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Reduziram raptos mas albinos continuam amedrontados

Associação de Apoio Albinos de Moçambique (Albimoz) diz que reduziu o número de raptos de albinos e em 2019, por exemplo, foram apenas dois casos e os mesmos já estão resolvidos. Mesmo assim, o medo prevalece para as pessoas com albinismo.

Albinismo é uma condição causada pela deficiência na produção de melanina, e afecta os olhos, os pelos e a pele.

Essa condição torna essas pessoas vulneráveis e alvos de raptos e assassinatos devido à crenças obscuras e a estigmatização. Não poucas vezes se viu homens, mulheres, adultos e crianças no país, com albinismo, a serem raptadas e em casos mais graves a serem assassinadas.

É para combater e evitar tais “barbaridades” que a 13 de Junho, assinala-se o dia mundial da consciencialização sobre o albinismo.

Neste ano, as celebrações que aconteceram no sábado trouxeram uma boa nova.

“Registamos dois casos (em 2019) e já foram solucionados” revelou o presidente da Associação de Apoio a Albinos de Moçambique, William Savanguane.

Sem avançar dados comparativos, Savanguane diz apenas que, diferente de outros anos, no ano anterior 2019, o país registou uma drástica baixa no número de casos de raptos de albinos.

Apesar da redução do número de casos, ainda é difícil enfrentar a nova realidade e o medo continua para muitos adultos e principalmente para crianças como o menino Max de sete anos de idade.

Com a voz tímida, pouco audível e fica ainda mais devido a máscara, Max desabafa “Tenho medo de ser roubado”. O rapaz vai mais fundo ao revelar e revelar um outro temor. “Tenho medo de andar na rua”.

Para fintar os receios, Max explica que tem evitado sair de casa, e sempre que não tem alternativas, como quando tem de ir a escola, fá-lo na companhia dos amigos para proteger-se dos raptores.

Mesmo com ajuda de amigos, nada tranquiliza o coração de Delfina, mãe de Max, que tem como maior medo, perder o filho para os criminosos.
O que relaxa Delfina é o apoio de todos, vizinhos e familiares, que sabem que albinismo não é contagioso e nem é uma doença.

O mesmo não acontece com Graça Xavier, que sofre três vezes, por ela, pela filha e pelo marido, todos albinos, e que sentem na pele a descriminação. Mas é pela filha que mais treme, afinal, vezes sem conta é impedida de brincar com outras crianças pelos pais.

A descriminação e estigmatização da pessoa albina é um desafio por ultrapassar. Para o presidente da Albimoz o problema da discriminação e raptos vai para além do que se vê na sociedade, e chega até as empresas do sector privado que fecham as portas do emprego para as pessoas com albinismo.

“Muitas pessoas com albinismo são desempregadas, o nosso desafio agora é sensibilizar o empresariado e o governo a abrir espaços para que o albino possa ter emprego” explicou Savanguane.

O município de Maputo junta-se à causa e sublinha que a família deve ser a primeiro a proteger e dar apoio as pessoas sem pigmentação.

O presidente do município de Maputo, Eneas Comiche, estende o apelo a toda sociedade para maior consciencialização sobre o albinismo e para luta contra os mitos que resultam na descriminação dos albinos.

“Os albinos merecem e tem os mesmos direitos de vida, segurança e proteção pois frequentemente sofrem desafios e obstáculos para verem seus direitos respeitados”, disse o edil.

Cabo Delgado e Nampula são as províncias em que os albinos são mais propensos a raptos e assassinatos disse Savanguane, no sábado, nas comemorações do dia mundial da consciencialização sobre o albinismo celebrado a cada 13 de Junho.

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