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Sector privado recuperou fôlego em 4% no segundo trimestre de 2021

Com o alívio de algumas medidas restritivas, impostas pelo Governo para conter a propagação da COVID-19, o sector empresarial registou um ligeiro crescimento no segundo trimestre de 2021. Porém, o Índice de Robustez Empresarial cresceu apenas em 1%.

Falando nesta quinta-feira, durante a abertura da sexta edição do Economic Briefing, o presidente do conselho directivo da Confederação das Associações Económicas (CTA), Agostinho Vuma, anunciou que o desempenho positivo do sector privado permitiu que se saísse dos anteriores 46% no primeiro trimestre de 2021 para 50%, no segundo trimestre de 2021, um crescimento na ordem de quatro pontos percentuais.

“Como consequência deste incremento, o Índice de Robustez Empresarial melhorou de 28% para 29%, influenciado pela reanimação da actividade económica nos sectores da agricultura, hotelaria e restauração, comércio e serviços e transportes, que se beneficiaram dos factores a que fizemos referência, incluindo o alívio das medidas de contenção da COVID-19 que observamos entre Abril e Junho último”, explicou Vuma.

Segundo Vuma, o segundo trimestre foi marcado por algumas acções regulatórias, com impacto positivo na actividade comercial, com especial destaque para o “alívio das medidas restritivas de combate à pandemia da COVID-19, a revogação das taxas de assistência e fiscalização nos postos fronteiriços e o lançamento da Central de Registo de Garantias Mobiliárias”.

Como ponto negativo, durante o período em análise, o sector privado destacou a entrada em vigor do novo Regulamento das Custas da Jurisdição Administrativa, que determinou o agravamento do valor das custas em cerca de 170%, o que veio agravar os custos transacionais para as empresas, principalmente aquelas que ainda se ressentem dos efeitos negativos da pandemia da COVID-19.

Apesar da avaliação positiva do trimestre anterior, a CTA prevê dias sombrios para o sector, muito pior que o que se registrou no 1º semestre.

“De forma geral, esperamos que o desempenho empresarial retroceda, devido à retoma das medidas restritivas, recentemente anunciadas pelo Governo, em face ao surgimento da nova vaga de propagação da pandemia viral, a variante Delta. Estas medidas irão limitar, mais uma vez, o funcionamento da máquina empresarial, num momento de ausência de medidas de estímulos e apoio ao sector empresarial”, disse.

O apoio ao sector empresarial continua na lista das reclamações do sector, por considerarem impossível sobreviver a mais restrições, sem que haja algum apoio financeiro.

“O nosso grande receio é que, na ausência de estímulos ao sector empresarial, estas medidas restritivas possam resultar numa situação pior que a observada no primeiro semestre do ano, período em que se registou perda de 802 postos de trabalho, em 90 empresas”, referiu Vuma.

O sector continua a enfrentar desafios, causados pela aprovação de leis que, segundo o entendimento do presidente da CTA, em nada favorecem às empresas e só vão prejudicar a sua actuação no próximo trimestre, a destacar a recente aprovação do Regulamento de Selagem de Bebidas Alcoólicas e Tabaco Manufacturado.

Na ocasião, Agostinho Vuma avaliou positivamente a actuação do Governo, em relação à irradicação das acções terroristas em Cabo Delgado, que vai permitir que as empresas lá sitiadas possam retomar a suas actividades.

A sexta edição do Economic Briefing da CTA, sobre o desempenho empresarial no segundo trimestre de 2021, teve lugar nesta quinta-feira (29) e contou com as participações especiais do representante do FMI, Alexis Meyer-Cirkel e o PCA da Moçambique Dugongo Cimentos, Víctor Timóteo.

Na ocasião, foi lançado a quarta edição do Índice de Robustez Empresarial que, dentre outros temas, discute as perpectivas económicas para 2021 e o impacto da suspensão do Standard Bank do mercado cambial, para o sector empresarial nacional.

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