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Reassentamento em Nampula é feito depois do “pente fino”

O secretário de Estado em Nampula diz que a afectação dos deslocados no centro de Corane é feito depois de uma triagem aturada para se saber da real situação de cada beneficiário de forma a não criar outro foco de perigo de eclosão do terrorismo

O assunto dos deslocados das zonas de conflito em Cabo Delgado vai encontrando outro tipo tratamento na província de Nampula. Se para quem foge da violência armada o mais desejável é conseguir ter um lugar seguro para recomeçar a vida, eis que as autoridades de Nampula surgem com outro posicionamento: “até então não estamos a fazer o transporte directo das comunidades até aqui, se não vamos colocar todo centro também em situação de exposição ao perigo. O que estamos a fazer é proteger as pessoas que estão a sair das zonas de perigo, então não podemos aceitar que nos locais por onde estamos a reassentar também sejam locais expostos ao perigo. É preciso assegurar que a todas as pessoas que aqui acorrem não passem mais aquilo que já passaram”, disse Mety Gondola, secretário de Estado em Nampula, depois de uma breve visita ao centro de reassentamento definitivo de Corane na tarde desta terça-feira.

Neste momento, a província de Nampula conta com cerca de 37 mil pessoas chegadas de Cabo Delgado, das quais perto de 2 mil já foram reassentadas. O governo de Nampula foi o primeiro a encontrar um local para o reassentamento definitivo dos deslocados, onde para além da atribuição de um terreno habitacional de 20 por 30 metros, foi identificada uma área para produção agrícola, onde cada família deverá ter um hectare e meio.

Entretanto, começaram a surgir conflitos de terra, onde os nativos não deixam os recém-chegados ocuparem as terras agrícolas. Lúcia Pedro, é uma das reassentadas e fala o que viveu: “aqui na machamba há problemas porque muitas delas têm donos – os nativos -, quando vão nos mostrar os terrenos, depois chegam os donos a dizerem que é terra deles”.

Mety Gondola sabe do assunto e garante que o processo de alocação de terras segue o princípio de co-habitação entre os nativos e os recém-chegados, mas garante: “o importante é que podemos afirmar que ninguém ficará de fora”.

Sobre as 70 pessoas que passaram dias ao relento na cidade de Nampula, o delegado provincial do INGC garantiu à STV que já iniciou o transporte para o centro de Corane.

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