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Quénia, venha daí…

Fotos: FIBA-África

A selecção nacional de basquetebol sénior feminino defronta, esta quarta-feira, às 21h00, hora de Maputo, Quénia, em jogo de acess o aos quartos-de-final do “Afrobasket”-2021, prova que decorre em Yaoundé, Camarões.

Duas derrotas na fase primeira do “Afrobasket” 2021 diante das campeãs africanas Nigéria (67-50) e Angola (61-70) colocam Moçambique no terceiro lugar do grupo “B”, cenário que faz com que tenha que disputar (tal como outras sete selecções) um “play-off” de acesso aos quartos-de-final.

E, nesta fase do “mata-mata”, o adversário será precisamente o Quénia, adversário que curiosamente marcou a sua estreia nas fases finais do “Afrobasket” em 1985, prova realizada na capital do país!

Segundo classificado do grupo “A”, o Quénia perdeu com os anfitriões Camarões por 70-54, e venceu Cabo Verde por três pontos: 61-58.

79ª classificada no ranking da FIBA e 8ª em África, a selecção do Quénia assegurou a presença no “Afrobasket” 2021 depois de vencer as eliminatórias da zona V com um saldo de duas vitórias em quatro jogos. Disputada em Kigali, Ruanda, esta fase de acesso ao “Afrobasket” contou com a presença do Egipto, Ruanda e a móvel formação do Sudão do Sul.

Mas, de onde vem esta formação do Quénia? De longe, meus caros! As quenianas têm a particularidade de terem participado, em 1994, no Campeonato Mundial de Basquetebol, prova realizada em Adelaide, na Austrália. Nesta competição, Quénia somou por derrota todos os jogos realizados, porém deixou ficar boa impressão, sobretudo, diante da superpotência EUA. De resto, as exibições seguras abriram as portas a algumas das suas atletas que rumaram para a terra do “Tio Sam”.

Rezam as crónicas que a primeira aparição do Quénia no “Afrobasket” feminino foi, curiosamente, em 1985 em Maputo, numa prova em que terminou em quinto e último lugar. “Apanhou” duas “chapa 100” frente à República Democrática do Congo (150-45) e Camarões (103-69).

Em 1993, grandes exibições no “Afrobasket” de Dakar, Senegal, redundaram num segundo lugar e consequente qualificação inédita para o Campeonato Mundial, na Austrália, em 1994.

As quenianas caíram na final diante do anfitrião Senegal por 89-43. Quatro anos depois, ou seja, em 1997, Quénia quedou-se em quarto lugar após perder diante da Nigéria (90-62) no jogo de atribuição do terceiro lugar.

Era a queda das “leoas” que se revelavam um adversário a ter em conta! Aliás, em 2007, Dakar testemunhou uma prestação pálida do Quénia que não só ficou em último como também chegou mesmo a perder diante de um desconhecido Madagáscar, por 69-58.

Já em Maputo, em 2013, não foi para além do 10º lugar numa prova em que Moçambique conquistou a medalha de prata. Na sua última aparição no “Afrobasket”, em 2019, as quenianas perderam todos os jogos disputados.

Quem são as jogadoras-chave? Simples de responder à questão: Felmas Koranga e Victora Reynolds, a evoluírem na África do Sul, e  Rose Ouma, capitã que joga no Dubai. Melissa Akinyi, Natalie Akinyi e Christine Akinyi são, igualmente, jogadoras preponderantes que fazem a diferença na quadra.

Quando Victoria Reynolds chegou a Nairobi dos EUA para se juntar à selecção do Quénia, a valorosa jogadora estava muito longe de imaginar o que lhe esperava na sua estreia.

Chegou, viu e venceu. Foi nomeada a jogadora mais valiosa (MVP) e também para o cinco ideal das eliminatórias da zona V para o “Afrobasket”.

 

HÁ QUE ARREPIAR CAMINHO

Não tiveram uma preparação desejada. Nem tão. Tudo improvisado, em cima do joelho. Mas, chegadas ao palco do “Afrobasket”, as meninas mostraram raça! Não tremeram diante das bicampeãs africanas e representante de África nos Jogos Olímpicos – Nigéria.

De resto, controlaram os dois primeiros quartos do jogo com parciais de 12-11 e 21-18. Houve quebra física, tal como seria de esperar no terceiro quarto e as nigerianas agigantaram-se.

Esta quarta-feira, diante do Quénia, Moçambique é claramente favorito. O seu historial não mente. Já foi três vezes vice-campeã africana, neste caso em 1985, 2003 e 2013, todas as edições havidas em Maputo. Há ainda o registo do terceiro lugar alcançado em 2005 (Nigéria), 1990 (Tunísia) e 1993 (Senegal).

Moçambique já marcou presença no Mundial de 2014, na Turquia, para além de ter conquistado a medalha de ouro nos Jogos da Lusofonia, em 2018, em Doha.

 

STEFÂNIA LIDERA PONTUAÇÃO

A “rookie” Stefânia “Papelão” Chiziane lidera a selecção nacional de basquetebol, com média de 11, 5 pontos/jogo.

Na sua estreia no Campeonato Africano de Basquetebol sénior feminino, Papelão esteve em destaque diante da Nigéria, com 11 pontos e três ressaltos em 20:04 minutos na quadra.

Seguem-se-lhe Ingvild Mucauro, extremo que apresenta uma média de 11.0 pontos e Tamara Seda, poste que tem registo de 10.5 pontos/jogo.

Melhor ressaltadora da edição 2019 do “Afrobasket”, prova realizada em Dakar, Senegal, Tamara Seda tem registo de 7.5 ressaltos, contra 5.5 e 5.0 de Odélia Mafanela  e Ingvild Mucauro, respectivamente.

Anabela Adriano Cossa e Ingvild Mucauro apresentam 3.0 assistências por jogo.

Em termos globais, Moçambique tem uma média de 55.5 pontos/jogo, 30.8 % de aproveitamento nos lançamentos de campo (20.5 em 66.5), 16.2 nos tiros exteriores (3.0 em 18.5) e 59.0% na linha de lances livres (11.5 em 19.5).

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