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Seis em cada 100 alunos primários é que sabem ler e escrever “bem” no país

Apenas seis em cada 100 crianças do ensino primário é que têm um nível desejado de aprendizagem, no país, ou seja, sabem ler e escrever como deve ser, o que coloca vários desafios no currículo nacional.

Estes são resultados obtidos na primeira avaliação nacional de 2013, feita para aferir o nível de competência dos alunos nas classes primárias, segundo fez saber o director nacional de Formação de Professores, Remane Selimane.

“Nós tivemos duas avaliações nacionais, uma em 2013 e outra em 2016, e os resultados não foram muito bons, e no que diz respeito a questão da escrita e leitura e daquelas que são as competências que o currículo define como básicas, elas não são cumpridas na íntegra e os resultados são ainda muito baixos e isso é preocupante”.

Remane explica que o grande problema está no ensino primário e por isso foi lançado, na sexta-feira, um projecto com o objectivo de melhorar a qualidade de ensino, nesta fase, com a expansão do currículo.

A revisão do programa de ensino é um dos objectivos do projecto, sendo que pretende-se adequar o programa para os padrões internacionais pois, segundo Remane, os estudos já realizados indicam que há muitas diferenças entre o currículo nacional e o internacional.

“Há um ajustamento que vai ser feito para que se igualem aos padrões internacionais e os manuais serão, igualmente, adequados, as nossas aulas soam muito expositivas e temos essa batalha de colocar os alunos diante dessa experiência, diante de exemplos factuais e depois deduzir em conhecimento, ainda não conseguimos atingir essa fase”.

Por seu turno, a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua, explicou que o projecto de expansão do currículo, que inicia este ano, vai até 2027 e abrange as disciplinas de Matemática e Ciências Naturais e vai abranger alunos da 1ª a 6ª classes.

Namashulua diz que com o projecto, será fortalecida a formação inicial e contínua de professores e do sistema de avaliação educativa, nas disciplinas em alusão.

“Com estas acções que envolverão, em especial, as escolas anexas às instituições de professores, será desencadeado um processo de formação contínua que pretende abranger todos os professores do ensino primário. Por sua vez, a avaliação da eficiência e da eficácia do sistema será reforçado”, referiu.

A titular da pasta acredita que, com as acções, será melhorada a actuação do professor na sala de aulas, principalmente nas áreas de matemática e ciências naturais, áreas que este grupo e os alunos apresentam maiores dificuldades.

A implementação do projecto conta com o apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que conforme explicou o representante da agência, Hiroaki Éndo, visa reduzir o nível de desistência nas escolas.

“Com os desafios que enfrentamos em relação à melhoria da leitura, escrita e cálculo, este projecto vai ajudar a melhorar cada vez mais o acesso e qualidade de ensino, que permitirá mitigar os efeitos das desistências e reprovações escolares”, avançou.

Hiroaki Éndo disse ainda que, durante os seis anos de implementação do projecto, as intervenções da JICA estarão focalizadas nas áreas de desenvolvimento do currículo e do ciclo de gestão curricular, elaboração de livros escolares e materiais de ensino, sistema de avaliação educacional e formação inicial e contínua de professores.

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