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Retoma do FMI deve reflectir-se numa maior disciplina na gestão da coisa pública

Foto: O País

Carlos Mesquita defende que a retoma do financiamento directo do FMI ao Orçamento do Estado exigirá maior rigor e disciplina na gestão da coisa pública pelo Estado moçambicano, para que a imagem do país não volte a ser beliscada. O dirigente falava hoje, em Gaza, durante a inauguração de um sistema pioneiro de abastecimento de água.

Foi com danças e cânticos que a população da Aldeia de Bombofo, Posto Administrativo de Lionde, distrito de Chókwè, recebeu o novo posto de abastecimento de água, inaugurado pelo ministro das Obras Públicas, Carlos Mesquita.

Trata-se de um modelo pioneiro, no país, e que contempla uma infra-estrutura que permite a dessalinização da água, um dos constrangimentos para que várias comunidades da província de Gaza não tenham acesso à água de qualidade.

Na sua intervenção, Mesquita falou da retoma da ajuda do FMI ao país e a responsabilidade que deve ser assumida por todos.

“Essa decisão tem impacto enorme, não pelo simples factos de que vamos ter mais fundos, para apoiar o desenvolvimento do país, mas também para a imagem de Moçambique no panorama global. E isso é fundamental para nós e irá exigir disciplina no manuseamento da coisa pública, compromisso e foco”, defendeu.

Mesquita defendeu que a água irá melhorar a qualidade de vida dos residentes daquela comunidade, que antes viviam num cenário de sofrimento.

“A água é extremamente importante e necessária para garantir a nossa saúde. Consumir água potável significa mais saúde, melhor rendimento escolar e maior produção. Antes da construção deste sistema, o abastecimento de água era assegurado com recurso a poços não protegidos e riachos intermitentes e a água era salobra, sem qualquer tipo de tratamento”, retratou o governante para seguir dizer que “este sistema faz parte de um conjunto de três sistemas já instalados, nomeadamente, este que acabamos de inaugurar aqui, em Bombofo, e os de Singanhane e Chinhanguane, situados em Massangena, para beneficiar, no conjunto, cerca de 9.000 pessoas”.

Para Mesquita, o maior beneficiário do empreendimento são as mulheres que eram obrigadas a percorrer grandes distâncias para ter água de qualidade.

“Com a entrada em funcionamento deste sistema, os residentes de Bombofo deixarão de percorrer longas distâncias na busca de água. O tempo gasto na procura deste precioso líquido será empregue em outras actividades produtivas, o que significa mais rendimento para as famílias e mais dedicação a outras actividades, como a escola para as nossas meninas”, disse Mesquita.

O ministro defendeu ser desafiante cumprir metas de abranger toda a população, num contexto em que o país vive os condicionalismos impostos pelas mudanças climáticas.

“Temos vindo a conviver com os efeitos das mudanças climáticas. O surgimento de fenómenos extremos cíclicos, de grande magnitude e devastadores, com redução e falta de chuva que concorrem para a seca, por um lado, e o excesso de chuva que provoca inundações e cheias, por outro lado, sem deixar de mencionar os ciclones que afectam severamente o nosso tecido social e o nosso desenvolvimento. A resiliência a estes fenómenos, considerados na escala dos grandes desafios, está no programa e no plano do dia-a-dia do Governo. Por forma a assegurar o abastecimento de água nesta zona de elevada complexidade hidrogeológica, construímos um sistema de dessalinização de água, uma tecnologia inovadora para melhorar a qualidade de água com características salobras”, descreveu o ministro das Obras Públicas.

No final, Mesquita exigiu da população e dos gestores bom uso das infra-estruturas. “Temos de preservar e conservar os investimentos que fazemos. Não podemos estar a construir infra-estruturas de abastecimento de água, repetidamente, para as populações já beneficiadas. O nosso país é grande e a província de Gaza também, e existem ainda muitas pessoas que não têm acesso ao precioso líquido. Apelamos a todos para garantirem a sustentabilidade deste e de outros sistemas. Para isso, o gestor, ao tomar conta deste património, deve operar e mantê-lo de forma profissional. Nós, os clientes e consumidores não devemos vandalizar os componentes dos sistemas (tubos, válvulas, torneiras, contadores, etc.), devemos ser vigilantes a possíveis actos de vandalização e denunciá-los e, por outro lado, devemos pagar pelos serviços prestados pelo gestor, pela quantidade de água que consumimos, para que possamos manter o serviço”, apelou Carlos Mesquita.

O sistema que, na sua capacidade máxima poderá alimentar três mil pessoas, está orçado em cerca de 20 milhões de Meticais, fundos do Banco Mundial, e tem garantia de funcionamento de 10 a 15 anos.

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