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Rota do dinheiro dos réus Teófilo e Mutota resultante das dívidas ocultas

Foto: O País

Na série sobre a aplicação dos subornos das dívidas ocultas, hoje vamos falar sobre como Teófilo Nhangumele e Cipriano Mutota aplicaram os valores recebidos. Apartamentos, viaturas de luxo, camiões e agricultura são parte dos investimentos feitos.

Verdade ou não, é sobre estes dois velhos amigos de que falamos hoje, em mais um capítulo sobre a rota do dinheiro das dívidas ocultas.

Comecemos por Teófilo Nhangumele, um empresário, tradutor e intérprete, que, segundo suas próprias palavras, desempenhou o papel de facilitador dos dois lados (Moçambique e a Prinvivest), embora tivesse um contrato de exclusividade com aquele grupo empresarial.

Entre Março e Dezembro de 2013, Nhangumele recebeu 8.5 milhões de dólares de uma das empresas do Grupo Privinvest, através da sua conta aberta no First Gulf Bank, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Mas, então, o que terá feito com esse dinheiro? De acordo com a acusação, investiu em imóveis e viaturas de luxo.

Comprou dois imóveis no Condomínio Garden Park Village, onde Bruno Langa também comprou. Pagou 650 e 900 mil dólares, respectivamente; o pagamento foi feito através de uma transferência da sua conta nos Emirados Árabes para Turquia, onde estão sediadas as empresas donas das casas.

No 15º andar deste prédio situado na Avenida Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo, comprou um apartamento tipo 3, ao preço de 380 mil dólares. O valor foi transferido da sua conta em Abu Dhabi para a Decotek, na Turquia, a empresa dona do imóvel.

Já no segundo andar deste prédio, situado na Avenida Vladimir Lenine, comprou um apartamento tipo 3, a preço de 350 mil dólares. O pagamento foi feito através de uma transferência de Abu Dhabi para a conta do dono do imóvel na Cidade de Maputo.

Há, ainda, registo da aquisição de uma parcela de terra em Bilene, província de Gaza, a 180 mil meticais.

Mas, Teófilo também investiu na compra de viaturas de luxo. Na África do Sul, comprou uma viatura de marca Mercedes Benz, modelo ML, a 100 mil dólares e registou em nome da esposa;

Comprou ainda uma viatura de marca Land Rover, Modelo Range Rover Evogue, a 90 mil dólares e registou em nome da filha;

Para si, adquiriu um Land Rover, modelo Discovery, a cerca de 80 mil dólares;

Outros montantes foram gastos em várias transferências para a suas contas domiciliadas em Moçambique;

Teófilo, Bruno Langa e Ndambi Guebuza deviam ter dado dinheiro a Cipriano Mutota, à data dos factos, director de Estudos e Projectos do SISE.

Não tendo recebido, Mutota acabou por cobrar directamente a Jean Boustani, que após muita insistência, muita insistência mesmo, agraciou-o com 980 mil dólares americanos.

Deste montante, 656 mil dólares foram transferidos da Privinvest para um sul-africano, amigo de Mutota, que, por sua vez, transferiu o valor em três tranches para Moçambique. Isto era mesmo para fugir do radar das autoridades.

Mas, porque a proveniência do dinheiro tinha de ser justificada, disse ao banco que o montante resultava da venda das suas participações na empresa em que é sócio em Londres. Porém, mentiu, de acordo com a acusação, porque mais tarde se descobriu que a sua participação na referida empresa não chegou a ser vendida.

A outra parte do valor foi convertida em sete camiões, adquiridos na Inglaterra e posteriormente transferidos para Moçambique.

Dos sete camiões, vendeu logo três e com o dinheiro comprou atrelado para os restantes quatro camiões, com os quais abriu um negócio de transporte de carga. Mas, depois desistiu do negócio e vendeu os quatro camiões.

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