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Reforço do quadro regulatório é crucial para haver transferência de tecnologias

É necessário que o Governo crie mais políticas, estratégias e regulamentos para que as multinacionais transfiram tecnologias paras as empresas moçambicanas, defenderam alguns intervenientes de um painel de debates da Moztech. Já o Instituto Nacional de Petróleos e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos dizem já estar a buscar soluções para os problemas.

Deixar de depender das multinacionais e passar a ser operador principal nos projectos de gás do país é um dos principais objectivos da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), braço do Estado moçambicano nos negócios de petróleo e gás natural.

Para chegar lá, a ENH diz estar a capacitar seus quadros para que percebam as tecnológicas que lhes permitam assumirem as rédeas. De acordo com Pascoal Mucumbi, administrador da firma estatal, os passos para a liderança já iniciaram.

“A nossa equipa de geólogos hoje tem acesso a ferramentas dos parceiros ou as nossas ferramentas para aceder aquilo que é a informação que vem dos operadores em relação aos furos de produção. Temos acesso à tecnologia de produção do recurso”, disse o administrador da ENH.

Pascoal Mocumbi explicou ainda que a empresa tem enviado seus técnicos em regime de destacamento para trabalharem directamente com os operadores, de modo a obterem conhecimentos tecnológicos sobre as suas operações.

“Eu sou um dos casos de um funcionário da ENH que durante algum tempo esteve a trabalhar fora do país, em Singapura, nos escritórios da total para negociar os contratos de compra e venda de longo prazo de LNG, então, isso já acontece, obviamente, isso não acontece de noite para o dia, é um processo e as tecnologias de informação vão nos ajudar a acelerar”, disse.

Em Moçambique há alguns anos, a Vale diz ter programas de desenvolvimento que permite aos seus fornecedores, PMEs moçambicanas em particular, a terem acesso às tecnologias requeridas para prestar serviços à mineradora que explora carvão em Moatize, Tete.

“Temos uma certa timidez das empresas locais em garantir a certificação que a painelista aqui falou, então, é importante que as empresas certifiquem-se cada vez mais e procurem conhecer e ter acesso àquilo que existe de tecnologia porque estas estão aqui para resolver alguns problemas e melgorar processos”, disse Elisabeth Veloso, representante da Vale.

Contudo, Veloso diz ainda que a Vale tem cada vez mais empresas nacionais no ambiente da mineradora. “Também temos cláusulas para garantir que empresas estrangeiras que veem prestar serviços nas nossas operações desenvolvam recursos locais. Então, nós temos empresas internacionais com muitos recursos locais em posições de lideraça”, fez saber.

Por sua vez, Chivambo Mamadhusen, CEO do Grupo Videre, sugere que o Governo reforce as políticas e estratégias para que as multinacionais transfiram mais conhecimento e tecnologias para as empresas moçambicanas.

“Eu acho que o que há hoje não é suficiente. Tem que se criar uma plataforma de desenvolvimento tecnológico onde essas empresas possam fazer essa transferência de tecnologia. Por exemplo, uma das estratégias básicas é nós nos focalizarmos em investimentos agregadores, indústrias que tomam como vantagem a compra de conteúdos locais, onde as PME possam ser fornecedoras, as que tenham um investimento significativo em tecnologias”, avançou Chivambo Mamadhusen.

Já Sazia Sousa, directora geral da Technoplus, uma PME moçambicana, diz haver necessidade de criação de regulamentos que facilitem a implementação de tecnologias no país. No seu entender tem havido muitas barreiras evitáveis.

“Existe um conjunto de regulamentos que devem ser trabalhados para que poder aceitar essas novas tecnologias. Nós por exemplo hoje falamos das assinaturas digitais, mas no país não é possível fazer assinaturas digitais. E se nós temos um sistema completamente digitar e ainda temos que sair para assinar um documento e ir entregar o papel físico original na instituição, ainda estamos muito aquém daquilo que é a digitalização”, explicou Sazia Sousa.

Respondendo a algumas preocumação apresentadas no debate, Augusto Macuvele, administrador de pesquisas do Instituto Nacional de Petróleos (INP), regulador da área dos hidrocarbonetos, disse que a instituição pública já está a trabalhar com as multinacionais para reforçarem a sua cooperação com as empresas moçambicanas.

“O concurso público deve ser desagregado em parcelas pequenas de modo a que as empresas nacionais possam ter capacidade técnica e financeira para poder participar. Esse é um processo que está em curso, estamos em discussões para ver se isso seria possível e se vai participar o acesso das empresas a esse pacotes que estão a ser anunciados”, referiu o administrador de pesquisas do INP, Augusto Mucavele.

Tratam-se de preocupações e respostas apresentadas na sexta-feira na Moztech, no debate sobre Ligações Empresariais como Meio de Transferência de Tecnologia.

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