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Quem pára os ataques na zona Centro!

A ser verdade que a Junta Militar da Renamo é a responsável pelos ataques na região centro do país, estamos perante um problema cuja solução não cabe de forma exclusiva ao Governo mas também a própria Renamo de onde tem origem, é a Renamo que conhece os labirintos por onde se anda naquelas matas, cabendo a si, localizar o desertor e entregá-lo ao Governo, recordando que, a Renamo ainda não desmilitarizou-se, não desarmou-se e nem reintegrou os seus antigos militares.

Quando escrevo esta reflexão, o último ataque de que há memória, terá acontecido, dia 12 de Novembro de 19, no troço Inchope e Gorongosa, de acordo com vários testemunhas, o ataque se deu de madrugada e visou uma viatura de passageiros com destino a Niassa, trata-se de um grupo de religiosos, depois de ferirem o Motorista, uma passageira terá tomado o comando do volante e levou os passageiros até a Vila de Gorongosa, num troço de aproximadamente 40 Quilómetros, do ataque resultou três feridos de entre eles dois graves que, foram evacuados para o Hospital Central da Beira.

Trata-se de quarto ataque protagonizado por homens da autoproclamada “Junta Militar da Renamo” sob comando do Tenente General Mariano Nhongo, que se rebelou das fileiras da Renamo, alegadamente, por Ossufo Momade ter-se deixado “comprar” pelo partido no poder a Frelimo, na opinião deste, Ossufo Momade deixou cair por terra os compromissos que o falecido Líder da Renamo tinha com o Governo do Presidente Filipe Nyusi. Depois da eleição de Ossufo Momade para a liderança da Renamo, iniciou com a “purga” de pessoas que eram próxima a Afonso Dhlakama, algumas das quais presas e distribuídas por unidades de menor relevância.

Mariano Nhongo, foi notável durante a campanha eleitoral, ao persuadir o eleitorado a não votar no Presidente do Partido e candidato da Renamo Ossufo Momade, em pleno dia de reflexão sobre as diferentes propostas eleitoralistas, Mariano Nhongo apareceu nos diferentes órgãos de comunicação social, contra a Lei, a apelar a população a não votar em Ossufo Momade, alegadamente porque, o “verdadeiro” Presidente da Renamo é ele, esta mensagem, criou alguma estranheza junto do público que domina as regras eleitorais e indignação aos partidos políticos, com especial destaque ao partido Renamo visado pela mensagem.

A primeira aparição pública do Presidente da Renamo, para comentar sobre os ataques na região centro do país, de acordo com alguns órgãos de comunicação social, somam 4 ataques com a registada na última madrugada de Terça-feira, Ossufo Momade distanciou-se dos mesmos e responsabilizou a “Junta Militar” na pessoa de Tenente-General Mariano Nhongo e, não deixou de criticar a “inação” do Governo que, na sua expressão, está a deixar o “jacaré” crescer no lugar de eliminá-lo quando ainda é ovo. Com este pronunciamento, Ossufo Momade e a Renamo distanciam-se de um homem que, de acordo com as fontes orais, foi de extrema importância na manobra militar da Renamo.

Dizem as mesmas fontes que, Mariano Nhongo, foi capturado e tornado Menino-Soldado aos 11 anos de idade e, de lá a esta parte, não sabe fazer mais nada se não matar ou ordenar as matanças, com o advento do AGP, assinado em Roma, capital da Itália, Nhongo não beneficiou da desmobilização, tendo ficado no quadro do mesmo acordo para a defesa de altos quadros da Renamo, dizem as mesmas fontes que, Mariano Nhongo teve um papel determinante no salvamento de Afonso Dhlakama depois do ataque de Zimpinga e depois, no resgate deste na cidade da Beira para as matas de Gorongosa.

Dando fé a esses e outros relatos sobre a vida de Mariano Nhongo, acredita-se que, move-se como “peixe na água” pelas densas matas de Sofala, sendo que, para se conseguir aproximação deste não há melhor grupo que não seja a própria Renamo, no entanto, as coisas complicam-se quando o Presidente do partido distancia-se dele e não mostra qualquer interesse em, no mínimo, colaborar para a sua neutralização pelas FADM, Ossufo Momade mostra-se algo chocado com o comportamento do Governo em relação a esta matéria bem assim do seu colega Mariano Nhongo, por ter feito uma contra campanha, ao apelar a não voto.

Muitas pessoas acreditam que, a campanha de Mariano Nhongo contra Ossufo Momade, sobretudo quando este ameaçou aqueles que fossem votar nele, como sendo uma “declaração de guerra” terá levado as pessoas apoiantes da Renamo a retraírem-se das urnas e deixado o partido e seus candidatos sem o apoio que necessitavam para lograrem sucesso nas eleições de 15 de Outubro, para eleger o Presidente da República, Deputados da Assembleia da República, membros das Assembleias Provinciais e por via disso, os Governadores Provinciais, é que, por incrível que pareça, a Renamo não elegeu se quer um Governador e, na Assembleia da República foi reduzido a 60 Deputados dos 250 possíveis.

Contudo, olhando para o histórico das eleições em Moçambique, não espanta a ninguém, o próprio Líder da Renamo, o saudoso Afonso Dhlakama, participou em 5 eleições e, em todas perdeu a favor dos candidatos da Frelimo, sendo a última perda com o actual Chefe do Estado Filipe Jacinto Nyusi, não seria o estreante Ossufo Momade que derrotaria Filipe Nyusi que concorria para o seu segundo mandato, ainda para mais, em uma campanha que não apresentou ideias, se não a crítica à governação da Frelimo, sobre assuntos que todos sabiam.

Nada justifica a actual escalada de violência na zona centro do país, a justificação que se dá sobre os resultados eleitorais, “fraude e enchimento” das urnas, não faz sentido, até porque, as pessoas que protagonizam o ataque estavam contra as eleições na sua total dimensão, a questão agora é saber com quem o Governo deve negociar para o cumprimento do DDR, evidente que, oficialmente é com Ossufo Momade, será isso suficiente, sabido que, não controla a totalidade dos homens dispersos nas matas de Gorongosa? Qual pode ser o papel da igreja! Da sociedade civil! Da Comunidade internacional, a começar pelo grupo de contato, todos somos poucos para trazermos a solução para este grande equívoco e, rogamos pela paciência de Filipe Nyusi, Presidente da República.

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