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Reduz movimento de passageiros para África do Sul a partir de Maputo

As manifestações xenófobas que estão a acontecer em algumas cidades sul-africanas, desde semana passada, já afectam os transportadores nacionais que fazem a rota Moçambique África do Sul, com destaque para Joanesburgo, Pretória Rustenburg e Durban.

Nos principais terminais rodoviários em Maputo, o cenário é de parques cheios de autocarros, mas todos vazios e à espera de passageiros que não aparecer, devido ao receio de se tornarem vítimas dos ataques xenófobos.

“Não estamos a conseguir passageiros. Os autocarros não estão sair porque as pessoas têm receio de ir” viajar a vizinha terra do Rand, disse Reginaldo António, transportador.

“Não estamos a trabalhar estes dias por causa dos sul-africanos. Eles estão a matar os nossos irmãos, que nem fizeram nada. Quando eles vêm para cá não lhes fazemos nada”, desabafou outro transportador, André Joaquim.

No terminal da Junta, por exemplo, onde por dia saem três a quatro autocarros, mas esta quinta-feira só um conseguiu viajar, com poucos passageiros.

“Havia muito movimento mas nestes dias estamos mal. Hoje só saiu um carro. Isso não é normal. Conseguimos tirar alguns para Durban, mas Joanesburgo nem um”, lamentou Sardinha Massavo, transportador do terminal da Junta.

Se os moçambicanos têm receio de se deslocar à terra do Rand, o mesmo não se pode dizer em relação aos sul-africanos. No terminal da baixa da cidade de Maputo, “O País” interpelou duas cidadãs daquele país e que procuravam por transporte para regressar.

“Não gostamos do que esta acontecer porque todos eles que fazem isso são negros como nós. Porquê matar e destruir? Porque são estrangeiros? Não gostamos disto, não gostamos mesmo! Temos de nos respeitar”, desabafou Priscila Mokwena, cidadã sul-africana.

A outra mulher também sul- africana disse não entender atitude dos seus irmãos. “Nós somos sul-africanas e sempre viemos cá passear nada nos acontece, se somos tratados bem fora temos também que tratar bem aos estrangeiros”, disse Thuli Nkosi, acrescentando que “o governo (daquele país) já desmentiu as informações que circulam nas redes sociais. O Presidente (sul-africano) também está contra estes actos xenófobos e prometeu acabar com este fenómeno”

Segundo relatos de alguns transportadores, a situação tende a voltar à normalidade, com a Polícia a controlar os focos de rebelião.

 

Ministra sul-africana pede união de esforços

 

Apesar da "relativa acalmia" as autoridades sul-africanas diziam existir nas cidades de Joanesburgo e Pretória, a região de no East Rand registou incidentes. Na madrugada de quarta-feira na África do Sul, por exemplo, houve pilhagem em estabelecimentos e violência pública na província de Gauteng.

Reagindo ao caso, a ministra sul-africana do Desenvolvimento Social, Lindiwe Zulu, considerou a xenofobia naquele país como um problema de toda África, cuja resolução exige o esforço de líderes do continente, segundo o jornal “Noticias”.

 

CTA FALA DE PREJUÍZOS      

 

O vice-presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Castigo Nhamane, disse em conferência de imprensa que os transportadores moçambicanos estão a acumular prejuízos estimados em um milhão de dólares por dia, por conta da insegurança que se regista na África do Sul. E podem atingir três milhões de dólares, quando acrescidos às perdas sofridas pelas companhias transportadoras de passageiros.

“Dados preliminares indicam que cerca de 300 camiões de transportadores moçambicanos entravam, diariamente, na vizinha África do Sul, para o transporte de carga diversa, mas desde que iniciaram os tumultos deixaram de entrar naquele país, deixando cerca de 2.000 trabalhadores paralisados, com o negativo impacto que esta situação produz nas famílias dos mesmos”, lamentou Nhamane, citado pelo “Notícias”.

Segundo a fonte, “desde a semana passada, os tumultos incidem sobre os camionistas estrangeiros, havendo registo de cerca de sete camiões incendiados na EN3, entre a localidade de Eastcourt e a portagem do rio Mooi, na província de Kwazulu-Natal, a nordeste da África de Sul”.

 

 

 

 

 

 

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