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Relação entre coreanos e moçambicanos foi quebrada em Dezembro

O caso que envolve as embarcações norte-coreanas Susan 1 e Susan 2 ganhou contornos de Estado e poucos falam do assunto. Entretanto, a nossa investigação seguiu a teia e conseguiu encontrar os intervenientes relevantes que ajudam a explicar as zonas de penumbra que ainda existiam. Trata-se de uma sociedade composta por duas empresas: a Korean Overseas Fishing Corporation e a moçambicana PAR Lda. A sociedade por Quotas foi constituída a 27 de Fevereiro de 2013, sendo que os norte-coreanos entraram com duas embarcações, acima referidas, agenciados pela empresa NAVIMAR. A actividade principal era a pesca de “gamba” e fauna acompanhante.

Com exclusividade, conseguimos falar telefonicamente com os gestores da PAR Lda que nos remeteram ao seu advogado, Adriano Boane. “Fomos notificados em Dezembro pelo Ministério das Pescas e até 22 de Dezembro esta sociedade foi dissolvida, seguindo as instruções do Governo e este está a cumprir a resolução das Nações Unidas”, esclareceu a fonte e a assegurou que “neste momento está-se na fase de liquidação da sociedade”.

Verdade, porém, é que em Dezembro do ano passado, as embarcações fizeram-se ao mar para pescar, segundo registos da Administração Marítima a que tivemos acesso e, como se sabe, a resolução das Nações Unidas que aprovou as sanções contra o regime de Pyongyang é de Agosto de ano passado.

Sobre se a sociedade em alusão era de fachada e servia para alimentar o regime de Kim Jong-un, Adriano Boane respondeu, primeiro, com uma expressão facial de espanto e a seguir pronunciou-se: “não conheço a situação norte-coreana, mas me parece que não existem empresas privadas lá. Todas as empresas são estatais. Mesmo que em termos de cooperação saiam trabalhadores para um determinado país, portanto, o bolo desta cooperação vai para o governo norte-coreano. A empresa tem 70% de participação social. O que ganha nesses 70% vai enriquecer a balança comercial da Coreia do Norte. O que eles fazem com os proveitos disso só eles é que sabem. A Organização das Nações Unidas achou que nem estas cooperações todas deviam existir e não estão a existir”.
Sem determinar quantos, o nosso entrevistado reconheceu que existem cidadãos norte-coreanos nas embarcações que estão atracadas no Porto de Pesca de Maputo, entretanto, na fase de conclusão do expediente para partirem de volta ao seu país. “Ainda não partiram. Estão cá, mas prestes a partirem. Desde Dezembro do ano passado não se fazem ao mar, mas é necessário que se mantenham lá, que se faça a logística toda para as embarcações partirem. Vão sair dentro de dias”.

A nossa reportagem tentou vários contactos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação para dar detalhes das dos contactos que Moçambique tem mantido com as Nações Unidas, no entanto a resposta foi um silêncio absoluto. Sabe-se, contudo, que existe um comité criado naquele Ministério para tratar deste assunto e é esse grupo técnico que trata de todos os aspectos visando a implementação das recomendações internacional de bloqueio de comércio com empresas da Coreia do Norte.

A pesca é bastante lucrativa e atrai cada vez mais interessados em obter licença ou estabelecer parcerias para pescarem nas águas territoriais de Moçambique, por isso a PAR Lda está convicta que mesmo com a saída dos parceiros norte-coreanos e a saída das duas embarcações (Susan 1 e Susan2) encontrará muito facilmente um outro parceiro para continuar com a pesca industrial.
 

 

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