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Seguro agrícola apontado como uma das saídas para tornar financiamento a agricultura mais atractivo

Reflectindo, esta tarde, em torno do tema “Instrumentos financeiros agrícolas”, na terceira edição da Mozgrow, Gildo Lucas, produtor e especialista em finanças, José Sousa Pinto, representante da Direcção de Negócios Corporativos do BCI, Júlio Rafael, director de Assessoria e Estruturação Financeira do BNI e Cremildo Maculuve, produtor agrícola, concluíram que houve redução no financiamento à agricultura nos últimos anos.

Em busca de soluções, os oradores apontaram o envolvimento do Estado e seguros agrícolas como alguns dos instrumentos para ultrapassar a situação.

“É preciso que haja uma política abrangente que permita uma comparticipação entre o Governo central e os locais, na mitigação do risco. Só assim as seguradoras mostrarão disponibilidade para aderir a esse negócio. Os agricultores não estão em condições para pagar um prémio muito alto. Daí que o Estado devia subsidiar, para permitir que o negócio seja atractivo”, disse Lucas.

Entretanto, Cremildo Maculuve compreende que é preciso fazer uma análise holística que tome em conta toda a cadeia de valor.

“É verdade que, nos países onde a agricultura é bem-sucedida, existe a garantia de um seguro agrícola. Os riscos existem em todos os sectores. Daí que é altura de deixarmos de lamentar os riscos e começar a pensar nas soluções. E, para mim, uma das soluções é olhar para toda cadeia de valor e depois introduzir o seguro, porque, apesar das limitações, nós já temos alguma produção agrícola, mesmo sem seguro. Só assim a agricultura deixará de ser um parente pobre, em comparação com os outros sectores de actividade”, disse Maculuve.

Por sua vez, o BCI falou da disponibilidade que tem para financiar a agricultura, apesar de saber que é uma actividade cheia de riscos.

“É preciso cadastrar os agricultores para organizá-los de modo que eles possam tirar benefícios das linhas de crédito existentes. Temos núcleos de agricultores dispersos que é preciso organizar. O seguro pode contribuir para que as pessoas se envolvam mais na agricultura e trazer para o banco a garantia da cobertura do risco”, disse José Sousa Pinto.

Já o BNI diz que não está a receber dinheiro suficiente para aquilo que é o volume das necessidades das áreas de desenvolvimento no país, entretanto procura “mobilizar parceiros nacionais e internacionais de modo que haja financiamento a actividade agrícola”.

“Os projectos de agricultura familiar precisam de ser transformados para gerar lucros. E essa transformação é feita através de assistência técnica, de forma que eles se tornem agricultores comerciais. O seguro é importante, mas não resolve o problema”, disse Júlio Rafael.

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