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Robert Gray vence 8.ª edição do FestCoros

Com lágrimas e sorrisos chegou ao fim a 8.ª edição do concurso de canto coral FestCoros. Como tem sido habitual neste evento, os grupos finalista deram melhor de si para levarem à casa ou à igreja o grande prémio em disputa. No entanto, a ventura coube a um grupo, o qual conseguiu a proeza de alcançar a maior pontuação: Robert Gray que, com 28 elementos no palco da final fizeram na derradeira actuação, uma fusão de canto coral com jazz. Para o efeito, o grupo vencedor levou ao palco do Auditório Municipal Carlos Tembe instrumentos musicais (viola baixo, teclados e bateria) que ajudaram a colorir a sua performance. No final, o grupo deu-se por satisfeito por ter alcançado a primeira classificação do concurso e, por isso, ter conquistado 200 mil meticais.

Ao longo da actuação, mesmo antes de serem anunciados vencedores, Robert Gray fez do seu espectáculo um momento que pudesse marcar a 8.ª edição, subvertendo a forma tradicional de fazer o canto coral, dando liberdade ao maestro de exibir passos de danças improvisados à medida que as emoções dominam a matéria.
 
Na tarde da última gala do FestCoros, o destaque foi partilhado. Além de Robert Gray, que, por ter vencido, tomou todo o protagonismo da final, o Auditório Municipal Carlos Tembe também rendeu-se ao desempenho do grupo Paz de Jesus, que teve a sensibilidade de bem explorar tons melancólicos, libertando, ao mesmo tempo, as potencialidades individuais de alguns elementos. E não se ficou por aí. O coral Atalaia também não quis ficar à margem da festa. No palco, com 24 membros, exibiu o seu potencial, explorando tonalidades altas e prolongadas bem ensaiadas. O grupo que considera o FestCoros uma escola de canto coral.  

Depois, chegou a vez dos Young Celebration. Embora em menor número, 11 elementos, com muita disciplina conseguiram merecer respeito e muita atenção de espectadores. O grupo investiu numa sonoridade taciturna, com potencial para conduzir quem a ouve a uma purificação interior típica das catarses aristotélicas.

Nessa disputa, Os Conservadores também participaram com distinção. Cantando pela felicidade resultante do amor, o grupo explorou o lado sombrio desse sentimento, mostrando que entre o bem e o mal há uma linha ténue. Com a colaboração de Elvira Viegas, os Conservadores contaram a estória de uma Maria que falhou ao trocar a escola pelo casamento “prematuro”. Quiçá, pela gravidade do tema da composição, “Carlos Tembe” levantou-se com aplausos, que se prolongaram quando um outro grupo, por muitos dado como potencial vencedor, Santa Maria, subiu ao palco. Como se de uma orquestra se tratasse, com 41 elementos, três violinos e dois violoncelos, diferente de todos, o coral mostrou-se mais preocupado com questões estéticas do que com a mensagem.

Com efeito, mesmo para tornar a última gala algo inesquecível, Alfa Thulana e Lázaro Sampaio lá estiveram para emprestar a sua voz a um bem maior, a propagação da boa nova por via da música. Se o primeiro músico foi mais meigo, pausado, o segundo quase deixou o auditório em ebulição. A certa altura, ninguém mais conseguiu conter-se, de pé, todos estiveram por causa, das letras de Sampaio.

Assim foi a oitava edição do FestCoros, que teve como segundo classificado Juventude da Igreja de Deus Missões Mundiais em Moçambique (com 100 mil meticais) e o terceiro classificado Voz de Jerusalém (50 mil meticais).

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