O País – A verdade como notícia

Rui Martins reúne em livro artigos publicados no jornal O País

Farinha Babita é o título do livro do Vice-Reitor da Universidade Macau, Rui Martins. O português viveu em Moçambique entre 1969 e 1974.

 

Ao longo de alguns meses de 2020, o Vice-Reitor da Universidade Macau publicou, neste jornal, um conjunto de 10 artigos. Em julho deste ano, os mesmos textos foram reunidos e editados em livro pela Alcance Editores.

Intitulado Farinha Babita, o livro de Rui Martins constitui um exercício de memória, através do qual o autor narra histórias invulgares de um período da História de Moçambique, através de episódios ligados àquela farinha.

Ao autor, na verdade, o desafio de contar no jornal a origem do nome Babita foi feito pelo Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão. A ideia era que fosse apenas um artigo. No entanto, Rui Martins percebeu o nível de interesse dos leitores d’O País e resolveu continuar. Quando deu por si, já eram 10 artigos. “Comecei por escrever primeiro em memória ao meu pai o qual esteve na origem da Farinha Babita e assim continuei no segundo artigo, os quais correspondem a uma fase importante da minha juventude passada em Lourenço Marques, agora Maputo, Moçambique, entre 1969 e 1974, mas continuei com outros artigos que essencialmente apresentam estórias interessantes da minha vida ao longo de cinco décadas e até actualidade, passando primeiro por Portugal e depois por Macau, na China, onde resido há cerca três décadas”, lê-se na introdução do livro.

No primeiro artigo de Farinha Babita, constituído por 70 páginas, Rui Martins lembra onde se produzia a farinha: “A fábrica era na Machava (anteriormente só existia a moagem da Matola) e da Socimol, uma sociedade anónima, de quatro sócios, Benjamim Cacho, Inácio de Sousa, António Ferreira e Cabrita Calafate, no meio do mato, nem estrada alcatroada existia, apenas uma picada e uma linha de caminho-de-ferro para transportar o trigo em vagões e posteriormente escoar a farinha. Pode dizer-se que a Socimol era uma pérola no meio do mato, ou uma verdadeira ‘lança em África’, com tecnologia do mais avançado que havia na altura”.

Mais adiante, no mesmo artigo inaugural do livro, Rui Martins escreve: “Após a nossa chegada a LM [Lourenço Marques], fizemos amizade com a família Cacho, nomeadamente, nós, miúdos, com a sua jovem neta, Bárbara Cacho Tavares, que era conhecida pelo nome de Bábita. Ora aí estava um belo nome para a farinha, pelo que em homenagem ao grande empenho do sócio Benjamin Cacho no projecto, e com o grande apoio do meu Pai (e de toda a família), os restantes accionistas concordaram em dar o nome, pelo qual a sua neta era conhecida, à nova farinha. E, assim surgiu a farinha “Babita” há 50 anos atrás, precisamente em 1970! E, continua a ser uma grande honra para a família Cacho Tavares e para a nossa família que o nome se mantenha até hoje”.

Entre os artigos que constituem o livro podem-se ler “Farinha Babita e perus”, “Farinha e electrónica”, “Eusébio, bigodes e Kasparov”, “Farinha no deserto, Soares, Machel e o técnico”.

 

Sobre o autor

Rui Martins nasceu a 30 de Abril de 1957. Licenciou-se em Engenharia Electrotécnica e obteve o Mestrado, Doutoramento e Agregação em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, no Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (DEEC), do Instituto Superior Técnico (IST), da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), agora Universidade de Lisboa. É  Docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (DECE), da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), da Universidade de Macau (UM), Macau, China, onde é Professor Catedrático de Mérito (“Chair Professor”) desde Agosto 2013. Na FCT foi Director da Faculdade entre 1994 e 1997 e tem sido Vice-Reitor da UM desde Setembro 1997.

 

Partilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos