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Resgatadas 21 raparigas em uniões forçadas em Inhambane

Além de lutar contra a COVID-19, as raparigas em Jangamo têm outro inimigo, mas, desta vez, visível, conhecido e que, muitas vezes, actua com a conivência dos país e encarregados das crianças.

 Muitas raparigas são engravidadas ou são forçadas a casar antes de completar 18 anos de idade. Só no ano passado, foram mais de 40 que abandonaram a escola devido ao fenómeno.

Em Jangamo, o “O País” encontrou raparigas que revelaram que se envolveram em uniões prematuras com 16 anos e outras engravidadas aos 14 anos.

 São raparigas que, segundo apurámos, pararam nessa situação, umas por vontade própria, mas outras enganadas por amigos e pelos pais, com promessas de um futuro melhor.

 A nossa reportagem ouviu uma das raparigas que revelou que “eu fui constituir família, porque queria, ninguém me obrigou a nada”, disse a rapariga, mas, quando questionada por que ela queria tal situação, não soube responder.

Não sabia por que queria aquilo, mas, depois de sentir na pele as consequências de uma união prematura, hoje sabe que não era o que sonhou e revela estar muito arrependida.

 Só no ano passado, pelo menos 21 raparigas foram resgatadas de uniões forçadas e, hoje, recebem acompanhamento para garantir que não retornem ao cenário anterior.

Segundo a Directora da PLAN Internacional em Moçambique, Anna Hoff, não basta apenas resgatar, “é preciso assumir o desafio da reintegração social das raparigas resgatadas nas suas comunidades e garantir o seu empoderamento económico para poderem, a longo prazo, sustentar as suas vidas, evitando que voltem à união prematura”, defendeu.

 É por esse motivo que a organização proporcionou uma formação técnica que inclui a componente de gestão de negócio, a 16 raparigas mães e ou resgatadas das uniões prematuras e providenciou kits para início das actividades de geração de rendimentos ao mesmo número de beneficiárias.

 Trata-se de raparigas que, em tenra idade, já têm responsabilidades de adultos, umas forçadas, mas outras enganadas por quem devia protegê-las.

 As autoridades já prenderam, este ano, duas pessoas em conexão com uniões forçadas.

A PLAN Internacional receia que o número de raparigas nessa situação seja maior do que os reportados, situação agravada pela COVID-19.

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