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Renamo diz que falta vontade do partido no poder em ver o país em paz

Foto: O País

Vinte e nove anos após a assinatura do Acordo Geral de Paz, a Renamo diz-se ainda insatisfeita, devido ao que chama de má-fé e falta de vontade política do partido no poder para resolver diversos problemas e ter-se o país reconciliado e em paz.

As palavras são de Ossufo Momade, presidente da Renamo, que referiu que, apesar da idade jovem que os acordos de paz têm (29 anos), os problemas que o país enfrenta no que à paz diz respeito deixam todos preocupados.

Segundo o líder, o Acordo Geral de Paz não visava apenas o calar das armas, mas também reconciliar os moçambicanos de forma efectiva, assim como garantir um ambiente político saudável, mas não é o que está a acontecer.

“Logo nas primeiras e históricas eleições legislativas e presidenciais, assistimos ao Governo da Frelimo, um dos subscritores do Acordo, a fazer tábua rasa aos entendimentos alcançados; colocou o partido acima do Estado moçambicano, subverteu os princípios mais elementares do funcionamento da Administração Pública, confundindo que a Polícia, o exército, o aparelho judicial e os funcionários públicos são pertença do partido no poder”, queixou.

Momade acusa o partido de autoproclamar-se dono do país, do património nacional, dos recursos naturais e pôr em causa as eleições através de fraude.

“O fenómeno da fraude eleitoral foi-se repetindo ciclicamente em todos os processos subsequentes, o que periga sistematicamente a paz, reconciliação nacional e o desenvolvimento económico que juntos pretendemos alcançar”.

Perante estas acções, o maior partido da oposição acusa a Frelimo de estar a negar ao povo a paz de que tanto se fala há 29 anos. Segundo o Presidente da Renamo não “restam dúvidas de que estas acções criminosas, desumanas e de atentado ao direito fundamental e à vida consubstanciam um duro golpe à paz e reconciliação nacional”.

Disse mais que “a negação da verdade eleitoral, aliada à corrupção, à má governação, ao egocentrismo focado em interesses individuais, grupais e não dos moçambicanos constituem elementos e condimentos que põem em causa, de forma grave, a paz e a reconciliação nacional que, como povo, almejamos efectivamente.”

As queixas vão mais longe. Momade acusou o partido no poder de impedir os partidos da oposição a realizar as suas actividades políticas e de içarem as suas bandeiras, como também de discriminar os membros dos partidos políticos da oposição, beneficiando apenas os do partido Frelimo e, por isso, questionou “o que será deste país se os membros da Renamo pautarem pela retaliação? Isto é promover a paz e a reconciliação nacional?”

Ossufo Momade falou ainda do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração dos membros da Renamo e fez saber que dos entendimentos estabelecidos estava contida a atribuição de terrenos e fixação de pensões, o que ainda não está acontecer para muitos combatentes e para a Renamo a atitude coroe a paz e harmonia social.

“Por outro lado, leva-nos a crer que o grande interesse do Governo da Frelimo é desarmar a Renamo a todo o custo para fragilizá-la. Porém, é uma pura ilusão e voltamos a dizer que esta Renamo é a mesma de Matsangaisse e Dhlakama, quão forte como em 1977 quando foi criada, pelo que estamos atentos às intenções de nos manietar”, avisou o líder do maior partido da oposição.

O líder da Renamo voltou a apelar à Junta Militar para se render e garantir que as armas se calem para sempre.

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