecer as razões pelas quais estão detidos. O SERNIC diz que conduziam carros que levavam as vítimas para o cativeiro.

“Eu não sei nada de sequestro. É a primeira vez que oiço com a Polícia”, refutou a senhora que, segundo o SERNIC, é a dona do carro Nissan Xtrail que transportava as vítimas e prima do mandante.

Os outros dois seguiram o mesmo rumo. Negaram tudo. “Não sei de que se está a tratar. Nem faço ideia de quando aconteceu o rapto”, mostrou desconhecimento, o sobrinho do mandante e, à altura dos factos, condutor da viatura Nissan Xtrail.

O filho, de acordo com as investigações, cedia seu carro para o amigo do pai que o usava para raptos. “Eu soube que meu pai é sequestrador da Polícia. Eu não sabia. Eu emprestava o carro ao amigo do meu pai porque é mais espaçoso. Ele dizia que queria carregar coisas, mas nunca disse o que era e eu cedi porque confio nele. É amigo do meu pai”, justificou o suposto integrante da quadrilha de raptores.

Na semana passada, três indivíduos foram detidos, entre segunda e terça-feira, acusados de raptos na Cidade de Maputo. Os visados caíram nas mãos das autoridades quando se preparavam para mais um crime, segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal.

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